Penúltima Prova do Nacional de Tiro de Caça

 

No passado Domingo dia 7 Setembro, teve lugar a penúltima prova do Campeonato Nacional de Tiro de Caça com Arco e Besta, da Federação de Arqueiros e Besteiros de Portugal.

 

Com organização do Clube de Arqueiros Conde de Ourém e do Team Target, a prova contou com meia centena de atiradores que evoluíram durante cerca de cinco horas, num local aprazível, designado de Pinhal do Rei, mata que se localiza perto de Vilar de Prazeres no concelho de Ourém.

 

 

Tratou-se de uma prova 3D em que os atiradores atiravam 2 flechas em cada um dos 28 alvos, pontuando ambas com o mesmo número de pontos, 10, 8 ou 5, conforme o local do animal em que a mesma acertasse.

 

 Foi uma prova revestida de alguma dureza, com um terreno muito irregular e nalguns casos em que as descidas e subidas eram bastante íngremes, oferecendo alguma resistência á progressão dos atiradores. No entanto nada de especial, sendo que estas situações fazem parte do grau de dificuldade da prova e decerto que um caçador tem que estar preparado para as dificuldades que vai enfrentar. Assim nada a dizer acerca da prova em si.

 

 

Quanto à organização, aí temos alguns reparos a fazer e é pena, pois ambos os clubes já deram provas de que sabem organizar uma boa prova de forma irrepreensível. Não podemos no entanto de fazer dois reparos: O primeiro prende-se com o facto de se ter formado uma patrulha composta por 4 crianças entre os 8 e 10 anos que durante cerca de 5 horas andaram no mato com uma arma na mão, entregues a si próprias, pese embora num raio de 50 ou 60 metros estivessem adultos.

 

Não nos pareceu que tivesse sido cuidada a segurança, pois é do nosso conhecimento que nesta idade uma criança tem reacções imprevisíveis que podem ter consequências, sendo as mesmas agravadas pelo facto de terem uma arma na mão, que apesar de fraca poderá ser fatal.

 

Mesmo sem o uso dessa arma, correm o risco de ao retirar as flechas do alvo, até inadvertidamente, pode ferir com o nok, outro que se encontre por trás fora da distancia de segurança. Tudo isto agravado pelo transpor dos obstáculos naturais, descritos anteriormente, que por si  já apresentam dificuldades aos adultos, agravando-se quando se trata de crianças,  podendo dar origem a quedas, facto que aliás aconteceu com um miúdo que escorregou e rebolou por uma ribanceira, felizmente não houve qualquer ferimento. Isto são riscos possíveis, mas mesmo retirando estes riscos, vejamos, então entrega-se a uma criança de 8 anos o cargo de chefe de patrulha, onde tem que decidir se algo correr de forma menos normal? ou entrega-se a missão de apontar pontos a crianças que mal sabem escrever? Não nos parece que seja correcto, nem nos parece que o direitos das crianças estejam a ser salvaguardadas.

 

 

O segundo caso, prende-se com a entrega de prémios. Os regulamentos da FABP, obrigam a que em cada prova sejam entregues um número de prémios individuais e colectivos. Acontece que nesta prova (e já noutras) os atiradores foram informados de que não havia prémios para entregar e que os mesmos seriam entregues na próxima prova. Esta situação está prevista, pelo que não há qualquer ilegalidade, mas não me parece correcto que um atirador ganhe uma competição e receba o seu prémio 15 dias depois.

 

Mário Joaquim