nº 36 – Largada Lisboa – Cidade do Cabo

 

A frota de veleiros da Volvo Ocean Race esteve em Lisboa num Stopover (paragem) de 9 dias.

 

Chegados a 28 de Outubro, e com a largada para a Cidade do Cabo a 5 de Novembro, com uma Village aberta ao público de 31 de Outubro até à despedida dos veleiros e tripulações, houve sempre muita atividade.

 

As equipas estiveram com os seus veleiros no cais até ao dia 1 de Novembro, quando saíram todos para o rio Tejo para treinos. No dia seguinte decorreu a Pro-Am de Volvo Ocean 65 (veleiros oceânicos), um conjunto de três regatas em que a tripulação é reduzida, e tem cerca de 10 convidados a bordo, a desempenhar as tarefas da tripulação como sendo uma In-Port Race (uma regata dentro do porto), na qual também participámos.

 

Dia 3 de Novembro, os velejadores mostraram a um público que rapidamente encheu as bancadas, a sua destreza na regata In-Port. A chuva intensa não afetou o desempenho dos velejadores que continuaram a dar o seu máximo, tendo ficado em primeiro lugar a equipa espanhola MAPFRE, seguida pelo Team Brunel e Dongfeng Race Team.

 

A 4 de Novembro, decorre algo que até esta edição era inédito, a Pro-Am com um catamarã de 32 pés (aprox. 10,5m) com o peso de 510Kg, o M32 com as cores das sete equipas, a fazer três regatas em cada fase, num total de seis regatas em duas fases. O veleiro tem um bom desempenho, e deu uma experiência diferente aos tripulantes e convidados a bordo em termos de prática de vela. Estes veleiros estiveram no rio Tejo nos dias anteriores em eventos corporativos, a proporcionar uma experiência de vela única.

 

5 de Novembro, foi um dia especial para todos. As tripulações disseram “até já” às suas famílias e tripulação de terra, os veleiros largaram em competição de Algés passando pela Praça do Comércio, retornando ao ponto inicial, com um vento de 15 a 20 nós com o rio bastante ondulado, tudo propício para uma boa prova de vela, e seguiram para percorrer as 7.000 milhas náuticas (cerca de 12,600Km) da Leg 2. Os visitantes puderam acompanhar tudo isto na Village em bancadas montadas especialmente para assistir ao vivo, ecrãs ao longo do recinto, nos exteriores, em casa e por outros meios disponíveis para ter uma boa visibilidade da prova.

 

Temos três portugueses a participar, o António Fontes da equipa de Hong Kong Scallywag, o Bernardo Freitas e o Frederico Melo a bordo do veleiro com bandeira portuguesa e das Nações Unidas “Turn the tide on plastic” que vão alternando entre si o lugar na tripulação entre Leg’s. De Alicante para Lisboa foi tripulante o Bernardo Freitas, e agora entre Lisboa e Cidade do Cabo está a bordo o Frederico Melo.

 

Nestes dias e em paralelo houve regatas de equipas de Optimists, ou seja crianças que estão na classe de iniciação à vela, tiveram um acompanhamento de regatas em equipas na doca de Algés, na Youth Academy. Estas crianças, têm o potencial para ser futuros velejadores de topo, estão aqui para recolher aprendizagem e praticar vela de uma forma diferente.

 

Para viver um pouco da história da  Volvo Ocean Race, estiveram presentes três veleiros de edições mais antigas, um deles foi mesmo das primeiras, o mítico “Flyer” que venceu a 2ª e 3ª Edição (1977-78 e 1981-82), sendo os dois restantes mais recentes, um da edição 2001-02 e outro de 2008-09.

 

A sustentabilidade na paragem em Lisboa foi uma ambição. Aqui conseguiram a certificação de “Nível de Ouro” pelaSailors for the Sea Portugal. Um nível bastante exigente e foi conseguido devido às práticas tomadas para que os visitantes e as operações decorressem com os requisitos para o atingir.

 

As visitas das escolas, os workshops e uma Village com atividades direcionadas para as crianças e adultos tornou estes dias uma festa para toda a família.

 

Isso ficou provado no último dia, em que mesmo após os veleiros terem passado a linha de largada, e tendo decorrido algum tempo, o público que tinha estado nas bancadas ou mesmo a assistir à prova através do recinto, não foi embora, mas sim aproveitou para disfrutar do espaço e das atrações do evento.

 

Lisboa esteve ao mais alto nível para receber a regata oceânica que ainda se encontra praticamente no início. Agora ainda temos oito meses para fazer a volta ao mundo e paragem em mais dez cidades antes de terminar no fim de Junho do próximo ano em Haia na Holanda.

 

Os velejadores que estão a caminho da Cidade do Cabo, no fecho desta reportagem já passaram a Oeste da Ilha da Madeira (já tinham passado perto de Porto Santo na Leg anterior), uma visita dupla para a Região. As tripulações vão estar aproximadamente entre 20 a 22 dias no mar, até dobrar o Cabo que os portugueses mudaram o nome de Tormentas para Boa Esperança.

 

Para ver a reportagem fotográfica do Portal AMMA ao longo dos dias do evento pode fazê-lo na secção de “Fotorreportagens”.

 

Até breve.

 

Texto: Vera Brás

 

 

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