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Inglório...

Nem sei a quantidade de adjectivos que me passaram pela cabeça, para tentar qualificar o que se passou comigo, sábado passado, no mapa da Coelheira em S. Pedro do Sul. Aconteceram uma quantidade de situações, que só por mero acaso poderiam resultar num final feliz. E essa pontinha de sorte não se verificou.

O curioso é que tudo se despoletou umas semanas antes. Precisamente, quando o Ori Estarreja, optou por trocar o local da prova, das dunas de Cantanhede, para a serra da Coelheira e Campo de Anta. Estes eram locais do POM2007, que não me tinham deixado grandes recordações. Por esse facto, hesitei bastante em me inscrever. Mas, como sempre, o “bichinho” atacou e arranjei umas quantas razões, para dar a volta à minha mulher (e a mim próprio), no sentido de estarmos presentes em mais uma jornada. Ia tentar vingar-me da deficiente prestação que tive no POM. Como a prova era em Junho, o bom tempo desta feita iria dar uma ajuda (já começaram a perceber, não é?).

As perspectivas de um fim de semana molhado, cedo se começaram a desenhar. E de imediato surgiu mais uma hesitação. Valeria a pena voltarmos ao local do crime, novamente com mau tempo? Para colocar as coisas ainda mais negras, fui presenteado com uma “fava”, ou seja, ofereceram-me o penúltimo tempo de partida de todos os escalões. Ora, como toda a gente sabe, isto não se deseja ao maior inimigo e muito menos a um”espécie”. Num terreno agreste, com temporal e sair em último, devia ser para expiar algum pecado mais “cabeludo” que devo ter cometido e não me lembro.

Depois de todo este “vai não vai”, decidimos comparecer. No início da viagem, parecia que tudo não passaria de uns chuviscos, mas à medida que nos aproximávamos da zona, e convém esclarecer que a Coelheira se situa quase nos mil metros, o cenário não podia ser muito pior. Então quando chegámos, tivemos como recepção, chuva intensa, nevoeiro quase cerrado e ventinho quanto baste. A receita estava no ponto.

Fomos assaltados por nova hesitação. Partimos ou regressamos? A nossa vontade de partir era tão forte, quanto o receio que aquele temporal nos transmitia. A conselho da minha mulher, resolvemos tomar uma atitude “inqualificável”, levar telemóvel (nem no tempo dos OPT!), para nos sentirmos mais protegidos (hehe). E sem mais delongas, deixamos o aconchego do carro e metemos ombros a mais uma “aventura”.

Como partia quarenta e cinco minutos depois dela, ainda tive tempo de sobra para fazer marcha-atrás, mas qual quê, já nada me faria recuar. Lá parti rumo aos “montes rochosos”. Na primeira pernada fui logo posto à prova. Depois de pedir licença aos dois “bovídeos” que estavam de plantão, tive de trepar uma encosta quase de “gatas”, pois cada passo, cada escorregão. Não tive a sorte de ter um guarda-chuva, tipo”Mary Poppins”, como um meu colega de escalão (para quem pensa que já viu de tudo…), que talvez por isso acabou por fazer o melhor tempo (hehehe). Ah “berdadeiro”!!!

Demorei para cima de 11 minutos a atinar com o ponto. Se tivesse tomado a devida atenção ao mapa, teria visto um belo dum carreiro que ia desembocar mesmo no controlo, um pouco mais distante, mas de progressão bem mais acessível. Confortou-me o facto de quase toda a gente ter tomado a mesma opção (parecia um congresso de “pastores”).

No alto, o panorama apresentou-se pouco menos que tenebroso. As nuvens passavam de tal maneira baixas, que a visibilidade não ultrapassava os cinquenta metros. Estava rodeado de sombras, o que dava um aspecto fantasmagórico, ambiente adequado ao regresso do eterno “desejado”. Nessa altura já tinha companhia, porque com aquele cenário, deixemos o orgulho de lado e mais vale acompanhado do que irremediavelmente só! Amparando-nos uns aos outros, até ao ponto 7, com maior ou menor dificuldade, conseguimos ir descortinando as balizas. O controlo seguinte veio a revelar-se um osso duro de roer, atendendo que as condições climatéricas iam piorando, mas o Costa Leite acabou por ser crucial.

A dado passo recebo um pedido de ajuda da minha mulher, que se encontrava no ponto 11 (ela tinha o mesmo percurso), “que já não conseguia sair dali, estava enregelada e mal via onde punha os pés” (quando o “tele” tocou até dei um salto). Com algum sacrifício, em virtude do temporal estar no auge, juntamo-la ao grupo, que passou a cinco e mais tarde, a seis elementos.

Ainda fizemos mais uma pernada, mas o ponto 13, fazendo jus à superstição, originou o descalabro. Ao cair pela enésima vez, rasguei o mapa, entrou água e a zona do ponto 12 ao 15 foi à vida. Nunca me tinha passado pela cabeça, que isto poderia acontecer. Se estivesse sozinho, ia ser o bom e bonito para regressar (para a próxima vou levar very-lights). A somar à minha “primeira desgraça”, o grupo começou a “pastar”, o nevoeiro ficou ainda mais denso, não se via mais que meia dúzia de metros e se a água que por ali corria, fosse de verdadeiros ribeiros, o mapa seria todo azul (hehe). Depois de encontrarmos três pontos, que não pertenciam a nenhum de nós, e tínhamos três percursos diferentes no grupo (é preciso azar!), alguém alvitrou: “vamos desistir, que já andamos aqui a penar há tempo demais”.

Ninguém respondeu, mas todos se dirigiram para o lado que parecia ser o das chegadas, assumindo tacitamente o “naufrágio”. A frustração pesava de tal modo, que fiquei com a cabeça a latejar (se calhar era da altitude). Tivemos de calcorrear aqueles pedregulhos, mais de vinte minutos, para dar com a arena. Neste entretanto, e quando já se vislumbravam as fitas da chegada, para meu azar escorrego uma vez mais, faço uma entorse num pé (lá foi o escafoide) e acabo por ser transportado as últimas centenas de metros, pelo Costa Leite e pelo Luís Nunes do GCF. Um triste e inglório final: desistente e lesionado.
  

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quinta-feira, 2 de julho de 2020 – 11:24:12

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