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NAOM – A outra face (II)

Os arredores da Aldeia da Mata, zona escolhida para a realização da etapa de distância longa, são duma excelência no que concerne a pormenores técnicos, que suspeito irão provocar uma forte dor de cabeça aos concorrentes.

No entanto, tendo em conta a grande diversidade de terrenos, tanto irão ser confrontados com áreas abertas, onde podem dar largas à sua veia de sprinters progredindo abaixo de cinco minutos ao quilómetro (ou menos!), como têm sérias hipóteses de esbarrarem com cercas bem afiadas (para estorvar e limitar andamentos), como de seguida se encontrarem atascados num labirinto de pedrolas e vegetação arreliadora, de fazer perder a paciência a um santo.

Ah! E estão com sorte de ter chovido pouco, senão a Ribeira de Cujancas (onde eu o ano passado protagonizei uma destemida travessia radical) seria mais um obstáculo a equacionar, mas até Fevereiro nunca se sabe…vão aprendendo a nadar.

- “E o relevo? Esqueceste esse detalhe essencial ou nem tens coragem para abordar o assunto?”.

Bom, como estou bem-disposto, excepcionalmente vou responder à provocação. Levantando uma pontinha do véu, quero desde já recordar aos mais desatentos destas coisas da orografia, que o Alentejo não é a Serra da Estrela e apenas tenho autorização de os informar, que se apreciam carrosséis ondulados, não têm nada a temer. Se pelo contrário, odeiam o sobe e desce, ingiram umas pastilhas para o enjoo que vai ser remédio santo…valeu?

Para atenuar algum pessimismo que as minhas palavras possam ter transmitido, por mais incrível que pareça, confraternizei pacificamente com aqueles amontoados rochosos, tratando “tu cá tu lá” com a “Olho de Cachalote”, o “Fantoche”, a “Tartaruga Cabeçuda”, o “Cogumelo Torcido” ou o “Bosta do Dinossauro”, que são as alcunhas carinhosas com que nós identificámos algumas das extravagantes pedrolas pré-históricas – umas queridas! Todavia, aposto no “Tunel do Meteorito” (uma maravilha ou aberração da natureza, conforme a perspectiva), para ser eleito como imagem de marca deste NAOM.

Portanto, acalmem os vossos espíritos inquietos, o pessoal vai invadir um espectacular paraíso Alentejano, mas nada de relaxamentos em demasia, pois um simples descuido pode transformá-los em pastores de balizas. Já agora, só mais um conselho - evitem atolar-se na lama - pois com tanto gado à solta, a probabilidade de ser “lama” do tipo biológico é enorme (quem é amigo, quem é?).

Depois deste largo período a lidar com as pedras e sendo do domínio público a aversão que tenho pelas ditas, houve alguma preocupação com a minha sanidade mental. Só que o “berdadeiro” foi precavido e antes de se meter nesta aventura, teve o cuidado de tomar as vacinas, de modo a evitar conflitos (traumas irreversíveis), senão tão cedo não colocaria o pé em nenhum mapa com idênticas características.

- “Cá para mim estás a fazer bluff.”

A profilaxia resultou em cheio, pois fiquei de tal maneira imune (ou empedernido?), que agora espero com latente ansiedade, um novo encontro pedregoso, que estou a prever ser já em Arraiolos (às tantas os “nórdicos” vão-me trocar as voltas, mas enfim…).

- “Eu não disse? Não consegues resistir ao apelo dos prismas. É mais forte que tu!”

Como devem calcular, não sou a pessoa melhor indicada para dar palpites técnicos, mas o que querem que vos diga? Se me senti perfeitamente à vontade em terreno que tradicionalmente me é adverso, o mais provável é que toda a gente vá dar pulos de alegria com este mapa (e se não for de satisfação, será dos muros com toda a certeza, hehe).

Durante as mais de dez horas, divididas em duas extenuantes etapas, que demorámos a percorrer o mapa da longa, onde aproveitámos uns breves intervalos para debicar umas sandochas e fruta, sobre elegantes curvas de nível ou empoleirados em escarpas altaneiras, na companhia do sempre “curioso” e esfomeado gado bovino e caprino, fomos constatando um facto deveras singular e que nos deixou algo incrédulos.

Sói dizer-se, que em tempos de guerra, não se limpam armas. Acontece que no Alentejo a animália orienta-se por outra máxima: em época de seca, no mato tudo marcha. A nossa missão assentava basicamente em encontrar as fitas, que uma outra equipa do clube tinha colocado umas semanas antes e ratificar a sua correcta localização, só que entretanto fomos vítimas de um contratempo.

Acreditem ou não, a maior parte delas tinha desaparecido misteriosamente. Qual seria a chave do enigma? Atitude ecológica dos proprietários? Maldade dos caçadores? Deficiente sinalização dos pontos? Pois bem, a explicação não poderia ser mais rebuscada. Seguindo a dieta à risca, as vacas e as cabras chamaram um figo às nossas fitinhas. Foi um tal ruminar plástico…as gulosas…depois queixam-se de distúrbios intestinais, deixando-nos o piso num estado lastimável, hehe. 

Periodicidade Diária

terça-feira, 16 de abril de 2024 – 20:21:37

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