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O dia amanheceu de mansinho…

Um manto de nevoeiro desceu sobre a terra… aqui e ali, um telhado, uma chaminé ou a copa de uma árvore, altivos e desafiantes, rompem a cortina branca…
A realidade torna-se difusa, esbatida, misteriosa, envolta no nevoeiro. Aos meus olhos parece que surge Constância… também ele (o nevoeiro) uma constância em Constância…Quando nessas manhãs, me aproximava de Constância, apenas via dois imensos braços brancos, serpenteantes…ondulantes…sabia que, abaixo deles, dois rios corriam e se abraçavam um pouco à frente. Ocultavam-se aos olhos de quem passava, mas eu sabia-os ali, conhecia-os, chamava-os pelo nome. Erguida acima desta brancura, vislumbrava-se o cimo da torre da Igreja Matriz. Apenas a torre denunciava a existência de obra humana, de mãos dadas com a beleza natural da “vila-poema”. Adivinha-se o casario disposto encosta acima, de olhos postos nos rios…
Os meus rios…
 
Recomecei a correr. Pouco, muito pouco porque ainda tenho dores. À tarde, irei correr mais um pouco e, estes poucos todos somados, espero que sejam os suficientes para regressar a Constância, não de visita a familiares e amigos, mas como participante no Grande Prémio da Páscoa.
Há muito tempo que conheço esta prova (mas só como parte integrante de um vasto programa festivo). Se Deus quiser, este ano, o meu nome integrará a lista dos inscritos na corrida. Sinto-me nervosa, excitada, ansiosa por esse dia. Saboreio antecipadamente a emoção de me sentir “em casa”, desta vez, desvendando aos outros, um outro pedaço do meu “eu”. Conheço cada curva do caminho, cada pedaço de rio… as escadinhas, as subidas, os recantos, as caras e os nomes…Colaborei tantos anos nas Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem (Festas do Concelho, nas quais se integra o G. P. Páscoa) e, ironicamente, não conheço o percurso da corrida. Apenas sei de onde parte e, de forma vaga, alguns locais de passagem.
Constância, nestes dias, veste-se de flores, milhares de flores de papel…um trabalho árduo, ao longo de muitos meses, para três dias de Festa. Ruas, arcadas, portas e janelas são decoradas, noite dentro, para que, pela manhã de sábado, surjam diante de nossos olhos vestidas a rigor. A arte nasce destas mãos hábeis…o papel ganha forma e vida…A azáfama é inimaginável, mas o carinho pela terra não permite lugar ao cansaço.
De olhar deleitado pela beleza das ruas, parte-se à descoberta dos sabores…peixe frito do rio, caldeirada à fragateiro, migas carvoeiras…e, suprema delícia, os divinais “Queijinhos do céu”, acompanhados por um licor de fruta, preparado no segredo e no silêncio das Irmãs do convento de clausura…digno dos deuses.
Há mil e um motivos para descobrir Constância. Há mil e um motivos para querer voltar e outros tantos para não querer partir.
Constância seduz-nos e é um amor para sempre.
 
Como eu gostava de ir correr em Constância…
Vou treinar para ir…
Mas se eu não for, quem correr nesse dia, em Constância, leve saudades minhas e a promessa de que nunca desistirei.
Ide. Sereis bem recebidos. Vereis que, em cada olhar e em cada sorriso, se poderá ler “Sejam bem vindos…”
Esta é Constância que tanto amo. 
 
Ana Paula Pinto

Periodicidade Diária

sexta-feira, 20 de setembro de 2019 – 05:40:20

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