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Tocava violino, fazia ballet e praticou pólo aquático durante oito anos até decidir-se estudar engenharia civil em Coimbra. E só na noite do passado domingo, num restaurante de Rio Maior, é que Ana Filipa Santos, de 32 anos, se apercebeu que era a nova campeã nacional de triatlo.
A mais velha das atletas femininas do CD “Os Águias” de Alpiarça terminara, essa tarde, o Triatlo de Lisboa Teleperformance – Os Belenenses, terceira e última etapa do Nacional, na 5.ª posição. E as primeiras contas apontavam Liliana Alexandre, do Sporting, que fora 3.ª classificada, como campeã nacional 2013.
“A ficha só me caiu quando, à noite, me preparava para jantar com a minha equipa num restaurante de Rio Maior. Nem sei explicar o que senti”, comenta Ana Filipa, Pipa para os amigos.
“Claro que depois brindámos e festejámos.” Ana e Liliana estavam empatadas nos pontos obtidos nas três etapas do Nacional, mas a primeira ganhou uma das provas, a de Aveiro, e, por isso, sagrou-se campeã.
Mas voltemos ao percurso de vida de Ana Filipa Santos que, segundo a própria, entre risos,“dava um filme”. Terminada a licenciatura em engenharia civil, foi trabalhar para Lisboa e um colega de trabalho, sabendo que gostava de correr, desafiou-a a experimentar o triatlo. Isso foi em 2006.
“Treinava muito pouco, mas comecei a fazer provas”, recorda. Entretanto, emigrou com o namorado para a Bélgica e foi aí que começou a levar a modalidade mais a sério. “Arranjei um treinador belga e, num instante, estava a ganhar provas e a fazer pódios. Tinha uns 28 anos.”
Sérgio Santos, seu actual treinador, deu o empurrão que faltava para se decidir a deixar a engenharia civil para trás e apostar tudo na modalidade. “Se eu já ganhava provas a treinar pouco, como seria se me dedicasse a 100% ao triatlo”, interrogou-se na altura.
Os resultados começam a estar à vista. Ana, que já foi duas vezes campeã nacional de duatlo, investiu todas as suas poupanças na mudança para Rio Maior, onde vive e treina juntamente com os colegas do CD “Os Águias” de Alpiarça desde fevereiro deste ano. Ao mesmo tempo, está a estudar treino desportivo.
“Este ano queria ser campeã nacional e melhorar na natação. E, na verdade, consegui as duas coisas. Já tirei três minutos aos 1500 metros”, diz, orgulhosa. “Mas o meu projeto é para quatro anos e o objetivo é ir os Jogos Olímpicos de 2016.”
Fernando Feijão, presidente da FTP, já disse que a ideia da federação é levar ao Brasil três homens e uma mulher. Para Ana Filipa Santos, a estreante campeã nacional de triatlo, essa é a aposta da vida.