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Fugindo aos galináceos

Na segunda jornada do seu Open, os “Amigos” decidiram demonstrar alguma amizade para com os participantes. Depois de nos proporcionarem uma carga de trabalhos no dia anterior, baixaram os níveis de exigência, para a malta não sair de novo maltratada e presentearam-nos com um mimo – sprint urbano no centro de Barcelos.

Uma prova em pleno reduto dos mais famosos galináceos nacionais. Eu só rezava para que eles não andassem à solta, senão arriscava-me novamente a ser colhido de surpresa por um “grande galo” ou em alternativa teria de fugir deles a sete pés, evitando potenciais “alergias”.

Um percurso de 2.600 metros, com partida do interior duma escola, levando-nos a uma original passagem por um centro comercial, desfrutar o parque público, campo da feira, centro histórico e as suas estreitas artérias, Paços dos Condes e margem do Cávado, com regresso pelo jardim e uma chegada triunfal no Largo da Porta Nova, entre a Torre e o Templo. Agradável roteiro turístico, num trajecto simples, mas muito bem engendrado, a colocar à prova a capacidade de rápido raciocínio dos concorrentes.

Pronto! Escusam de me cortar na casaca. Lembro-me perfeitamente de afirmar, que não sou um grande amante de provas urbanas, mas também é verdade que já confessei a minha simpatia pelos sprints. Portanto, houve que proceder a uma análise custo-benefício e, para gáudio da minha mulher, lá me envolvi em mais uma corrida vertiginosa. A paixão pela Orientação sobrepõe-se com naturalidade, a estes gostos mais mesquinhos (ou requintados?).

Sentia os joelhos massacrados, resultado das descidas “bué” de loucas que tinha realizado em Palme, mas ao fim de meia dúzia de minutos de aquecimento, recuperei dos achaques. Arranquei disposto a imprimir um andamento que não me envergonhasse o sprint (basta de vexames). Só precisava de concentração, alguma agilidade mental e sobretudo não ser apanhado pelos “galos”, que surgiam em cada canto e esquina.

Ia tendo problemas logo no segundo ponto, pois este encontrava-se localizado no pátio dum centro comercial e quando lá cheguei, deparei com a entrada “fechada”, onde já se encontravam outros atletas a “admirar” a fachada (hehe). Foi necessário recorrer à senha “abre-te sésamo”, para accionarmos a célula da porta (aproximem-se seus totós!). Cena caricata, que só deu para rir no final, porque na altura apenas eram audíveis os “raios e coriscos”, “carvalhos e sobreiros”. – “Então os gajos esqueceram-se de mandar abrir o centro?”. Pois…

Deambulei por vários pontos dispersos pelo centro da cidade, sempre com o olho de lado, de modo a não levar com algum galispo em cima. O primeiro confronto com os “bicos”, no parque da cidade, junto ao terceiro prisma, não gerou confusão, pois estavam todos circunscritos à capoeira. Já no ponto 5, tive alguma precaução – “olha ali um a lavar a crista no chafariz!” – aproximei-me pé ante pé, controlei e desviei-me de mansinho, ufa! A baliza seguinte apresentava uma guarda de honra de um rico par de galináceos (adoro aqueles “duvidosos” corações, hehe!), mas aguardei que estivessem de costas e…bip! E ala que se faz tarde!

Só que no sétimo controlo (137), o prisma estava colocado exactamente entre as patas dum soberbo espécime de “galo capão”. O verdadeiro, o autêntico e legítimo Galo de Barcelos (esse mesmo…o de penas pretas, crista encarnada e madeixas amarelas). Aqui não havia escapatória possível, fui obrigado a usar de diplomacia – “Vossa Excelência, ilustríssimo Galo Galarós, dar-me-á licença que pique no meio das suas pernas?” – E se ele tivesse respondido que não? Hehehe!

A meio do percurso, na procura do 129, penetrei numa área acastelada e deparei com o prisma em sentida vigília ao túmulo dum remoto conde barcelense (o chamado ponto-fúnebre). Como não sou do tipo místico, marquei e andei, mas gente houve que se “recusou” a controlá-lo, por questões de extrema sensibilidade espiritual (digo eu! ou por mp? hehe)

Para picar o ponto 9 teria de fazer uma passagem fugaz pela zona ribeirinha, local tão do agrado dos mais pequenitos, tendo por isso o máximo cuidado em não chocar com algum “garnizé”, que me saltasse de entre a vegetação. Bem tentei passar despercebido, mas não me salvei dum encontro imediato com um experiente “frango de aviário”, que me apanhou nas suas “garras” fotográficas.

Quantos mais galináceos aparecessem, mais o “espécie” dava da perna. A minha fuga estava a ser efectuada a um ritmo suficiente para os manter afastados, apesar de nos últimos pontos não ter enxergado nenhum, o que me levou a relaxar um pouco e quase perder de vista o ponto da estátua, já nas cercanias da meta.

Ao picar o 200, olho de relance por cima do ombro – “ai que vem aí novo garnizé!” – e “dou de frosques” atingindo uma velocidade de ponta anormal, com certeza infringindo alguma lei, dado que as chegadas situavam-se em zona pedonal, para obter um resultado, completamente de outra “galáxia”.

Depois de tanto porfiar, o “espécie” realizou um percurso de que se pode e deve ufanar (já estou de babete), inscrevendo a sua arrancada final a “azul” e conseguindo um honroso, quanto “monstruoso”, lugar classificativo. Será que a restante rapaziada foi apanhada pelos “galináceos”? Só pode. 

Periodicidade Diária

quinta-feira, 2 de julho de 2020 – 09:03:51

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