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nº 31 – Volvo Ocean Race - Visita ao Boatyard e ao Dong Feng

 

Cantinho da Vela nº 31 – Volvo Ocean Race - Visita ao Boatyard e ao Dong Feng

 

O Boatyard é o estaleiro oficial da Volvo Ocean Race que está instalado na Doca de Algés, antiga Docapesca. É neste local que todos os veleiros que vão competir na edição 2017-18 da regata oceânica são modernizados e intervencionados quase de raiz.

 

O conceito Boatyard surgiu na edição passada da mítica prova de vela, pois a organização optou por ter os veleiros todos iguais fornecidos pela organização, em que não há personalizações ao equipamento. Ou seja são todos exactamente iguais, e com o pressuposto de servirem no mínimo duas edições da prova. Após essa decisão sobre os veleiros, surge o Boatyard que tem uma equipa de terra que presta serviços partilhados a todas as equipas participantes na manutenção dos veleiros, em que as peças são todas iguais e o nível de competências de reparação e manutenção é igual para todos os barcos. Com este novo conceito cada equipa tem uma poupança muito significativa em número de técnicos, uma redução de cerca de quatro ou cinco elementos por equipa.

 

Terminada a edição 2014-15, a direcção da Volvo Ocean Race, iniciou um estudo para criar num local estratégico e com muito espaço para o Boatyard fazer a actualização dos veleiros para a nova edição da prova. Na sede em Alicante era impossível de o fazer derivado a não ter o espaço requerido. Rodrigo Moreira Rato e Renato Conde conseguem convencer a mesma direcção que o melhor local para instalar o Boatyard é onde ele está neste momento, em Lisboa.

 

Inicialmente estava previsto ser montado em duas ou três grandes tendas, mas depressa se constatou que três dos edifícios da antiga Docapesca que estavam abandonados seria o local ideal para realizar os trabalhos que neste momento decorrem.

 

Para Rodrigo Moreira Rato, se tivessem que construir algo de raiz, não seria muito diferente do que existe agora.

 

Em termos de funcionários a tempo inteiro do Boatyard estão a trabalhar cerca de 50 pessoas, em alturas que estão presentes as equipas acresce aproximadamente mais 20 elementos.

 

As equipas também têm algum trabalho em conjunto com os elementos do Boatyard.

 

Em média a actualização de cada veleiro demora 15 a 16 semanas, estando o tempo dividido pelas cinco estações por onde passa ficando cerca três semanas em cada uma:

 

                0) O barco chega ao cais, é elevado para um berço alto (suporte para o veleiro em altura) e é retirado o equipamento pela sua equipa. Após retirar a quilha passa para um berço baixo com rodas e entra na primeira estação.

                1) O barco fica somente em carcaça e com as partes que não são removíveis. As peças são inventariadas e guardadas. O casco passa por uma fase de ultrassons para detectar possíveis fissuras e outros problemas que possam ser detectados por esta via. O deck e o casco são lixados mecanicamente.

                2) Começa a lixagem manual abaixo da linha de água, leva um primário, é novamente lixado e aplicada a segunda demão.

                3) É feita a montagem dos componentes de electrónica, mecânica… cerca de 500 peças.

                4) Passa para a estufa de pintura para sair de lá com a pintura final da equipa.

                5) É colocado num berço alto e nesta fase é montada a quilha, mastro, rigging, lemes, telecomunicações…

 

Na última semana a equipa, em conjunto com membros do Boatyard, fazem testes de mar com o barco.

 

Esta actualização está avaliada em cerca de 1M€, à volta de 5500 a 6000 horas de trabalho/homem. É um upgrade geral, embora algumas coisas se mantenham.

 

A estimativa inicial de impacto económico directo para Portugal era de 1,5M€ entre Setembro de 2016 e Junho de 2017, mas neste momento já foi largamente ultrapassado.

 

O primeiro veleiro está entregue à sua equipa, foi há um mês o Dong Feng da equipa chinesa. O segundo é entregue à equipa espanhola MAFRE a 1 de Março. Neste momento estão quatro equipas inscritas (deverão surgir mais), e cinco veleiros a ser actualizados.

 

A equipa do Dong Feng esteve a testar e treinar em águas portuguesas durante o mês de Fevereiro, estando agora de partida para Lourient, França onde está sediada a equipa.

 

Na nossa visita ao Boatyard  foi sempre guiada por Rodrigo Moreira Rato que aproveitou também para nos levar a visitar o Dong Feng que estava na doca em preparativos para a largada.

 

Tivemos oportunidade de falar um pouco com o seu “Boat Captain” Graham “Gringo” Tourell, em que para ele o barco não é mais rápido pelo facto de ter feito a actualização, contudo está muito mais consistente, dá mais confiança para fazer maiores períodos de navegação com mais segurança.

 

Em termos de ambição para a temporada que se segue é ganhar a prova, tanto para a equipa como para os patrocinadores.

 

Falando um pouco sobre o factor humano na equipa, Graham Tourell refere que a parte nutricional é um desafio, tendo em conta que a alimentação é um misto de alimentos típicos chineses e ocidentais, em que em cada stopover têm um chef que se encarrega da alimentação da equipa para obter o equilíbrio nutricional. Além da alimentação a equipa tem Personal Trainer, Fisiatra, Psicólogo e um Sailing Coach (treinador de vela).

 

Quanto à composição da equipa basicamente são os mesmos membros, embora haja uma ou outra alteração como ocorre naturalmente nestas situações.

 

A importância de Portugal para este primeiro mês de treinos, foi a proximidade do Boatyard para alguma eventual intervenção que tivesse que ser feita, agora seguem os treinos em França.

 

A visita ao Boatyard está ilustrada através das fotos que pode ver clicando na imagem abaixo, e que cada peça, cabo, instrumento ou ferramenta que à partida no nosso dia-a-dia possa parecer habitual, neste caso não é. Eles estão a lidar com tecnologia de ponta e de grande complexidade, pois estes veleiros são preparados para enfrentar condições extremamente adversas de mar, ventos fortes, fenómenos meteorológicos rigorosos em que nada pode falhar. Todos os técnicos que estão aqui a trabalhar são altamente especializados, assim como todo equipamento com o qual os veleiros são entregues, é de ponta. O grau de exigência e coordenação das equipas que vimos a trabalhar é notável.

 

Uma das que mais impressionou foi na segunda estação, a lixar manualmente o veleiro que lá estava, com duas equipas de três elementos cada, a trabalhar com movimentos previamente acordados e coordenados, para que o resultado final seja o desejado.

 

A fotorreportagem está ilustrada com a sequência:

 

Visita ao Dong Feng, doca onde são recebidos os veleiros, secção das velas, primeira estação, segunda estação, terceira estação e secção dos mastros, e quinta estação.

 

Texto e Fotos: Pedro MF Mestre

 

 

clique na foto para visualizar a fotorreportagem completa

 


 

sábado, 19 de agosto de 2017 – 12:50:36

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