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Paulo Tenrinho, um dos rostos da secção de triatlo do Clube Desportivo (C.D.) “Os Águias” de Alpiarça, diz que“não existe um segredo para o sucesso.” “O que existe é uma grande dedicação de todos, técnicos e atletas”, afirma. O clube campeão nacional, em masculinos e femininos, é o primeiro a ser destacado na rubrica que criámos para dar a conhecer a história e o trabalho daqueles que estão na base do desenvolvimento da modalidade em Portugal.
Esta temporada – quando passam dez anos desde o início da prática da modalidade no clube, por iniciativa do antigo atleta e selecionador nacional, já falecido, Miguel Jourdan – o C.D. “Os Águias” de Alpiarça foi campeão nacional de clubes em masculinos e femininos, tendo para os homens sido o segundo título consecutivo.
Ana Filipa Santos, atleta da casa, foi campeã nacional individual, tendo o clube sido presença constante nos pódios das principais provas nacional, bem como nas convocatórias paras as seleções nacionais jovens e seniores.
Há 91 anos, o grupo de homens da terra que fundou o “Alpiarça Foot-Ball Clube os Águias”, a 1 de outubro de 1922, estava longe de imaginar que o triatlo – que ainda nem sequer tinha nascido, pelo menos com este nome – viria a ser a modalidade mais representativa do clube.
Basicamente os fundadores da coletividade só queriam jogar à bola. Ofutebol foi o desporto que mais mobilizou atletas e espetadores nos primeiros anos, mas o ciclismo é que lançou, pela primeira vez, “Os Águias” para a ribalta.
Na 1.ª Volta a Portugal em bicicleta, em 1927, o “Alpiarça Foot-Ball Clube os Águias” é representado por Manuel Simões de Oliveira Júnior na categoria de “fracos” e nas Olimpíadas de 1960 Francisco Valadas é o primeiro a levar o nome da localidade ribatejana até Roma.
Patinagem, hóquei em patins, karaté, ginástica, basquetebol, bilhar, xadrez, pesca desportiva, entre outras modalidades, foram fazendo a história do C.D. “Os Águias”, nome definitivamente adotado na década de 1960.
Quinze atletas de vários escalões etários, entre os quais Luísa Condeço e Miguel Arraiolos, participaram pela primeira vez em 2003 no circuito nacional de triatlo, dando início a um percurso de crescente sucesso do clube na modalidade.
Atualmente, “Os Águias” contam com 75 triatletas licenciados: 21 no circuito nacional jovem, 22 de nacionalidade portuguesa no grupo de competição, mais nove brasileiros, quatro espanhóis e um sul coreano, sendo os restantes dos escalões de age groups.
Após a morte de Miguel Jourdan, em abril de 2012, a secção de triatlo é reorganizada, tendo os seus dirigentes levado a cabo o que o, até então, líder do projeto já planeara: colocar um grupo restrito de triatletas a treinar no Centro de Alto Rendimento do Rio Maior.
“A integração dos atletas no CAR em Rio Maior permite-lhe estarem enquadrados com todas as condições necessárias ao treino para o Alto Rendimento, acompanhada de uma grande proximidade aos locais de ensino que os atletas frequentam”, refere Paulo Tenrinho sobre os dez atletas que treinam atualmente no CAR, sob a orientação técnica do seu diretor Sérgio Santos.
“É um treinador de nível mundial, com um curriculum impressionante, sendo inclusive um dos técnicos formadores da ITU. Os atletas confiam nele, podendo considerar-se um dos fatores de motivação para os excelentes resultados que surgiram”, analisou o seccionista de “Os Águias”, realçando ainda, entre os vários motivos para o sucesso, “os fortes laços de amizade e o espírito de grupo” existente entre os atletas do clube.
“A confiança e o respeito mútuos são a base do trabalho, bem como a grande capacidade de comunicação e informação. Além disso, o planeamento é realizado atempadamente e de acordo com as provas planificadas”, acrescentou.