Nacionais de Clubes: Federação Portuguesa de Atletismo estreia amanhã modelo competitivo inovador

 

Costuma dizer-se que “a necessidade aguça o engenho”. No caso do atletismo, a necessidade de competir em contexto de pandemia fez a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) unir a comunidade – atletas, treinadores, clubes e Associações Regionais – na definição e implementação de um modelo competitivo inovador. A estreia está marcada para este sábado, 25 de julho, na fase de apuramento dos Campeonatos Nacionais de Clubes, que acontece em sete locais em simultâneo: Braga (Guimarães), Leiria (Marinha Grande), Lisboa (EUL), Algarve (Faro), São Miguel (Ponta Delgada – Laranjeiras), Madeira (Ribeira Brava + RG3) e Aveiro (Vagos).

 

“A essência do nosso desporto assenta em dois pilares fundamentais e inseparáveis: o treino que prepara os atletas e a atividade competitiva, na qual se demonstra quer o talento, quer a qualidade do processo de preparação desportiva. Estas duas variáveis foram profundamente afetadas pela pandemia COVID-19, com a qual ainda nos digladiamos, numa luta desigual, num tempo de incertezas. Foi neste contexto que a FPA chamou a comunidade do atletismo, contribuindo para a sua união em torno de uma necessidade comum: o regresso aos treinos, numa primeira fase, e, mais tarde, à competição. Foram muitas horas de trabalho, que implicou a análise de muitas recomendações e orientações das entidades sanitárias e desportivas nacionais e internacionais; e, posteriormente, a capacidade de as adaptar à nossa realidade, reinventando-a. Hoje temos com o contributo de todos, sem exceção – atletas, treinadores, clubes e Associações Regionais – um documento orientador da Retorno à Competição, que serviu de base aos modelos competitivos organizados pela Federação Portuguesa de Atletismo, enquanto a situação de pandemia assim o ditar. E é nestes moldes que avançamos para a primeira dessas competições, que é o apuramento para os Campeonatos Nacionais de Clubes, com um número de equipas e atletas inscritos surpreendente e desafiante”, enquadra Jorge Vieira, presidente da FPA.

 

No próximo sábado, entram em pista mais de 1000 atletas de 61 equipas, com o desafio acrescido, em termos organizativos, de a competição se desenrolar em sete pistas em todo o país, incluindo nos Açores e na Madeira. “No sentido de promover a segurança preconizada nas normas da Direção Geral da Saúde [DGS] e do Instituto Português do Desporto e Juventude [IPDJ] para a utilização de recintos desportivos e para a realização da prática desportiva, a FPA decidiu realizar as suas competições em diferentes locais em simultâneo, no sentido de evitar a necessidade de grandes deslocações ou de pernoite dos participantes e elementos da organização e ajuizamento”, nota o presidente da FPA. E acrescenta: “No caso concreto da fase de apuramento para os Campeonatos Nacionais de Clubes, temos o desafio acrescido de, face ao número de equipas inscritas – o dobro (61) do que esperávamos (16 de cada género) –, estender a competição a mais locais do que os inicialmente previstos. Implementar este modelo inovador sufragado por todos os elementos da nossa comunidade atlética, só é possível devido ao comprometimento e empenho de todos no sucesso da modalidade.”

 

O modelo competitivo na prática

 

Depois de encontrado o modelo ideal para todos, foi preciso implementá-lo no terreno. Mais uma vez, a comunidade uniu-se para responder aos desafios, criando-se uma estrutura diferente da habitual. José Paulo Moreira, delegado técnico da FPA que costumava estar afeto ao local da competição, assume a coordenação da informação proveniente dos setes delegados técnicos que vão estar, cada um, nos sete locais onde irão decorrer as provas juntamente com os elementos das Associações Regionais de Atletismo correspondentes. “No fundo, é preciso organizar a informação proveniente das inscrições e confirmações dos clubes, de modo a que, por um lado, as listas de partida cumpram as regras definidas no regulamento da competição, que segue as recomendações da DGS e do IPDJ.

 

Por exemplo, é preciso garantir que há sempre um corredor de intervalo entre os atletas em prova e evitar as ultrapassagens nas provas acima de 1500 metros, que vão funcionar em formato contrarrelógio. Para isso, temos de saber as marcas dos atletas. Por outro lado, temos também de garantir que as alterações que se verificarem necessárias a essas listas não comprometem o cumprimento das normas, nem o funcionamento da apresentação dos resultados em tempo real. Assim, entre as diferentes regras que se criaram para este modelo, importa sublinhar a decisão de ser apenas uma pessoa a centralizar toda a informação proveniente dos vários locais e a transmiti-la à plataforma que irá divulgar os resultados em tempo real; além de as confirmações na plataforma terem de acontecer até 1h30 antes da prova; e de só podermos aceitar alterações até 45 minutos antes da hora de início da prova”, explica José Paulo Moreira.

 

A plataforma na qual vai ser possível aceder aos resultados em tempo real é outra das novidades deste novo formato competitivo. A FPA estabeleceu uma parceria com https://www.portugalathleticsresults.pt/, que é “uma plataforma que está em utilização há uma época no nosso país e que aceitou o desafio de replicar o trabalho que costuma fazer num local para sete localizações distintas”, como sublinha Ângelo Pacheco, da equipa que criou e que gere esta ferramenta. Sobre o seu funcionamento, este responsável adianta: “A plataforma permite inscrições e confirmações online, sendo que depois gera as listas de partida e disponibiliza ficheiros para os concursos – saltos e lançamentos – e para as corridas. Os resultados são apresentados imediatamente após o carregamento dos ficheiros.”

 

Sobre a competição do próximo dia 25 de julho, Ângelo Pacheco reconhece que “o desafio reside no facto de ser necessário replicar este modelo em sete locais distintos, com uma equipa com métodos de trabalho diferentes em cada local, acrescendo a necessidade de gerar a integração de resultados das várias pistas também em tempo real”. “Se pensarmos que, no caso desta competição, há atletas de uma equipa que compete, por exemplo, em Lisboa, mas que um dos seus elementos está a residir em Aveiro e que, por isso, vai competir neste último local, quando fazemos a integração temos de garantir que o resultado do atleta que competiu em Aveiro é contabilizado no resultado da sua equipa que competiu em Lisboa”, ilustra.

 

Apesar da exigência organizativa deste modelo, todos os intervenientes neste processo acreditam no seu sucesso. Em primeiro lugar, “porque esta é uma plataforma com provas dadas localmente e a ser testada já nos vários locais nos quais as provas vão decorrer e pelas pessoas que vão lá estar no dia da competição”, atesta Ângelo Pacheco. Depois, “porque têm sido organizadas reuniões, através de plataformas digitais, para o esclarecimento de dúvidas de todos os envolvidos na implementação deste modelo”, assegura, por seu turno, José Paulo Moreira.

 

Toda a documentação referente aos campeonatos – regulamento, programa-horário provisório e termo de responsabilidade – pode ser consultada aqui.

 

 

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