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O mais jovem piloto do Campeonato de Portugal de Ralis teve uma estreia promissora ao volante do Skoda Fabia Rally2 evo, superando as difíceis condições do Rali Terras D’Aboboreira e acumulando quilómetros em competição, rumo ao 9.º lugar do CPR. Um desafio enorme para um jovem piloto vindo do karting e dos Rally4, mas que demonstrou a maturidade competitiva e o potencial de Diogo Marujo, navegado pelo experiente Jorge Carvalho e apoiado pela equipa Racing 4 You. Poucas horas após concluir a sua estreia com um Rally2, o piloto de Mafra falou de um momento inesquecível.

Questão: Para alguém com 19 anos e que vinha de um Rally4, suponho que o Rali Terras D’Aboboreira teve condições muito difíceis para uma estreia com o Rally2…
Diogo Marujo: Sim, foi um rali mesmo muito duro, logo desde os reconhecimentos, com muita chuva e lama, e depois condições de aderência completamente variáveis durante o rali, inclusive dentro do mesmo troço! De facto, era fácil errar nestas condições, sobretudo num carro onde tínhamos poucos quilómetros de testes e onde tudo se passa muito mais depressa!

Q: Ainda assim, não cometeste erros ao longo dos 114 quilómetros de especiais, foste evoluindo os teus tempos e cumpriste o grande objetivo que era terminar. Como foi esta experiência, ao nível da pilotagem de um Rally2 e ao nível da gestão das emoções, visto que és tão jovem?
DM: Em termos de pilotagem senti-me mesmo muito bem. Quando terminei a minha carreira no karting, as primeiras experiências que tive na terra foram com um 4x4 no todo-o-terreno. Isso deu-me algumas bases que agora foram muito úteis. O Rally4 é um carro completamente diferente em termos de pilotagem e adaptação não foi tão natural. Claro que essa experiência com o Peugeot foi muito importante para aprender o que é um carro de ralis, mas senti-me logo à vontade com o Rally2, muito mais do que com o Rally4. Chegar ao limite do carro já é algo diferente, isso só vem com os quilómetros e a experiência, mas o primeiro passo foi muito positivo.
Em termos de gestão das emoções, nunca é fácil controlar aquele nervoso miudinho antes de guiarmos um carro destes num troço de ralis. É uma adrenalina enorme e é isso que me apaixona neste desporto. Mas quer antes, quer durante o rali tive sempre o apoio do ‘Jet’ Carvalho, que é uma pessoa muito experiente e que sabe quando puxar por mim, para aumentar o ritmo, ou então dizer-me para acalmar. Isso foi fundamental para terminarmos este rali tão duro e imprevisível. A equipa Racing 4 You também tem sido espetacular e voltou a fazer um grande trabalho a resolver alguns problemas de travões que tivemos no carro na sexta-feira. O meu obrigado a todos eles e, sobretudo, ao meu pai, que me deu esta oportunidade.

Q: Segue-se outro desafio enorme, sobretudo pela extensão e dureza da prova, que é o Vodafone Rally de Portugal. Já fizeste o rali o ano passado de Rally4. Quais são as expectativas?
DM: Quero, acima de tudo, terminar o rali e evoluir. Nesta fase da minha carreira é muito importante acumular quilómetros em competição, aprender, descobrir o máximo sobre o carro e cada prova. O Rali de Portugal é especial por vários motivos, desde logo pela quantidade de gente que temos nos troços, pelo apoio fantástico que sentimos desde a cerimónia de partida até ao pódio final, em Matosinhos. A experiência que tive o ano passado é algo que nunca vou esquecer. Mas estou focado em evoluir troço a troço, rali a rali. Este ano é esse o plano para o restante calendário do CPR.

Q: Sentes que o público apoia ainda com mais entusiasmo jovens pilotos como tu, ou seja, que os adeptos em Portugal procuram as próximas estrelas deste desporto?
DM: Tenho sentido bastante apoio em todos os ralis, nas sessões de autógrafos, nos parques de assistência, nas classificativas… Os ralis são um desporto fantástico a esse nível, é a modalidade mais popular do automobilismo. Para um jovem de 19 anos, como eu, é um privilégio estar aqui e agradeço a cada uma das pessoas que encontrei nas provas e vieram falar comigo. Isso é muito importante para nos dar motivação, porque este não é um meio fácil. É tudo muito competitivo, intenso e exigente, mas com o apoio do público torna-se mais fácil.
