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Uma aventura em Sesimbra (II)

Seria aceitável que a etapa dominical, onde se iriam atribuir os títulos nacionais da época, pudesse apresentar uma exigência superior, consentânea com a dimensão da competição, mas depois dos intensos acontecimentos da véspera, em que a fasquia foi colocada demasiado alta, pior era impossível (ou melhor, consoante a perspectiva).

Efectivamente o mapa de Fornos-Sesimbra, apesar de ser igualmente duro (310 de desnível), não criou as mesmas dificuldades de progressão, nem tecnicamente foi tão exigente, mas dessa realidade não resultou melhoria substancial no comportamento do “berdadeiro”. Se no sábado, perante atípicas pernadas, desperdicei imenso tempo a equacionar as melhores opções, nesta prova sofri uma pastorícia das antigas (doze minutos a contar eucaliptos), que somada à ressaca muscular que me tolhia os movimentos, redundou em mais uma prestação confrangedora.

Com excepção dessa fatídica pernada (4/5) em busca do “102”, que para mal dos meus pecados era a de maior extensão, não tive mais nenhum “mistério” para resolver, mas a fadiga provocada pelas centenas de metros de euforia pastoral fizeram séria mossa (no físico e na psique…sobretudo). Assim, limitei-me a cumprir os requisitos mínimos dos meus 5.900 metros e 16 controlos, quase a passo, porque sempre que me abalançava numa corridita, os quadríceps ressentiam-se e começavam a gemer.

Atendendo a que me saiu na rifa um dos últimos tempos de partida e me atasquei logo no início, ficou claro que teria de realizar o percurso sem ver vivalma, o que me entristece profundamente, pois não tenho espírito de eremita, adoro o bulício e o colorido na floresta.

Certas cenas da primeira etapa, sobre as quais eu desejava passar uma esponja, foram alvo de uma involuntária e dispensável repetição. Voltei a envolver-me em aceso “conflito” com vegetação indisciplinada, que para além de me castigar valentemente a carapaça, atrasava-me a progressão, com as consequentes perdas de tempo e de rumo (cheguei a sair do mapa). Apareceram novamente uma série de rampas para escalar, mas nem por sombras se assemelhavam às do dia anterior – desgastavam sim senhor, apenas não exigiam “radicalices” nem provocavam desfalecimentos (a abundância de água deu um forte auxílio). Acabei por apanhar uns retardatários que se arrastavam bem pior do que eu, três deles repetentes e do meu escalão, assinando tacitamente um pacto de não agressão, de forma a levarmos a água ao moinho (empreitada a roçar as duas horas).

E por falar nela, não tenho ideia de jamais ter emborcado tanta quantidade, no decorrer de uma prova (hic! ainda não me passaram os soluços). O processo de desidratação é rápido e silencioso e quando nos apercebemos, já estamos prostrados, sem nos podermos mexer. Quem diria que o “berdadeiro” valorizaria tanto esse líquido incolor, insípido e inodoro? – “Meu Santo Padroeiro dos Orientistas, o que eu daria por uma mini fresquinha, quando atingi o topo da colina do marco geodésico, o altaneiro 91” (uff! estava num frangalho, com a língua que nem uma sola).

Provavelmente encontrava-me em fase de desidratação e não sabia. Senão como explicar que nos cinco pontos finais, facilmente detectáveis (até à vista desarmada), tenha efectuado penosas pernadas (as sapatilhas tinham chumbo ou quê?) e demorado a percorrê-las tempos infinitos? (dez minutos a mais que o normal) Os meus companheiros de viagem, evidenciando um nobre comportamento solidário, nem se atreveram a ultrapassar-me (terá sido esse o motivo ou…perderam o mapa? hehe!...bastava seguir os carreiros).

Entretanto, para me aumentar o desgosto, encontrei a minha mulher, já na parte final, completamente exaurida, obcecada em concluir a prova, quando o bom senso aconselhava a que desistisse. Deixei-a ficar ao sabor dos azimutes, com um aperto no coração, mas afinal ela deu a volta ao texto e conseguiu atingir o “finish” (“estou safo!”).

Para desanuviar um fim-de-semana desportiva e fisicamente desastroso para o “berdadeiro” casal, surge uma agradável notícia para nos levantar o moral. O GD4C acabava de se sagrar vencedor colectivo de seniores femininos e a nossa Maria Sá arrecadava o título nacional individual. Havia que beber qualquer coisa – uns, felizes, iriam comemorar, outros, deprimidos, tentariam esquecer. 

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terça-feira, 16 de abril de 2024 – 20:39:33

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