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Connecting Açores - Dental Face - Aventuras e peripécias da viagem

A 1ª fase do Connecting Açores – Dental Face terminou com a ligação em Windsurf de quatro ilhas do Grupo Central Açoriano.

Foram necessários três dias para Filipe Palma, Miguel Dória, Armindo Furtado e Nuno Braz de Oliveira ligarem as ilhas do Faial, Pico, São Jorge e Terceira, numa distância total de 97 kms. A navegação para unir estas ilhas de rara beleza decorreu, na maior parte do tempo, em condições de vento e mar extremamente difíceis. Uma direção de vento desfavorável e de forte intensidade impediram os quatro velejadores de, nesta fase, alcançarem a ilha Graciosa.

No primeiro dia deste projeto “Made in Portugal” os quatro velejadores despediram-se do Café Peter e ligaram a Horta, no Faial, à Madalena, no Pico, em duas horas. As cinco milhas, cerca de nove kms, foram vagarosa mas facilmente superadas com pouco vento. Foi uma travessia extremamente importante na coesão deste grupo de quatro velejadores amigos e da tripulação do barco de Norberto Diver que fez o apoio marítimo: o skipper Nuno Rosa, o marinheiro Fábio Leitão e o repórter de imagem João Silva.

No dia seguinte, com previsões de vento mínimo necessário para as pranchas de windsurf planarem, a expectativa e o entusiasmo eram enormes. Face à previsão favorável de vento Oeste, o grupo decidiu rumar à Graciosa, de onde, no dia seguinte alcançariam a ilha Terceira. A distância, cerca de 75 kms em linha reta, era alcançável em condições ideais. Se tudo corresse bem, quatro a cinco horas no mar seriam suficientes para a equipa chegar à mais isolada ilha do Grupo Central. Mas a meteorologia não é uma ciência exata e o vento Oeste afinal era de Sudoeste. A juntar a tudo isto, o vento tornou-se mais forte do que as velas escolhidas permitiam navegar. No mar, com a ondulação a dificultar o equilíbrio e o vento a obrigar a grandes velocidades por parte dos velejadores, a comunicação entre estes tornou-se especialmente difícil. Após algumas aproximações, e já a sentir desgaste físico, a equipa decidiu navegar para São Roque do Pico onde os velejadores puderam mudar de velas para tamanhos mais pequenos e mais adequados ao vento moderado que, entretanto, já soprava.

No caminho, Armindo Furtado chocou com uma tintureira desprevenida. A colisão com esta espécie de tubarão resultou numa queda imprevista e aparatosa mas sem mais efeitos. Aliás, Armindo Furtado é de Ponta Delgada e foi a sua vasta experiência no mar que lhe permitiu identificar o animal sem qualquer constrangimento. Não foi o único acontecimento desta travessia. Miguel Dória, numa subida para a prancha, pontapeou o fin e fez um corte no pé. Quando chegou a São Roque, foi suturado por Nuno Braz de Oliveira, dentista de profissão e especializado em cirurgias, num verdadeiro trabalho de equipa.
 
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Os 20 kms entre São Roque do Pico e as Velas em São Jorge, o percurso inverso do Triatlo do Peter Café Sport, foram percorridos ao final do dia em apenas uma hora com os quatro atletas a conseguirem manter-se mais próximos entre si, uma regra de segurança fundamental e previamente combinada entre todos. Esta proximidade entre windsurfistas em condições extremas, em que o próprio autocontrolo de velocidade e equilíbrio de cada um é difícil de alcançar, é um dos principais desafios duma aventura deste tipo. Quando, por exemplo, um velejador cai à água, os outros não conseguem simplesmente parar ou muitas vezes sequer abrandar. Quando aquele que cai, finalmente, consegue levantar-se e prosseguir a navegação, já os outros estão fora de vista o que, com o mar alterado, torna muito difícil qualquer eventual resgate. Esta condicionante obriga os restantes elementos do grupo a virarem e regressarem para junto daquele que caiu. Por sua vez, num efeito de bola de neve, estas viragens aumentam o risco de mais quedas. E o desgaste físico, associado muitas vezes à perda de temperatura corporal, aumenta a uma velocidade galopante.

À chegada ao porto das Velas, Filipe Palma caiu numa última viragem e sentiu os pés enrolados em filamentos que provocaram uma imensa sensação de ardor. Ao subir para a prancha e tentar livrar-se destes fios, ficou também com as mãos queimadas. Era uma caravela portuguesa, de muitas que tinham sido avistadas por todos durante o dia. O resultado foi uma ida de emergência ao Posto Médico das Velas e duas injeções.

À noite, a equipa reunida, já a recuperar as forças, analisou os eventos do dia, as previsões dos dias seguintes e decidiu o plano. A ondulação iria crescer, o vento rodar para Norte/Noroeste e, possivelmente, aumentar a sua intensidade. Bolinar com vento contra e fazer bordos para a Graciosa ficou fora de hipótese pelo que alcançar a ilha Terceira tornou-se no objetivo lógico.

O terceiro dia começou cedo com uma homenagem de toda a equipa a Pedro Conde, um assíduo participante no Triatlo do Peter Café Sport. Pedro Conde, professor de Educação Física e um atleta sempre bem preparado, era um exemplo vivo de voluntarismo, desportivismo e camaradagem. Morreu no ano passado vítima de uma leucemia. À saída do porto das Velas a equipa Connecting Açores – Dental Face lançou ao mar a coroa do vencedor da edição de 2012, Rui Câncio, em homenagem a Pedro Conde.

O percurso entre as Velas e o Topo, donde os velejadores iriam tentar a travessia até à Terceira, foi percorrido no “Gonçalo”, o barco de apoio de Norberto Diver. Perto do ilhéu do Topo as condições de mar estavam bastante agrestes. O vento soprava com bastante força e a ondulação tinha crescido em relação ao dia anterior. O mar estava “branco” de carneirinhos. Mas o vento soprava na direção “certa”, um través (90º) direito à Terceira. Os preparativos decorreram tranquilamente num pequeno porto muito abrigado. Às 14h15, com as velas híper afinadas, as mochilas abastecidas de bebidas energéticas e todos preparados para a mais difícil travessia, os velejadores lançaram-se ao desafio. O mote era “estarmos juntos” e assim decorreu esta última tirada da primeira fase do Connecting Açores – Dental Face. Foram quase três horas épicas até à ilha Terceira. Velejando em formação, mesmo muito próximos uns dos outros, os aventureiros tinham pelo meio massas de água imponentes. A navegação foi muito defensiva, as quedas foram evitadas a todo o custo. Pelo meio, golfinhos cruzaram-se com os velejadores e Nuno Braz de Oliveira, numa destas pequenas montanhas de água, viu a silhueta de um tubarão. A partir da ponta de Santa Bárbara no Oeste da ilha, já protegidos mas extenuados, os windsurfistas desfrutaram dos últimos momentos desta aventura de uma vida.

O Connecting Açores – Dental Face é um projeto que se desenrolará em várias fases, de dificuldade crescente. O objetivo é associar ao paraíso que são os Açores a superação de desafios e um estilo de vida saudável, neste caso materializado por uma paixão imensa que é fazer Windsurf.  
 

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sábado, 15 de maio de 2021 – 17:49:53

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