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O Baptismo (I)

Estou de férias...ou melhor...encontro-me de férias a descansar das férias que usei e abusei que me fartei, na “exploração” das Dunas de Cantanhede, palco do Portugal O`Summer, onde aproveitei para celebrar o meu “baptismo de fogo” com as cores do glorioso GD4C (já começo a ter tiques de falta de isenção).

De imediato salta à vista dos mais sensíveis a estas coisas da imagem, que o novo equipamento me fica a matar, dando-me até um aspecto mais “fashion” e quiçá, me retira uns valentes anos à veterania, transformando-me num airoso mocetão das florestas. Provavelmente a realidade não será bem assim, mas o que não podem deixar de notar é a atitude evidenciada, aquela que caracteriza os verdadeiros orientistas – indómito, aferroado e de instinto fatal para a pastorícia.

Ora, não podendo eu renegar as origens – sou um “óme do nuorte c...” – onde a singular pronúncia de trocar os “vês” pelos “bês”, quase é considerada uma arte da perfeita dicção, atrevo-me a afirmar que acabou de nascer e ser baptizado o “berdadeiro orientista”, que naturalmente de perfeito irá ter pouco.

Para os estudiosos da genealogia, o “berdadeiro” é um parente muito próximo do “espécie” (há quem diga que são unha e carne) e sucede-o nestas crónicas, pois este, aproveitando as benesses da tutela, decidiu aposentar-se. Mas, segundo fontes próximas, ele vai andar por aí, sempre disposto a emitir opinião, assessorando os mais necessitados com a sua farta experiência e fornecendo as mais refinadas e “originais” teorias de orientação.

Deixemos o “espécie” gozar a sua merecida reforma e concentremo-nos no recém-baptizado “berdadeiro” orientista, que a partir de agora irá ser o principal protagonista. E por falar no tal baptismo, foi uma comemoração e peras – seis jornadas de festa quase ininterrupta (nem a comunidade cigana faria melhor).

Sete dias, seis provas, três de distância média, duas longas e um sprint misto, perfazendo uns oficiais trinta quilómetros, mas sendo eu um apreciador de dunas, “alarguei” para mais uns milhares de metros, resultando no mais espectacular baptismo a que alguém alguma vez teve direito. Sou um felizardo.

A primeira parte da longa maratona que o POS nos oferecia, era constituída por duas etapas no mapa de Rovisco Pais, estando a Arena instalada dentro do perímetro da área verde envolvente ao hospital com o mesmo nome. Um sofisticado centro de reabilitação física e mental, que me levou a imaginar, se a malta do Ori-Estarreja não teria em mente uma qualquer terapia, para combater o problema pós-traumático que aflige a maioria da tribo orientista – a síndrome da “desorientite pastorachus”.

Não poderia ter uma abertura de programa baptismal mais adequada. Uma prova longa de 7.400 metros, num terreno de belas dunas, que me dava a oportunidade de passear a minha nova farpela uma infinidade de tempo, se as coisas dessem para o torto. Claro que não me fiz rogado. Se podia desfrutar mais de nove mil metros, para que iria percorrer só sete mil? Pois é, o ponto 10, localizado numa área carregada de caminhos de tractor, não considerados no mapa, deu-me a volta à cabeça, veio à tona a falta de confiança e levei uns quinze minutos a acreditar que afinal estava no sítio certo, mas infelizmente já a uma hora errada. Fora isso, tudo bem.

O segundo dia da festança, baixou a quilometragem para uns médios 4.200 metros, num terreno pejado de “lixo”, que foi o único contratempo que me atrofiou de alguma maneira, atirando-me para a pior classificação da semana. Correr já me é complicado, lutar contra botas ensarilhadas, a tragédia fica eminente. Contudo, atingi uma pontuação bem mais digna que a do dia transacto (valha-nos ao menos isso).

Com duas prestações a deixarem muito a desejar, comecei a temer que se não melhorasse no sprint, estava sujeito a uma dura rescisão unilateral de contrato. Esta é a pressão com que um qualquer atleta de clube (mesmo sendo indiferenciado como alguém observou) tem de lidar, pois as asneiras cometidas não passam despercebidas aos responsáveis técnicos (de puxão em puxão de orelhas até à tareia final).

Pressentindo a guilhotina a pairar sobre o meu pescoço, parti para o sprint da Praia da Tocha, disposto a alcançar o melhor tempo possível, não descurando o relevante pormenor de que o percurso seria composto duma parte urbana e uma outra em floresta, o que poderia resultar em desnorte irremediável. No entanto, mantive a bússola sempre atinada, estive atento aos estonteantes zigzagues, realizando uma prova de tal maneira limpa em termos técnicos, que tenho sérias dúvidas que pudesse fazer menos um segundo que fosse. Bem...podia ter corrido um pouquito mais... – “Podias, podias!”.

Acontece, que a concorrência do meu escalão é altamente vertiginosa e o meu ritmo “certinho-pesadão” (sem grandes rompantes) não me dá grande margem de manobra. Mesmo conseguindo a minha melhor pontuação no evento, não houve condizente reflexo na tabela (lugar honroso a saber a pouco, mas a salvar-me da “chicotada”).

Após três etapas de competição intensa, o dia de descanso caiu que nem ginjas, aproveitei para ir à praia pôr os pés de molho, para me arrefecer as unhas, aliviar as bolhas e amolecer os calos, mas quase ficava inoperacional com a água gélida do Atlântico (brrrr.....que griso, ossos dos antigos não aguentam o semelhante).

Eu boue aparecendo (uops!...fugiu-me a boca pró sotaque).  

Periodicidade Diária

terça-feira, 16 de abril de 2024 – 20:35:15

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