Paulo Gonçalves sagrou-se ontem campeão do mundo de Ralis TT, culminando esse memorável sucesso com o triunfo na última prova do Campeonato, o Rali de Marrocos.
Uma proeza histórica para o motociclismo nacional, interpretada pelo piloto de Esposende, detentor de uma carreira recheada de sucessos.
Aos 34 anos de idade, Paulo Gonçalves é o piloto com mais títulos nacionais alcançados no historial da FMP – nada menos de 24, repartidos pelo Motocross, Supercross, Enduro e TT.
A nível internacional, este título mundial passa a constituir a mais expressiva coroa de glória na carreira do piloto, também marcada por algumas lesões – nomeadamente no “Dakar” – que anteriormente o privaram de expressar em mais resultados de topo a sua valia competitiva.
Em Marrocos, Gonçalves e o seu rival, Marc Coma, terminaram a competição com o mesmo número de pontos brutos – 124 – mas o lusitano alcança o título face à regra de descontar o pior resultado da época.
Assim, teve de retirar apenas 13 pontos ao seu pecúlio, contra os 17 descontados por Coma.
Neste Rali de Marrocos, disputado em seis etapas, participaram 84 pilotos nas hostes motociclísticas, e Paulo Gonçalves esteve sempre em posição de destaque. Ganhou duas tiradas, a segunda e a quarta, que o catapultaram para a liderança da “geral” nesses dias.
No penúltimo dia foi apenas 5.º e baixou para 2.º da classificação absoluta, atrás do seu companheiro Joan Barreda, mas mantendo à rectaguarda Marc Coma.
Ontem, Gonçalves arrancou para a etapa final apenas com 14 segundos de vantagem sobre Coma. Embora apenas tenha sido 5.º classificado neste dia, controlou da melhor forma a situação, ganhando mais 3m30s ao piloto espanhol. Além disso, face ao tempo perdido por Barreda, obteve mesmo a vitória na prova, assegurando a conquista do título mundial.
“Hoje é um dia de grandes emoções, este foi um campeonato disputado até ao último minuto, “ declarou Gonçalves. “No final sagrei-me campeão do mundo e isso é fruto de um grande trabalho e empenho de toda uma equipa que trabalhou muito por este resultado! Obrigada a toda equipa HRC Speedbrain! O título é nosso!”
É a segunda vez que um piloto português se sagra campeão do mundo de Todo-Terreno, objectivo alcançado em 2011 por Hélder Rodrigues.
Este também alinhou na prova marroquina, mas foi tocado pelo azar. Logo na segunda etapa ficou parado a poucos quilómetros do final, a contas com problemas eléctricos, sendo rebocado por uma moto da organização.
Hélder Rodrigues continuou em acção, mas naturalmente muito atrasado por 9h40m de penalização. Nos dias seguintes esteve sempre entre os oito mais rápidos, culminando com o 2.º posto na derradeira etapa, mas concluiu a função num inexpressivo 32.º lugar.
Menos sorte ainda teve Ruben Faria, forçado a desistir após duas etapas, devido a problemas físicos, pois o algarvio ainda se ressente da lesão num pulso, fracturado no Rali dos Sertões, e nessas circunstâncias preferiu não forçar qualquer agravamento que ponha em causa a sua presença no próximo “Dakar”.
Classificação: 1.º Paulo Gonçalves (Honda) 17h08m59s; 2.º Marc Coma (KTM) a 3.44; 3.º Joan Barreda (Honda) a 7.39; 4.º Francisco Lopez (KTM) a 32.58; 5.º Sam Sunderland (Honda) a 45.57; 6.º Ben Grabham (KTM) a 55.08; … 32.º Hélder Rodrigues (Honda) a 9h56.49; etc.
Campeonato (pontos úteis): 1.º Paulo Gonçalves, 111; 2.º Marc Coma, 107; 3.º Jakub Przygonski, 55; 4.º Cyril Despres, 47; 5.º Francisco Lopez, 46; etc.