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Lá para os lados da Cabreira

Calma…muita calma! Podem estar descansados, que esta semana não houve nenhuma surpresa desagradável. Tomei as devidas providências, de modo a não subir ao pódio, decidindo participar apenas na etapa de sábado. Ora digam lá, que não sou um rapaz que se preocupa com a “credibilidade” da sua modalidade? Bem…tenho de ser sincero, só não estive presente no domingo, porque poderes mais altos se levantaram. Isto é, havia um compromisso familiar (um “tacho” de rodízio), marcado há já algum tempo.

A informação fornecida pelo .COM era sucinta: prova na Serra da Cabreira, na zona de Vieira do Minho. Eu tinha a vaga ideia, que se situava perto de uma vetusta aldeia, do tempo do volfrâmio, denominada Zebral. O que eu não contava era que a malta da organização, fizesse tudo o que estava ao seu alcance, para que o “espécie” não marcasse presença. Tentou, ao sinalizar deficientemente o trajecto, que os mais distraídos não chegassem ao local do evento. E isso esteve na iminência de acontecer.

Depois de passar Vieira do Minho, os quilómetros acumulavam-se e de setas indicadoras, nem vê-las. -“Terão roubado as placas ou será que não é por aqui?” – “Temos de perguntar a alguém”. E numa “terrinha”, que me pareceu ser Salamonde, ao indagarmos junto de uma anciã, com aspecto de residente, obtivemos – “Zebral? Isso fica lá para os lados da Cabreira”. Ora muito obrigado “tiazinha”, até aí nós já sabíamos. Mas de todo aquele amável arrazoado de palavras e gestos, não conseguimos melhor.

A hora das partidas aproximava-se, e começámos a mentalizar-nos que iríamos desistir sem participar. Valeu-nos o aparecimento do “Oriexpresso” do Estarreja. O popular autocarro era perseguido por uma meia dúzia de “perdidos”. Inversão de marcha rápida e seguimos o “comboio”. Esta atitude não é considerada “cola” pois não? Uns metros à frente lá apareceu uma seta salvadora a indicar Zebral.

Bom, aqui deu-se início, a meia dúzia de quilómetros de autêntico safari. Entrámos num estradão, que mais fazia lembrar as “picadas” africanas. Seguimos com o “coração nas mãos”, envoltos numa poeirada sufocante, sempre na expectativa, de ao virar do caminho, pudéssemos ser surpreendidos por uma manada de elefantes ou algum grupo de gazelas saltitantes. Mas não, felizmente de “bicheza”, apenas fomos confrontados com três besouros, duas abelhas, uma sardanisca e uma prima afastada da “viúva negra”, que resolveu mais tarde, durante o percurso, atirar a sua teia para atrapalhar a prova ao “espécie”. Nhac!!!

A arena estava montada no coração da Serra da Cabreira, próximo do seu ponto mais alto (Talefe com 1.160 m). Paisagem magnífica, em ambiente bucólico, um autêntico “postal” de cortar a respiração e a fazer esquecer rapidamente as canseiras da viagem. É nestes momentos, perante tamanha imensidão, que tomamos consciência de quão pequenos somos. São as verdadeiras recompensas da orientação, que devemos usufruir ao máximo e colocar as minudências, definitivamente de lado.

O tempo urgia. Havia uma pré-partida de dez minutos, o que nos deixava pouco espaço de manobra. Assim, foi chegar, equipar, “trincar” qualquer coisa e pé ligeiro para as partidas. A partida real, segundo informação afixada, distava ainda uns bons 1.200 metros. Se bem sei fazer contas, tinha de correr o tempo todo, para não chegar depois da minha hora. Vim a saber mais tarde, que houve atletas, que não se precaveram e entraram na prova logo a penalizar. Pois foi uma pernada e tanto! O aquecimento estava feito, ou até diria mais, fiquei logo sobreaquecido, a modos que para o “derreado”.

As partidas foram colocadas em pleno pinhal, junto a uma linha de água, o que dava uma perspectiva diferente do habitual (íamos meter “água” antes de iniciar). Não sendo o percurso muito longo, tinha um desnível razoável e veio a revelar-se bastante técnico. O mapa era excelente e o traçador demonstrou superior qualidade e bom gosto. Nos primeiros dois pontos fui “atirado” para o meio da vegetação, o que me fez recordar males recentes (ainda tenho picos nos joelhos!). Ainda deu para assustar, mas os seguintes já se situavam em áreas de melhor progressão. Foi o bastante para ter um contratempo. No meio do mato, fiquei preso num galho, forcei um pouco e zás…rasguei o fatinho do tornozelo à virilha. Atendendo à sensibilidade da zona interveniente, vá lá que se ficou pelo tecido. Uff!!! (ainda tenho a pulsação acelerada pelo susto). Não obstante a falta de decoro e dado que o tempo estava quente, a “abertura” funcionou como ventilação.

Após o “incidente”, fui acometido por uma fúria “propulsora”, e a dezena de pernadas seguintes, com pontos colocados em pedras, fossos secos, escarpas, zonas de ribeiros lamacentas e penedos bem altaneiros, foram percorridas (de perna ao léu), com uma tal eficácia, que até eu próprio tive alguma dificuldade em acreditar, ter superado finalmente as expectativas. Inclusive questionei a minha mulher, se ela tinha colocado alguma substância (com sufixo “ina”) no sumo.(hehe)

Constatei no final, que sendo este traçado comum a vários escalões, só havia dois tempos superiores ao do “espécie” (apanhei o pessoal distraído, extasiado com as “vistas”). Fiquei literalmente nas “nuvens”. Será que estas últimas performances, nada condizentes com a bela “istória”, trazem “água no bico” ou “sol de pouca dura”? 


 

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quinta-feira, 2 de julho de 2020 – 13:28:42

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