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Mês ecléctico

O que pode fazer um tipo durante os longos períodos que medeiam entre as competições de Orientação? Treinar sozinho? Não mexer uma “palha”? Ou procurar umas actividades físicas, que lhe vão preenchendo o tempo e simultaneamente funcionem como escape ao fastidioso quotidiano da espera, por nova prova de bússola em punho?

Nestes momentos de marasmo pareço uma barata tonta. Não posso, simplesmente sentar-me no meu sofá de estimação a “zappingar”, aguardando pachorrentamente que o calendário vá passando os dias (poder posso…mas não devo!). Então, tento participar noutras iniciativas desportivas, mesmo não sendo as mais adequadas, apenas para não estar quieto (chamada virose dos bichinhos carpinteiros).

Depois do remoto dia 5 de Outubro, onde participei numa extraordinária prova de Orientação em S. Pedro do Sul, teria de aguardar uns demorados trinta e três dias para poder estar presente noutro evento orientista, pois infelizmente não me poderia deslocar a Toledo no final do mês, situação que me deixou em perfeito estado de choque.

E o que me aparece pela frente para colmatar? Um belo passeio de Pedestrianismo, no dia 19, por terras de Ovar, mas com a heróica quilometragem de 34 km! – “E tu foste? Tiveste coragem?” – perguntam vocês com incredulidade – “Claro, quem não tem cão, caça com gato”. Foi o que se pôde arranjar. Já escrevi sobre essa jornada memorável, mas não me canso de afirmar que, quando se proporcionar, alinho novamente – fiquei cliente.

Como sou um moço de fácil cicatrização, despachei as dolorosas bolhas “vareiras” em pouco tempo e no dia 26, encontrava-me apto para marcar presença na 5ª Maratona EDP…Deixei passar uns momentos para saborear o vosso engolir em seco. Leram bem – o “espécie de orientista” também foi cheirar o suor dos quenianos voadores.

Já perceberam não é? Podem ficar descansados, que continuo com o juízo atinado. Eu estive lá, mas apenas para realizar os 6 km da caminhada, hehe (olhem que ouvi os vossos suspiros de alívio). Bom, também não exageremos, não me limitei a andar, fiz todo o percurso no meu ritmo de “atlerpa”, tendo como objectivo nesta minha quarta presença em provas de Atletismo (ainda não sei, se aquilo que fiz se pode chamar assim), bater o meu tempo pessoal nesta distância (35,44 na Sportzone deste ano). Uops! È verdade, esta minha cabeça já não é o que era. Não vos contei que em Setembro fui lá novamente (às tantas ainda começo a gostar perigosamente do asfalto, hehe).

O percurso começava logo com uma rampa de 300 metros, na Júlio Dinis, mas a partir daí, seria um autêntico “escorrega” pela Avenida da Boavista abaixo. Bastava imprimir a minha velocidade de treino (tenho uma, não sabiam?), que iria conseguir um tempo bem melhor que na Sportzone. Nem vos digo nem vos conto. Passados estes dias, ainda continuo sob uma deliciosa vertigem (as velocidades excessivas deixam-me assim). Se não tivesse cronometrado, não acreditaria.

Por força da subida inicial, o primeiro quilómetro foi algo lento (6,07), mas com a entrada na Avenida, porventura embalado pela música da “Casa” e aproveitando o deslizar constante do alcatrão, percorri o segundo em 5,36 moralizadores. Ao mudarmos de direcção para o Bessa, acabou o deleite proporcionado pela descida e comecei a sentir um estranho “cansaço”, julgo que psicológico, mas o abastecimento apareceu tal qual um oásis e dois golinhos de água (mais, podia criar rãs, hehe) resolveram o assunto.

Na passagem pelas Andrezas, o trajecto voltou a empinar ligeiramente, só que nesta fase já tinha ligado o “piloto automático”, de forma que nem me apercebi do facto. Nesta altura tocam-me no braço – “Ei Luís! Por aqui?” – Olho de soslaio e entre dois arfares esforçados, cumprimento um amigalhaço de longa data, com um grunhido que deveria ser traduzido para um simples – “Boas”. O Carlos começou a falar como se estivesse na esplanada de um café – “Fazes os 14 ou os 6? Blá…blá…blá” – Deixei de o ouvir, pois se entrava “numa” de conversa seria obrigado a parar. Não tenho aqueles “interruptores” de atleta, que comutam a bel-prazer, tanto correm como dão à língua. Nah! Se vou em esforço, não me posso distrair. Ainda bem que ele resolveu desligar, só espero que tenha entendido as minhas limitações fonéticas (no próximo “tacho” esclareço-o, hehe).

No terceiro quilómetro, voltei a aumentar o andamento para uns 5,29 que me pareciam extremamente rápidos, mas se as sensações eram boas, qual o problema? Quando regressássemos à Boavista, o trajecto seria sempre a descer até ao Parque da Cidade, portanto não havia que ter “medos”, os santos iriam ajudar.

E não é que ajudaram mesmo? Penso até que me chegaram a empurrar, os batoteiros! hehe. Ao transpor o quilómetro quatro (vertiginosos 5,19), decidi acelerar mais uns “pós” aproveitando ao máximo a descida. Os metros foram sendo galgados em boa cadência, que quando me aparece a placa indicativa do quinto quilómetro, até me assustei (já?), mas o cronómetro não mentia e constatei uns espectaculares 4,54!!!

Como já descortinava ao longe o insuflável da meta, passou-me qualquer “coisinha” pela cabeça, não mais tirei os olhos desse ponto para não desconcentrar, abri a passada e percorri o último quilómetro a um tal ritmo, se calhar exagerado, que até terá chamado a atenção. –“Olhem só para aquele maluquinho, parece que vai ganhar uma medalha!” – Ia de tal maneira acelerado, que me estava nas tintas para os comentários, afinal isto é para correr ou passear? A minha preocupação não se prendia com quem seguia à frente ou atrás, o objectivo centrava-se apenas na “minha medalha”, o resto passa-me completamente ao lado (pfff...lesmas!!!).

Mal termino, reparo na reacção demasiado efusiva das “meninas” da Organização, dado que apenas tinham concluído a “caminhada” umas mãos cheias de participantes e provavelmente, ainda nenhum se teria apresentado de cabelos brancos, hehe. Uns inacreditáveis 31,20, tendo os derradeiros mil metros sido percorridos em 3,55 supersónicos! Ora tomem que é para aprenderem!

Uma performance inimaginável, mas o relógio da chegada conferia com o meu, não havia dúvidas. E se elas houvessem, foram totalmente dissipadas com o tempo realizado pela minha mulher (34,30), que colocou um travão na minha euforia (só fiz menos 3 minutos?...Oh amarga desilusão!). O “escorregão” da Avenida da Boavista funcionou em pleno, mas cuidado…é percurso enganador, não dá para iludir.

O “espécie” deu-lhe para ser eclético, andou a testar novas experiências, conseguindo ocupar o vazio, que lhe provoca a falta de provas em perseguição dos “laranjinhas”. Com tantos intervalos no calendário orientista, um dia destes ainda vos conto alguma incursão nas Ultra-Maratonas do meu amigo “Trotamontes”, nos radicais Montanhismo, Rafting ou Downhill, ou quem sabe, numa popular e aferroada “lerpa”, o essencial é continuar a exercitar as articulações, não vão elas cristalizar.
 
ndr: DA INCURSÃO PELO PEDESTRIANISMO, NÃO PERCA AS CRÓNICAS NO ESPAÇO DESSA MODALIDADE EM REPORTAGENS 

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quarta-feira, 18 de setembro de 2019 – 23:55:20

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