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018 - Artigo

O fardo que a nossa sociedade carrega derivado ao aumento da obesidade e das doenças crónicas associadas é enorme. Nos últimos dez anos os níveis de obesidade aumentaram bastante, chegando a aumentar 60% na população adulta. Desde a década de 80 que esses aumentos se verificaram em crianças e adolescentes, tendo aumentado para o dobro no primeiro grupo e triplicado no segundo. Este é um problema das sociedades modernas, onde tudo está facilitado e comer não escapa a essa regra. Nos EUA, por exemplo 25% da população adulta é obesa. É considerada uma verdadeira epidemia neste país e já foi considerada mundialmente como a epidemia do século XXI.
 
Paralelamente ao aumento da obesidade constatamos o crescimento de doenças associadas, como a Diabetes tipo 2, que até há poucos anos se verificava principalmente em idosos e que agora, alarmantemente, começa a aparecer em jovens e crianças. A obesidade é também um importante factor para o aparecimento de doenças cardiovasculares, arterites e alguns tipos de cancro. Alguns estudos sugerem que a obesidade e as doenças associadas são responsáveis por 300.000 mortes anuais, ficando apenas atrás das mortes relacionadas com o tabaco.
 
Uma coisa parece ser certa, uma criança ou um jovem com excesso de peso ou até mesmo obesidade tem fortes probabilidades de vir a ser um adulto obeso. Outros estudos apontam uma tendência natural de adultos obesos se relacionarem entre si, transmitindo à sua descendência uma herança genética eventualmente incontornável.
 
O facto é que a evolução forneceu ao Homem a capacidade de poder acumular energia sobre a forma de gordura, pois as privações alimentares eram muito comuns no tempo dos nossos antepassados primitivos. Verificou-se uma evolução tecnológica muito rápida, e em poucos séculos o ser humano alterou completamente os seus hábitos, nomeadamente os alimentares. Acontece que a rapidez com que essas transformações ocorreram suplantaram em muito a capacidade de adaptação da espécie humana. Essas evoluções demoram milhares de anos a acontecer, por isso o nosso organismo ainda está programado para fazer face às privações dos nossos antepassados primitivos, que comiam o que caçavam e o que a terra lhe proporcionava e faziam bastante actividade física espontânea no desenvolvimento dessas tarefas. Havia necessidade de acumular energia pois nem sempre os alimentos abundavam e os períodos de privação podiam ser longos. Hoje em dia a maioria das pessoas come regularmente, mais do que devia até, mas o nosso organismo continua programado para acumular reservas para possíveis períodos de escassez.
 
A rapidez com que a obesidade cresceu pode ser explicada de forma simples pelas alterações no equilíbrio entre o consumo e o desgaste calórico. Por exemplo, hoje em dia são poucas as crianças que se deslocam a pé para a escola. Empregos exigentes e horários familiares muito restritivos deixam pouco lugar à actividade física. O aumento das horas dedicadas a ver televisão, a navegar na net, a jogar computador tiraram aos nossos jovens a capacidade de se divertirem com actividades físicas espontâneas como jogar à bola, às escondidas ou à apanhada. Parece que efectivamente estamos a tomar um rumo muito pouco saudável e a esquecer que o corpo humano foi feito para se mexer não para estar parado.
 
Começam a surgir algumas estratégias de promoção da actividade física que pretendem inverter a situação actual. A construção ou a melhoria de instalações desportivas, que permitam o acesso à actividade física parece ser boa forma de estimular a prática de desportiva. O exercício físico na escola é também fundamental de forma a educar os jovens para a necessidade de se ser fisicamente activo. A implementação de espaços urbanos dedicados ao exercício, como as ciclo vias ou os circuitos de manutenção, tem tido bastante sucesso nalgumas cidades, quando disponibilizados em locais estratégicos.
 
Uma coisa é certa, os benefícios do exercício físico regular são incontornáveis, seja este feito na rua, em pavilhões ou ginásios.
 
Os filhos, normalmente, copiam os comportamentos dos progenitores. Isto coloca os pais numa posição responsabilidade e obrigatoriedade de transmitir hábitos de vida saudável aos seus filhos, ainda que, conscientemente, não os tenham. Pense nisto! Veja bem a herança que está a deixar aos seus filhos!
 
Consciencialize-se de uma coisa, ser activo é um compromisso para com o seu corpo, a sua saúde e para toda a vida. Não pode ser uma atitude efémera imposta pela estação do ano ou pelos estereótipos de beleza.
 
Comece hoje mesmo a ser fisicamente activo para o resto da sua vida…por si e pelos seus! 

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domingo, 22 de setembro de 2019 – 16:41:20

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