Como é meu salutar hábito, cheguei cedo (8:25) à
Praia das Paredes. Entretanto no cruzamento imediatamente antes, sou informado
por uma simpática militar do RA4 que o parque de estacionamento é lá mais
abaixo. Aproveito e pergunto onde posso tomar o pequeno-almoço, ao qual aquela
linda militar responde "que no local há um bar onde o poderei fazer". Arrumada a
viatura, há que palmilhar os 1 000 mts. de distância anunciados entre o parque
de estacionamento e a Arena. Nunca pensei demorar tanto tempo para percorrer os
referidos 1 000 mts.. Todavia, passados 25 longos minutos (detesto andar a pé)
chego à dita Arena. O primeiro obstáculo estava transposto. De seguida, nova
odisseia; tomar o pequeno-almoço. Como tinha sido informado que havia um bar no
local, lá fui à procura dele. Qual não é o meu espanto quando vejo um
improvisado "bar" militar, limitado a uns pacotes daqueles produtos que as
crianças adoram com farinha e chocolate, alguns sumos e café que era tirado numa
máquina doméstica do século passado…
Como devem calcular, para estar ali aquela hora, tive de sair muito cedo de casa
(Lisboa) e, naquele momento, no interior da floresta, carente de sustento, e
perante o "bar" que estava à minha frente, foi como que um balde de água gelada
tivesse caído por mim abaixo!
Uma solícita colaboradora da organização ao tomar conhecimento da nossa situação
informa-nos que do lado sul da Arena há uma praia (Vale Furado, zona muito
bonita. Embora em vão, valeu a pena lá ter ido) e que há lá bares. Mais uma
caminhada de +/- 500 mts. mas, em vão, pois os bares estavam fechados. Voltámos
ao "bar" militar e, que remédio, lá teve que ir um bolicao abaixo e um café da
tal máquina do século passado que, afinal se revelou estar ali para as curvas e
confeccionar uns aromáticos cafés!
Nestas voltas todas, rapidamente chegámos às 10:10 e assim fiquei com muito
pouco tempo para participar na escola de orientação existente no local, e para
um candidato a uma espécie de orientista, nunca é demais tomar lições de
orientação e lá fui. Ideia engraçada: num pequeno espaço foi improvisado um
percurso para o qual havia o respectivo mapa que era dado a todos "alunos", e
que era muito engraçado para as crianças porque, para além da obrigatória
numeração, tinha figuras de banda desenhada, o que cativa mais a criança a fazer
o "jogo". Infelizmente por falta de tempo não pude fazer o percurso todo, fiz 10
dos 18 pontos, mas achei a ideia muito engraçada para as crianças e, sobretudo,
para desinibir os adultos que acham a orientação um papão!
A minha corrida
Mais uma vez tive dificuldades em "entrar" e orientar-me no percurso. O ponto 1
foi onde gastei mais tempo (6´37). Mais à frente, no ponto 4, também senti
algumas dificuldades. Era o ponto mais comprido da pernada, tinha cerca de 450
mts., e para mim, que ainda me oriento muito pelos caminhos, neste ponto a
ausência de caminhos era total…ainda assim fiz 5´09. Daí em diante tudo me
correu às mil maravilhas. O terreno, maioritariamente de areia coberta de
caruma, era fofo e de fácil progressão e 34´19 depois conluia a minha segunda
prova de orientação. Desta vez não houve o malvado anglicismo do MP e daqui
resultou um saboroso primeiro lugar no escalão, com o segundo classificado a
cerca de 20 minutos!
Cerimónia protocolar e almoço
À hora marcada começou a entrega dos prémios e pelos escalões de formação
seguindo-se os de competição. Pelo meio, houve um sorteio para os não premiados
escalões abertos (OPT1,2 e 3). Ao ver os brindes a sortear, 3 por escalão,
fiquei, no mínimo, surpreendido. Já levo alguns bons anos de actividades
desportivas e nunca pensei assistir ao sorteio de…troféus, que eram em tudo
iguais aos anteriormente referidos.
Há que referir que os troféus eram placas de vidro rectangulares com as
insígnias dos organizadores gravadas, às quais eu achei muita graça por serem,
simultaneamente, discretas mas muito bonitas.
Fiquei na dúvida se este vidro era da região (Marinha Grande). Mas tenho a
certeza que não foram fabricadas na extinta fábrica Manuel Pereira Roldão, que
há 13 anos foi encerrada após imensas jornadas de luta por parte dos seus
trabalhadores que tudo fizeram para contrariar tal decisão governamental!
Pelas 13:45 foi aberto o almoço volante oferecido pelo R A 4 e que consistia
numas bifanas no pão acompanhadas de batata frita, água, sumos e vinho tinto;
para sobremesa havia gelatinas, mousse de chocolate e fruta. Excelente momento
de convívio e confraternização entre militares e civis, organizadores, atletas e
acompanhantes e que se deve agradecer ao R A 4 e ao C O C.
Para reflexão da organização deixo duas notas negativas: o engano substancial da
distância anunciada entre o parque de estacionamento e a Arena, com a
obrigatoriedade de estacionar no referido parque, quando na zona urbana junto à
mata há espaços e que no fim se vieram a revelar muito bons para o efeito (até
uma grande camioneta de passageiros dum clube participante lá estava), E aquela
ideia de sortear troféus, nunca me tinha passado pela cabeça!
Ainda assim, Bem-haja a todos pelos bons momentos que me proporcionaram naquelas
lindas praias e matas da região litoral entre a Nazaré e São Pedro de Moel.
Um Abraço.
Orlando Duarte