Sempre gostara muito de Sintra! Logo ao entrar os arvoredos escuros e murmurosos do Ramalhão lhe davam uma melancolia feliz!

Primo Basílio – Eça de Queiroz


Desta vez, a orientação não me levou a um local espectacular. Todavia, a zona de Vale de Cavalos não me desiludiu. Aliás, quando se está no meio da natureza ninguém se sente desiludido. Simplesmente, a fasquia da beleza paisagística das anteriores provas, já estava muito alta e será muito difícil superar tais predicados. Mas se esta encosta de Vale de Cavalos até às 10:00 não estava tão linda assim, depois dessa hora, ficou super-policromática e aí o cenário enriqueceu e tornou-se lindo de se ver as várias espécies de Quercus salpicadas por pontos coloridos móveis deambulando em todos os sentidos dos pontos cardeais. É de facto, um espectáculo digno de se ver, centenas de orienristas (alguns são espécies, como eu) a progredirem serra a cima, serra a baixo, jovens e menos jovens, sós ou em grupo – desta vez, tive oportunidade de levar um grupo de 5 candidatos, 3 jovens e 2 menos jovens, que se portaram muito bem e, sobretudo, ficaram muito satisfeitos com a experiência e dizem querer repeti-la. Ainda bem!

A minha participação, sem ser perfeita, longe disso, decorreu bem, não foi um percurso imaculado, mas, também, não houve aquele ponto negro que mancha o percurso e desmancha, um pouco os prazeres da orientação. Como sempre, o primeiro ponto custa um pouco a "entrar", e este começo que tinha tantos caminhos que até parecia um labirinto, dificultou o arranque. Depois, houve um ou outro lá nas pedras que também não foram fáceis, mas fez-se, e assim é que é bonito!
Com 86 participantes no meu grupo (OPT2), 71 classificados, incluindo eu no 3º lugar. Sem dúvida, um resultado encorajador. Mas, só posso voltar à orientação em 17 de Novembro (Jamor – Mexa-se Mais - CPOC), até lá, vou tentar estudar mais a sinalética e outras técnicas de orientação.

O DIREITO

Parabéns à organização, não obstante estarem a participar mais de 700 atletas, superou a tarefa com muita dignidade e competência. Nos dias que hoje correm, em que os valores da solidariedade e da colaboração social são uma espécie em vias de extinção, angariar umas dezenas de voluntários e colocá-los ao serviço da orientação, é, sem dúvida, algo que merece ser altamente realçado e motivo do nosso agradecimento!

E… O TORTO

Porém, não ficava bem comigo (porque não sou hipócrita, e só assim as organizações poderão rectificar o que está ou foi mal feito) se não deixasse aqui uma nota meio negativa, relativamente ao segundo abastecimento do meu percurso: na minha modesta opinião, havia poucos copos o que obrigava a que estes fossem reutilizados, o problema é que eles não estavam a ter o melhor tratamento de lavagem.


Na estrada de Sintra ao luar, na tristeza, ante os campos e a noite,
Guiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente,
Perco-me na estrada futura, sumo-me na distância que alcanço,
E, num desejo terrível, súbido, violento, inconcebível,
Acelero...
Mas o meu coração ficou no monte de pedras, de que me desviei ao vê-lo sem vê-lo,

Poemas de Álvaro de Campos "Ao volante"



Um Abraço e até à próxima!

Orlando Duarte