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Pela Peneda acima, Gerês abaixo (I)

Durante as viagens que vou efectuando por esse país fora, não consigo deixar de observar a paisagem pela óptica do orientista e imaginar frequentemente, todo este “quintal lusitano” devidamente cartografado e o “espécie” deambulando, na sua procura incessante pelos “laranjinhas”.

O que nunca me passou pela cabeça, mesmo nos momentos mais “ori-delirantes”, foi a hipótese de poder penetrar no habitat sagrado dos garranos, águias, lobos, javalis e “ratelhos” (ratos do tamanho de coelhos, hehe, eu vi!!!) do Parque Nacional da Peneda Gerês. Mas a perspicácia dum anónimo “pensador” não levou à “genial” descoberta - “por vezes os sonhos tornam-se realidade”?

Podem ter a certeza que os 4 Dias do Minho foram bem reais; duros quanto baste para o físico e exigentes o necessário na componente técnica, tudo a preceito para um Campeonato Nacional, a que não faltou uma chuva e nevoeiro completamente incaracterísticos para o mês das giestas (os deuses devem estar loucos).

E o que foi fazer o espécie de orientista a uma prova deste calibre? Baixar o nível da competição? Obter prazer com práticas masoquistas? Dar um pouco de “salero” ao evento? Ou mais uma vez tentar o impossível?

Ora aí está! É isso mesmo. Como sou um teimoso incorrigível (ou vai ou racha), mentalizei-me que desta é que era. Se pretendo vir a ser um orientista de corpo inteiro, tenho de estar presente nestas provas dolorosas (sofrer para vencer), mas que só podem resultar numa mais valia para a carreira do “espécie”. (pelo menos vou aparecendo nas fotos)

Posso levantar a ponta do véu e desde já vos confidenciar, que aconteceu mais do mesmo. Dei continuidade a uns certos disparates técnicos, mas não me vou pôr aqui a choramingar, no cômputo geral podia ter corrido bem pior (como por exemplo, estatelar-me num monte de bosta de garrano, ou rolar penedo abaixo, hehe).

Os nossos anfitriões do .COM, propuseram-nos como destino para os primeiros dois dias, a zona da Calcedónia, mais exactamente o mapa de Lamas, área já conhecida para alguns, mas que se revelou um tremendo desafio para a maioria. Terreno bastante técnico, “decorado” com “pedrolas” graníticas para todos os gostos (calcedónia a valer), aliadas a uma vegetação indisciplinada, que complicou a progressão e se transformou no maior obstáculo. A tudo isto veio juntar-se, sobretudo na etapa inaugural, um temporal desabrido, que deixou a malta à beira da hipotermia (brrr…nem sentia os….bom…hã…dedos).

Não tive tarefa fácil nesta jornada inicial de 2.800 metros. Provavelmente, o maior culpado dos “trabalhos” a que estive sujeito, terei sido eu. Ainda estou por perceber por que razão, depois de passar o ponto 4, junto à arena, virei para um estradão, que no melhor das hipóteses me levaria aos antípodas do ponto 5 (estou em crer que tenho o “tomtom” avariado).

Para além deste mistério, lidei mal com os afloramentos rochosos (o trivial) e invadi, por deficiente navegação, zonas de arbustos que me arranhavam os queixos. Esta miscelânea de pedra e mato, adicionada à chuva desesperante, redundou num “cocktail” difícil de digerir (uma hora e trinta para fazer a digestão, hehe, esqueci-me das “rennies”).

Em dia de relaxe, puseram-nos à disposição um sprint em montanha para entreter e lá voltámos ao local do “crime”. Claramente uma prova para os mais corajosos, já que no início das partidas, caiu um pé de água de tal ordem, que originou uma quantidade de desistências de última hora (fracotes!).

A segunda etapa (1.700 mts), com os primeiros seis pontos espalhados numa área aberta quase plana, atravessada por uma ribeira e onde pontificavam reentrâncias e umas pedritas dispersas, com as restantes oito balizas colocadas em zona utilizada no dia anterior, não gerou grandes preocupações, tendo permitido que os velocistas procedessem a um treininho técnico. Em termos pessoais, não me saí muito mal, tendo cumprido os mínimos que se exigiam a um “espécie” (duas dúzias de minutos bem esgalhados).

No final do segundo dia, o corpo estava mesmo a pedir umas termas. Banhos, massagens e umas aguinhas, se calhar seriam o tratamento ideal, só que pensando melhor, água tinha eu apanhado com fartura, portanto fiquei-me pelo duche retemperador. E cá para nós, essa frescura das massagens, não se coaduna com um “espécie” macho, hehe. Limitei-me a umas “papinhas” e a um bacalhau gratinado (humm…doping do mais sofisticado).
  

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quinta-feira, 26 de novembro de 2020 – 00:52:09

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