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E a praia alí tão perto...

Vai ficar desde já bem claro, que não morro de amores por partidas de “tudo ao molho e fé em Deus”, que é como quem diz partidas em “massa”. Agora tenho de reconhecer, que para quem está a ver as coisas do lado de fora, deve ser espectacular. Imagine-se partirem simultaneamente umas centenas de participantes, dirigirem-se todos ao mesmo ponto e de seguida, como que obedecendo a uma voz de comando, espalharem-se para zonas diferentes, tal qual um foguete de artifício ao estourar.
 
Está decidido. Na próxima prova em que se optar por esta variante de partidas, vou ficar como observador. Também quero usufruir dessa imagem de cor e movimento. Mas podem ficar descansados que vou participar na mesma, só que parto a seguir e ainda vou muito a tempo (julgo eu!).
 
E foi mais ou menos assim, que me meti em nova carga de trabalhos, na já célebre prova do RA4, organizada pelo COC, que se desenvolveu na Praia das Paredes, Pataias, em vésperas de Camões.
 
Pum!!! “Ai Jesus credo, que foi isto? Estamos em guerra?”
 
Pois é. Para os mais distraídos foi de certeza um susto e peras. A tradição ainda é o que era e manda que a partida do RA4 seja dada a tiro de arma militar. A minha reacção foi a de me atirar para um “abrigo” (o bar de serviço era o ideal), mas como de nada valia, resolvi “fugir” atrás dos outros. Atrás? Claro, visto a organização estar atenta e desde logo me ter colocado no último lugar de partida do meu escalão. Os verdadeiros na frente, os “espécies” bem nos “fundos”, não fossem eles atrapalhar. Não lhes parece uma injustiça?
 
O pinhal de Leiria é um género de terreno, onde pontificam as reentrâncias, esporões, cotas, vegetação rasteira e as minhas “adoradas” dunas. Areia e mais areia, mas para subir, de preferência, não para esparramar o corpinho ao sol. Por falar nisso, o que motiva esta gente a correr à doida, pelo meio da mata, a enterrar-se de areia até aos tornozelos, ser “atacada” pelo tojo selvagem e a praia ali tão perto? Sim, apesar dos manda-chuva terem prognosticado aguinha com fartura, esteve um dia esplêndido para irmos todos a “banhos”. A malta da orientação marca posição pela diferença, e ainda bem!!!
 
E vai daí, lá fui eu pinhal adentro, à procura das melhores opções, para poder contabilizar mais um percurso na “bela istória” do espécie de orientista. Se bem pensei, melhor o fiz. Não, não estejam a pensar “agora é que ele saiu da casca”. Não há registo de nenhum feito glorioso. É do conhecimento público que as minhas expectativas nunca têm a fasquia muito alta. Fico satisfeito por chegar ao fim sem mp e pronto!
 
Desta feita, o meu problema, foram os “azimutes falsos”. Continuo a ter questões insanáveis com a bússola. Numa das pernadas mais longas, quase 700 metros, fui sair ao lado mais de 200, que traduzido deu o ponto 10, quando o correcto seria o 2. Faço as coisas como mandam os cânones, mas decididamente esta bússola está avariada (hehe). Quem me manda fazer a progressão sem atender ao terreno? Assim não vou deixar a “espécie”.
 
Os meus níveis de concentração foram tão elevados, que a certa altura, comecei a remoer, porque carga de água, a organização não tinha colocado pontos de água numa prova tão longa (7100 metros). Só no final me apercebi, que no ponto da viragem dos loops (e foram três!), não faltavam “pipas” de água. Esta minha cabeça de vento só me causa dissabores (se em vez de água fossem notas de 500 euros, o resultado teria sido o mesmo?). “Mea culpa”, pois sou um pecador por maus pensamentos.
 
Bem corri atrás do prejuízo, mas neste género de provas, o que se apanha mesmo é “comboios”. Não me posso queixar dos parceiros de jornada, mas eles que me desculpem, tentei de tudo para os deixar, como eram verdadeiros orientistas, acabavam sempre por me apanhar. Se corria mais um pouco, desviava-me do ponto, se tomava opção diferente, chegavam primeiro. Acabei por fazer, parte do último loop, neste “tranvia”. O andamento era lento, mas certinho. Os pontos estavam todos no sítio certo. É minha obrigação reconhecer, que os atletas que me acompanharam, foram uma mais valia nesta minha “viagem”. Tenho a convicção que aprendi mais qualquer coisa com a sua experiência.
 
Depois de quase hora e meia de prova, para os vinte e três controlos, estava num tal estado de extenuação, que tive direito a um par de “ouras” bem aviado, mas nada que uma boa fatia de bolo não tenha atenuado (coisas dos açúcares). As sapatilhas pesavam que nem chumbo. Pudera! Quando as descalcei devo ter despejado uns bons “alqueires” de areia. Isso responde ao facto de ter tido imensas dificuldades na minha corrida.
 
Para acabar tudo em beleza, o RA4 mais uma vez fez questão de presentear a rapaziada com um almoço volante, para repor as energias, dado que nos esperava mais uma “dura prova”, o regresso às viaturas, dado que os ditos “1200 metros”, eram bem o dobro (hehe). 

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quinta-feira, 2 de julho de 2020 – 12:48:49

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