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GP da Charneca da Caparica

Organizado pelos Amigos do Atletismo da Charneca da Caparica e pela Junta de Freguesia da Charneca da Caparica, com os apoios da Câmara Municipal de Almada, Bombeiros Voluntários de Cacilhas e Comércio Local, realizou-se hoje o Grande Prémio de Atletismo da Charneca da Caparica.
 
 Destaco a perseverança do Clube que mantém a prova viva, ano após ano. Em moldes idênticos aos das provas do antigo e agora inexistente Troféu de Almada, a organização divide as provas por escalões, desde os mais novos que Benjamins, passando por estes, até aos escalões mais velhos. Peca por isso por manter a prova feminina fora da prova principal, que tem cerca de 8500 metros, ficando o sector feminino condicionado a uma corrida de distância inferior a 3 Km.
 
 Com excepção das provas dos mais pequenos, todas aquelas que se alargaram no perímetro, tiveram de se defrontar com fraca sinalização e igualmente fraca a segurança no que ao condicionamento do trânsito diz respeito.
 
 Valorizo os prémios de presença: bolo, fruta e água, assim como Troféus e medalhas por classificação para todos os escalões, e também por equipas, sabendo nós a importância que estes assumem nos escalões mais jovens.
 
 Valorizo principalmente a vontade e o trabalho de manter esta corrida de pé, assim como as inscrições gratuitas e todo o trabalho necessário para conseguir realizar a prova, não sem percalços como atrasos nas partidas e outros referidos, revelando um amadorismo que por isso mesmo, reveste estas gentes de um valor especial, pois sem intuitos lucrativos, promove e divulga a Corrida, não só neste evento, mas num trabalho de todo o ano, com treino e motivação aos seus próprios atletas e à comunidade.
 
 Está por tudo isto, o Clube dos Amigos do Atletismo da Charneca da Caparica, meritório dos mais sinceros Parabéns, que lhes dou sem dúvida alguma.
 
 Ana Pereira
 
 
 A Prova da Maria
 
 Venci. Ganhei. Lutei e venci! Venci os fantasmas e sozinha como há muito não fazia (desta vez o meu querido pai não me pôde acompanhar), levantei-me cedo, arranjei-me e pûs-me a caminho. 40 Km depois, estava na Charneca da Caparica. Cedo. Demasiado cedo talvez. Vou tomar café enquanto aguardo pelo meu Clube e pelas horas. Dali a pouco, o reencontro. Um abraço e beijinhos a todos. Pego na máquina. Gosto de fotografar. Principalmente as provas dos mais pequenos. Enquanto acho que ainda não é tempo de fazer o meu aquecimento, fotografo os pequenos. As condições não são as melhores, o Sol parece estar sempre do lado errado e não me facilita o trabalho/prazer de fotografar. Faço o que posso.
 
 Depressa chega a minha hora de aquecer. Com o António, companheiro como poucos. Apesar da sua prova só começar depois da minha acabar, faz-me companhia no aquecimento. Conversamos um pouco. A máquina fotográfica já mudou de mãos (obrigada Inês, mas para a próxima eu quero-te é a correr ao meu lado), e o sinal de partida é dado.
 
 Faço a prova com tanto bom senso que nem me reconheço. Em vez de correr à maluca por a distância ser curta, aqui a menina modera o andamento para um nível aceitável de esforço. É que a máquina está parada praticamente  desde o ano passado, 31 Dezembro, e os 42 anos já pesam, mais o corpo que os anos, mas enfim deixai-a pensar assim, que são os anos que pesam. Desta forma faço uma prova bastante tranquila:
 
 2730 metros em 15m28s, média de 6:40 / Km
 
 Logo nos primeiros metros as posições se definem: fico de imediato para trás com umas senhoras  perto de 2 décadas mais velhas que eu, e com a minha chefe de equipa, que já só corre a brincar. Deixo-me ir com elas, mas depressa (500 m) me apercebo que eu poderia ir um nadinha mais rápido. E vou. E a partir daí faço a prova totalmente sozinha. A perder-se de vista a atleta da frente e idem para a de trás, chegando mesmo em determinados cruzamentos ter de perguntar a populares por onde deveria seguir. Corro na berma, há veículos na estrada, até que um camião do lixo encosta para fazer a devida recolha do lixo e obriga-me a sair da berma e ir pelo meio da estrada, no preciso momento em que um veículo que o seguia ao vê-lo encostar, o resolve ultrapassar. Nada de especial, assim como numa curva apertada de muito má visibilidade é-me feita uma tangente por um outro veículo de vem de frente para mim. Escapo destas mas não gosto e quem me conhece sabe que em minha opinião a segurança é dos itens que mais valorizo numa organização e é óbvio que nem o facto de não pagar inscrições atenua o perigo e a responsabilidade, que a organização tem o cuidado de deferir para o atleta no regulamento, por isso, não há reclamações, mas nem por isso deixo de ter a minha opinião da ocorrido.
 
 Passados estes episódios, há uma vozinha de criança que me chega aos ouvidos: "Força menina!" - levanto os olhos da estrada e do caminho e deparo-me com um petiz de 4 anitos, de olhos negros a bater-me palmas. Arranca-me um sorriso de orelha a orelha. Menina?! Sorrio, aceno-lhe e agradeço.
 
 Rapidamente estou a chegar à meta. Muita gente chama por mim. Diz o meu nome. O meu nome na boca delas e o sorriso é agora constante. Falta o meu pai mas nem por isso me sinto só.
 
 Recebo a água, o bolo, a maçã e depressa volto a pegar na máquina fotográfica para agora fotografar a prova principal. Pena que as pilhas se acabaram e não consegui fotografar todos os atletas à chegada. Ainda assim, como cada vez que corro, ganhei e venci.
 
 
 Boa semana para todos
  

 

 

 

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sábado, 15 de maio de 2021 – 08:23:21

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