Inauguração da exposição "Ora, Faço Gravuras...", de Luís Afonso

 
Museu Bordalo Pinheiro inaugura exposição
 
ORA, FAÇO GRAVURAS.., de Luís Afonso, com cartoons dedicados aos museus, ao património e à cultura
    
O Museu Bordalo Pinheiro inaugura esta quinta-feira, dia 19 de outubro, pelas 18h00, a exposição ORA, FAÇO GRAVURAS,,,, de Luís Afonso. 
 
O cartoonista português, conhecido autor de Bartoon (Público) e de Barba e Cabelo (A Bola), traz até ao museu um conjunto de cartoons, publicados ao longo das últimas décadas, dedicados aos museus, ao património e à cultura.  
 
Com este tema, nada melhor para inaugurar a exposição do que uma conversa (19 outubro, 18h30) entre Luís Afonso e dois dos seus amigos que dirigem grandes instituições culturais: Joaquim Caetano (Museu Nacional de Arte Antiga) e Santiago Macias (Panteão Nacional).
 
Da folha de sala:
Luís Afonso dedica-se a comentar em cartoons diários a atualidade nacional e internacional desde que, em 25 de Abril de 1993, há 30 anos, substituiu no jornal Público outro grande cartoonista português, Sam.
 
Não receia trabalhar lado a lado com as notícias que comenta, por vezes na mesma página, alertando o leitor para o absurdo quotidiano.
 
Como observa, “no que me diz respeito, o que faço é pegar em todas as situações absurdas, pondo em evidência as contradições que lhe estão associadas”, ou seja, desconstruindo para expor o ridículo e usando o humor como agitador das consciências.
 
A receita é simples, mas atenção: requer muito talento, atingir esta “simplicidade eficaz”.
 
Nas tiras a que chamou Bartoon, Luís Afonso criou um cenário bem conhecido do público, composto por um balcão de bar onde se sentam os protagonistas do momento, à conversa com o barman. Estes protagonistas nunca são pessoas em concreto, mas figuras-tipo: o indigente, o jovem, o operário, o soldado americano, o tipo do FMI, o repórter, a rapariga dos peditórios ou o político nabo. Nestas conversas, o barman, com um misto de inteligência e senso comum temperado por muito humor, desvenda o que está para além da pequena notícia.
 
É assim que o barman, figura invisível do nosso dia a dia, se transforma na personagem principal, a que nos oferece um espelho onde se reflete a realidade sem máscaras, como se de um Zé Povinho bordaliano se tratasse.
 
A política nacional e internacional, ou a economia, são os tópicos orientadores das conversas ao balcão. No entanto, Luís Afonso esteve atento aos momentos em que a cultura e o património foram o “assunto do momento” e trouxe o tema para dentro do seu bar.
 
Nesta exposição homenageamos as “tiras culturais” – sucedendo a mostra que o Museu de Évora dedicou ao autor em 2009, com o título “Por mim fazia-se ali um Museu”. Acreditamos que, apesar de datadas em relação aos acontecimentos que comentam, a crítica que encerram mantém-se viva e atual, continuando a provocar um misto de riso e estupefação generalizados.
 
Luís Afonso nasceu em Aljustrel em 1965 e vive em Serpa. Com formação académica em Geografia, foi professor da disciplina e trabalhou em projectos de desenvolvimento até 1995. A partir desse ano dedicou-se exclusivamente aos cartoons, actividade que havia iniciado 10 anos antes. Tem rubricas diárias no Público (Bartoon), A Bola (Barba e Cabelo), Jornal de Negócios (SA) e RTP (A Mosca). É autor de nove livros de cartoons, oito como autor integral e outro como argumentista. Em 2012 estreou-se na ficção com O Comboio das Cinco, a que se seguiu O Quadro da Mulher Sentada a Olhar Para o Ar Com Cara de Parva e outras histórias (2016) e A Morte de A a Z (2022), editados pela Abysmo, e O Chef (2022), editado pela Relógio D’Água. É também autor de uma curta-metragem, Everestalefe (2019).
 

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