Portugal faz as melhores Olimpíadas em 30 anos

 

A seleção de xadrez absoluta de Portugal terminou as Olimpíadas da modalidade (equivalentes a um Campeonato do Mundo) na 41.ª posição, a melhor classificação em 30 anos, após o histórico 17.º lugar em Dubai 1986.


Apesar de ter sido derrotada na 11.ª e derradeira jornada da prova, que decorreu no Crystal Hall de Baku (Azerbaijão), a equipa portuguesa segurou um lugar muito honroso, entre as 180 seleções participantes, superando muitas potências da modalidade.


O título e respetiva medalha de ouro sorriu aos Estados Unidos, que terminaram em igualdade pontual com a Ucrânia, mas beneficiaram de um melhor desempate.

 


Portugal jogava a história na 11.ª jornada, frente à poderosa Letónia, mas perdeu, por claros 3,5-0,5. Liderados pelo histórico Alexei Shirov – que bateu Jorge Ferreira na primeira mesa – os letões impuseram a lei do mais forte. Valeu a Portugal o empate de António Fernandes na terceira mesa. O experiente grande mestre luso fechou assim uma participação de alto nível (seis vitórias e três empates) e esteve perto de obter uma medalha parcial.


A equipa portuguesa, que era a número 60 à partida, concluiu a prova com 13 pontos (26,5 contados nos tabuleiros), os mesmos do 35.º classificado, a Moldávia.
Equipa feminina em 61.º


Na Olimpíada feminina, Portugal também terminou bem acima do número de partida. Era a 68.ª seleção entre as 140 participantes e cumpriu a prova em 61.º, com 11 pontos (23 contados nos tabuleiros).

 


Na 11.ª jornada, as rainhas portuguesas jogaram com uma seleção mais cotada, a Suíça, e não conseguiram evitar a derrota, embora pela diferença mínima (2,5-1,5).


Os pontos portugueses vieram da excelente vitória de Ana Baptista no primeiro tabuleiro e do empate de Margarida Coimbra no segundo.


Da participação desta seleção em Baku fica o título de Mestre FIDE Feminina conquistado por Rita Jorge na penúltima ronda. Mariana Silva também teve a possibilidade de o conquistar, mas precisava de ganhar a última partida, na qual arriscou tudo, mas sairia derrotada.


O título feminino em Baku sorriu à equipa chinesa, com larga margem sobre as outras medalhadas, Polónia e Ucrânia.


Árbitro português em destaque

 


Nem só as duas seleções portuguesas em Baku deram boa conta de si. O árbitro internacional Carlos Dias mereceu a confiança máxima dos responsáveis da FIDE (Federação Internacional de Xadrez) e teve a honra de dirigir o encontro na primeira mesa, entre os Estados Unidos e o Canadá. E fê-lo sem problemas, com toda a tranquilidade.


11.ª Jornada – Resultados de Portugal:


Absoluto – Mesa 16, Portugal-Letónia, 0.5-3,5:
Jorge Ferreira (MI, 2511)-Alexei Shirov (GM, 2673), 0-1.
Igor Kovalenko (GM, 2621)-Rui Dâmaso (MI, 2444), 1-0.
António Fernandes (GM, 2413)-Nikita Meskovs (MI, 2476), empate.
Vladimir Sveshnikov (MI, 2404)-André Ventura Sousa (MF, 2379), 1-0.


Feminino – Mesa, 27, Suíça-Portugal, 1,5-2,5:
Monika Mueller-Seps (GMF, 2276)-Ana Baptista (MFF, 2125), 0-1.
Margarida Coimbra (MFF, 2078)-Gundula Heinatz (MIF, 2205), empate.
Lena Georgescu (MFF, 2164)-Mariana Silva (1789), 1-0.
Ana Inês Silva (1855)-Camille De Seroux (MFF, 2101), 0-1.


Outros resultados – Absoluto: Estados Unidos-Canadá, 2,5-1,5; Ucrânia-Eslovénia, 3,5-0,5; Rússia-Itália, 3-1; Índia-Noruega, 2-2; Peru-Inglaterra, 2-2. Feminino: China-Rússia, 2,5-1,5; Hungria-Polónia, 0,5-3,5; Ucrânia-Bulgária, 3-1; Estados Unidos-Índia, 2-2.


Classificações finais
Absoluto: 1.º Estados Unidos, 20 pontos; 2.º Ucrânia, 20; 3.º Rússia, 18; 4.º Índia, 16; 5.º Noruega, 16; 6.º Turquia, 16; 7.º Polónia, 16; 8.º França, 16; 9.º Inglaterra, 16; 10.º Peru, 16;… 41.º Portugal, 13.
Feminino: 1.º China, 20 pontos; 2.º Polónia, 17; 3.º Ucrânia, 17; 4.º Rússia, 16; 5.º Índia, 16; 6.º Estados Unidos, 16; 7.º Vietname, 16; 8.º Azerbaijão, 16; 9.º Israel, 16; 10.º Geórgia, 15;… 61.º Portugal, 11.


Portugueses um a um


Seleção absoluta:
Jorge Ferreira (MI, 2511) – 5 pontos em 10 jogos (+2,3 pontos Elo)
Luís Galego (GM, 2458) – 6/9 (+10,3)
Rui Dâmaso (MI, 2444) – 3,5/8 (-7,2)
António Fernandes (GM, 2413) – 7,5/9 (+25,9)
André Ventura Sousa (MF, 2379) – 4,5/8 (+1,1)


Seleção feminina:
Ana Baptista (MFF, 2125) – 3,5/8 (+11,8)
Margarida Coimbra (MFF, 2078) - 5/0 (-5,4)
Mariana Silva (1789) – 5/9 (+112)
Rita Jorge (1791) – 6,5/9 (+131,6 e título de Mestre FIDE Feminina)
Ana Inês Silva (1855) – 3/8 (-64).

 

 

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