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Nesta altura do ano, após este período de
festa, abundância e alguns exageros alimentares, começamos a pensar no
que fazer para compensar os abusos. Alguns fazem jejum, outros recorrem
Esta pode até ter sido uma época de excessos, mas este não é o motivo pelo qual a maioria das pessoas tende a aumentar de peso ao longo do tempo e a acumular gordura. Existem factores modificáveis e não modificáveis que são responsáveis pela acumulação de gordura no organismo. Os principais factores, não modificáveis, que promovem a reserva de gordura são a idade, o género e a genética. Por outro lado, alguns dos factores modificáveis, que promovem o aumento de gordura são a ingestão excessiva de alimentos (que provocam um balanço energético positivo), o sedentarismo, a taxa de metabolismo de repouso (TMR), a termogénese alimentar (TA), a composição corporal e factores comportamentais. Neste último conjunto de factores, manipuláveis, é possível ter um papel interventivo quando pretendemos controlar e perder peso. O género, a idade e genética são factores não
modificáveis. As mulheres tendem a acumular mais gordura nas coxas e
ancas ao passo que os homens acumulam preferencialmente no tronco. A
idade diminui a nossa capacidade de queimar calorias porque a TMR também
decresce, principalmente devido à perda de massa muscular, que acompanha
o envelhecimento. Quanto à genética já se sabe, alguns são bafejados
pela sorte, e por mais que abusem estão sempre na mesma (pelo menos na
aparência exterior). O metabolismo é a soma total da produção energética
das células e da utilização de energia em reacções e está associado ao
dispêndio energético diário (DED). No fundo são as calorias que
queimamos no dia-a-dia. A taxa de metabolismo de repouso (TMR),
explicada de uma forma simples, é o somatório das reacções químicas que
se dão no nosso corpo, que geram calor, e que visam manter as funções
vitais do organismo. O desgaste calórico proveniente da TMR pode variar
entre 60% a 75% do DED,
Falamos aqui muito no papel do exercício físico na manutenção e perda de peso. Mas que exercício é o mais indicado? Eu diria todos, desde que gerem um desgaste suficiente para compensar aquilo que ingerimos ou utilizar a energia que já temos em reserva (gordura). Eis duas palavras chave que devem orientar sempre o exercício que fazemos, CONFORTÁVEL mas DESAFIADOR. Quer isto dizer que a actividade que praticamos deve ser realizada dentro dos limites de tolerância do nosso corpo mas com intensidade e duração suficientes para produzir resultados. Por isso desiluda-se se pensa que aquele passeio higiénico de meia hora, 3 vezes por semana, lhe irão trazer bons resultados, quando o objectivo é perder peso. Para a manutenção da saúde os passeios regulares são óptimos. Se quer perder peso terá de ser mais exigente consigo e ir um pouco mais além. Ainda assim é sempre preferível alguma actividade que nenhuma. E já agora saiba que uma perda de peso modesta (5% a 10% de perda do peso inicial) já oferece benefícios para a saúde como a diminuição da pressão arterial (se estiver elevada), a melhoria do metabolismo da glucose, do perfil lipídico e da sensibilidade à insulina (o número e a disponibilidade de receptores de insulina aumenta; portanto o pâncreas não necessita de produzir tanta insulina). Lembre-se que pequenas modificações, equilibradas a diversos níveis, produzem resultados mais visíveis e estáveis. Ter saúde é ter qualidade de vida, e esse é um bem precioso que não tem preço. Por isso não deixe para amanhã o exercício que pode fazer hoje! |