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Cavalos de pedra e os parques proibidos da Pena (I)

Cada vez me dá mais gozo a minha “adorada” orientação. Funciona tal e qual uma “caixinha de surpresas”, só depois do mapa bem aberto na mão é que podemos ter uma noção daquilo que nos aguarda.

Coube ao CPOC a responsabilidade da prova de abertura da nova época, na Serra de Sintra, tendo escolhido para primeira etapa, uma encosta rochosa junto à Quinta de Vale dos Cavalos, já no concelho de Cascais. Decididamente estes “equídeos” que nos saíram na rifa, obrigaram a malta a “partir muita pedra”.

“Uops!!! Mas qu´é isto minha gente??? Uma rede, uma teia ou um delta de rio?”. Esta poderia ser a pergunta que qualquer participante (pelo menos os “espécies”), poderia ter feito, quando analisando o mapa, junto ao triângulo e confrontado com o terreno, vislumbrava um sem número de caminhos, quase sobrepostos e que desembocavam noutros tantos pontos. Uma autêntica charada, que me fez dar uma valente gargalhada, acompanhada dum sonoro desabafo brejeiro *#%$?*/@(censurado). Perante uma área aberta, em terreno bastante acessível, havia necessidade de colocar algum obstáculo. Valeu a imaginação do traçador, a quem faço uma vénia, foi um golpe de mestre. Definitivamente estivemos perante a maior concentração de caminhos, por metro quadrado, do sistema cartográfico da orientação nacional.

Este ínfimo problema serviu apenas como aperitivo, ao repasto rochoso que se seguiu. Dos vinte pontos do meu percurso, dezasseis estavam colocados nos amontoados de “pedrolas”(desculpem, afloramentos rochosos) ou na sua vizinhança. Foram pedras para todos os gostos. Ah!!! Ia-me passando. Quando se fala em rochas, temos logo uma outra característica associada, o desnível. E este era do tipo carrossel (sobe…desce…sobe…), o que para os mais sensíveis, obrigava a ingerir umas pastilhas para o enjoo (dois queques e “cimbalino” faziam o mesmo efeito, hehe).

Depois de me ter desenvencilhado da “rede” (a preferência feminina vai para “renda de bilros”) do primeiro controlo, com melhor ou pior progressão, fiz uma prova certinha até ao ponto 6, o que significa que era sempre a descer. Nessa encosta bem inclinada, passou-me um companheiro de escalão, que à velocidade que se deslocava, fiquei convencido que usava esquis. Eu, todo cuidadoso para não dar nenhum trambolhão, aquele “cota” a correr como um desalmado. Homem de coragem! Ainda me disse – “vamos lá” – “lá aonde?” – pensei eu (não posso exceder os limites de velocidade).

Arranco para o ponto 7 cheio de gás e pumba…atasco para cima de dez minutos. O erro não foi ter escalado, o primeiro monte de pedras que me apareceu pela frente (o que suei em vão!), quando a baliza se situava mais à mão (ou ao pé), no final de um caminho e a um nível bem mais baixo. O que aconteceu, é que me deparei com as filmagens de um programa televisivo ou de uma telenovela qualquer, que se desenrolavam mesmo ali pertinho e vai daí quis ficar no “boneco” (tiques de artista!). E estas “frescuras” pagam-se caro (gostaram desta justificação para a incompetência? eu também).

A partir daqui, deu-se início a uma prova de “alpinismo”, que se prolongou até ao ponto 12. Nesta sequência de percursos, em termos técnicos, consegui um resultado mais airoso, mas aquelas subidas deixaram-me fisicamente nas “lonas”. Sentia-me desgastado e nem os dois pontos de água me reanimaram, bem pelo contrário. Num deles, devem-me ter colocado alguma substância alucinogénea (hehe), que me atrofiou o “miolo”, e na descida que antecedia nova ascensão para o ponto 13 e seguintes, cometo uma barbaridade de “espécie” (desde quando o norte é sul?) e levo mais uma remessa de treze minutos.

Deu-me cá uma raiva, que ataquei as últimas sete pernadas com tal fulgor, que as percorri com outra qualidade (sem parar para pensar ou respirar), não obstante este último esforço, terminei com um tempo a roçar o medíocre. As minhas capacidades físicas (ou falta delas), não me deixam grande margem para os erros técnicos. Acabei quase de mão dada com a minha mulher, que entretanto tinha alcançado no derradeiro ponto (que bonito o casal da espécie de orientista a terminar em simultâneo).

No regresso ao estacionamento, enquanto a chuva começava a cair, contemplando aquele imenso cenário pedregoso, dei asas à imaginação, quase podendo jurar que os penedos se iam transformando numa bela manada de cavalos, a galopar desenfreadamente por entre as escarpas da serra (ainda estou com visões…).

Este estado de espírito, algo deprimente, depressa se foi desvanecendo, ao perspectivar para o dia seguinte, uma espectacular jornada de orientação, nos frondosos parques, “quase” proibidos, do Palácio da Pena.


 

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sexta-feira, 22 de novembro de 2019 – 15:47:28

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