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Navegando (I)

Os longos interregnos nos calendários de provas deixam-me sistematicamente à beira de ataques de ansiedade. Claro que tenho a noção que os meses não são elásticos, só contam com uns limitados trinta dias, onde é necessário encaixar uma quantidade de competições, sejam elas pedestres, de BTT ou representações internacionais. O facto, é que gerir todo este tempo sem qualquer evento oficial (no que à pedestre diz respeito), não se torna tarefa muito fácil de gerir.

Não nos podemos circunscrever aos fastidiosos treinos físicos, há uma necessidade premente de manusearmos mapa e bússola e rumarmos ao sabor dos nossos cartógrafos e traçadores. Uma bela floresta será o ideal, mas há falta de melhor, um qualquer percurso urbano ou de parque serve na perfeição, pois nestes momentos de avidez, o que vier à rede é peixe! O que faz falta é navegar…para animar a malta! (lá diz o poeta)

Com base neste princípio do “oridependente”, procurei acalmar os meus níveis ansiolíticos junto da soberba paisagem da foz do Rio Minho, revisitando a vizinha Mata do Camarido, onde se iria disputar uma prova do Desporto Escolar, da responsabilidade dos Amigos da Montanha.

Alguns de vós até sentiram arrepios ao mencionar o desporto escolar. Estou certo? Mas como já devem saber, a mim não me perturba rigorosamente nada a confusão provocada pelos miúdos…e estou a falar-vos dumas três centenas deles! De qualquer forma, é sempre aconselhável munirmo-nos de umas elevadas doses de paciência (uns tampões auriculares surtem o mesmo efeito, hehe).

Mal me apanhei em plena navegação, o mundo ficou resumido ao traço vermelho do mapa e aos pormenores circundantes, tudo o resto era de menor importância…seria?

- “Oh stôr! Stôr! Vai para o 44?” – Pronto, ainda não cheguei ao primeiro ponto e já tenho uma alma perdida à perna e…nem sou “stôr” do moço. Preparava-me para fazer ouvidos de mercador, mas o meu coração de manteiga não me permitiu. Concordo que a rapaziada se sinta mais confortável com um adulto por perto, dado que os “verdes” se encontravam bastante desactualizados e causavam certa confusão, mas havia necessidade de me chatearem logo a arrancar?...Porquê eu? …Porquê eu?

Bateu-me uma sensação de “déjà vu” e deduzi o inevitável – “este vai ser a minha sombra”. Erro crasso. O jovem não passou dum primeiro vagão, do “comboio” que se foi formando, onde desgraçadamente fui obrigado a servir de locomotiva. Quando me apercebi que rebocava uma mão cheia de “cábulas” barulhentos, tentei impor uma regra ditatorial – “Não me importo que me sigam, mas de bico calado, ok?”. Mesmo para um defensor dos “direitos da liberdade de comunicação orientista” existem limites de razoabilidade, hehe.

Os reduzidos 3.600 metros e 15 controlos que me proporcionaram, tinham de ser bem aproveitados, para não dar por mal empregue a deslocação ao Alto Minho e daí as exigências para com a minha “prole” serem um pouco rígidas. O objectivo pessoal era realizar um tempo na ordem dos 35/40 minutos, não queria desconcentrar-me com conversa fiada. – “Olhem para o mapa e ponto final!” – A partir deste desabafo (em desespero de causa) mantive-me surdo e mudo, limitando-me a fazer o meu “treino”, evitando cometer os erros de navegação de que sou perito e simultaneamente alhear-me dos meus incomodativos pupilos de circunstância.

Não obstante já ter percorrido esta floresta, apenas tinha uma vaga ideia das suas características, não me recordando dos pormenores, o que transforma o mapa num novo desafio. Para complicar, em virtude de falta de actualização, a vegetação apresentava-se caótica e uma grande parte dos trilhos mais ténues mal se vislumbravam no terreno. Obstáculos naturais que acarretaram alguma dificuldade, pois obrigavam a uma constante análise do relevo (mas qual relevo se nem às dunas fomos?).

Se por falta de pernas, progressões menos conseguidas ou por dar demasiada atenção aos meus “passageiros”, acabei por efectuar um tempo na casa dos 41 minutos. Não sendo nenhum feito notável, também não posso considerar um desastre. Catastrófico seria o tempo atribuído pela informática (58 minutos?), que não tendo feito convenientemente os TPC`s, se esqueceu de considerar na minha hora de saída, o atraso de 17 minutos com que se iniciaram as partidas. Que mania de me perseguirem!


 

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quinta-feira, 26 de novembro de 2020 – 00:25:01

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