Uma das vertentes que me está agarrar à orientação, é a Natureza. É inegável esta mais valia relativamente às corridas. Mais uma vez fui surpreendido com um local espectacular: a Lagoa Clementina, na zona de Valado dos Frades, Mata Nacional de Leiria. Um espelho de água com +/- 20 000 m2, com um topo com uma zona de areal, a fazer dela uma autêntica praia fluvial, onde não faltam algumas famílias de patos, o chilrear dos passarinhos e os aromas do pinhal. Há no local uma área de lazer com um fogareiro em alvenaria e mesas de apoio em madeira. E aqui é que falhamos, não se dá o devido uso às coisas, por um lado, e por outro, as autoridades competentes depois de investirem alguns milhares de euros, ignoram os equipamentos, votam-nos ao abandono, não lhes dão a devida manutenção e o resultado é desolador e confrangedor perante um quadro épico e espectacular que a mãe Natureza nos oferece.


A minha participação


Se preparasse a minha entrada meticulosamente na orientação, não o tinha feito melhor. As provas têm sido escolhidas perfeitamente ao acaso, mas ainda assim, tenho vindo, paulatinamente, a subir o grau de dificuldades e distâncias. No prova anterior (Entroncamento), a distância foi 3560 metros, agora e pela primeira vez, participei num percurso com mais de 5 km, com um piso muito sinuoso e muito arenoso, a exigir, por isso, mais energias físicas e não só, pois as energias mentais consumidas na, indispensável, concentração da leitura correcta do mapa, e para combater, algum desânimo quando nos afastamos dos pontos e passamos alguns minutos a "pastar", é também um ponto a ter em consideração. Do ponto vista físico e mental, e para esta altura da época, posso considerar que reagi muito bem a esta dura tarefa, não obstante andar com uma dor persistente no glúteo direito. Do ponto de vista técnico, de leitura do mapa e da tomada decisória de trajectos, é que foi uma lástima. Como é possível andar à procura do ponto 3 e ao cabo de vinte minutos encontrar o ponto 7!!!? E assim, bati o meu recorde de pastagem à procura dum ponto: 30 minutos. No ponto 9 andei mais vinte minutos. No ponto 4, à conta dum erro insólito da organização, andei mais vinte minutos. Até parece anedota, mas é real. Ao chegar ao ponto, a primeira coisa que faço é reparar no respectivo número, e quando eu pensava encontrar o 105, que tinha na sinalética, eis que, me aparece o 147. Não era a primeira vez que me acontecia tal coisa. Porém, desta vez, a cena repetiu-se por três vezes. Imaginem eu ali às voltas, e por mais voltas que desse o ponto que encontrava era sempre o …147. Á terceira decidi pedir ajuda, e o colega que me ajudou (que era OPT3), ao consultar o seu mapa reparou que tinha o mesmo ponto, só que, o dele, tinha o nº… 147! De imediato tomei a decisão de picar aquele ponto e avançar, pois já estava muito atrasado, ainda estava no ponto 4 e já tinha uma hora de prova!!! Depois tudo correu bem até ao 9, onde tive mais um percalço, este, tal como o primeiro, da minha autoria, mas depois foi tudo lisinho até ao fim: 1h57m55s. Confesso que estes 57 minutos para além da hora, não estavam nos meus horizontes, mas suponho, que foram fruto da inactividade das longas férias que fiz na orientação (última prova no Entroncamento em 23/06/07).



Quanto à organização, à parte do erro já referido, houve uma situação, sempre desagradável, que é duvidarem da nossa palavra. Eu fiz a minha inscrição directamente para o clube, por mensagem electrónica, onde anexei o comprovativo da transferência bancária, ao levantar o dorsal, isso não estava mencionado no envelope o que suscitou a tal dúvida, e uma espera de mais de alguns minutos pela pessoa responsável. Ao fim duma breve troca de palavras, a Senhora fez o favor de acreditar em mim, sem contudo deixar a sugestão que para a próxima devo imprimir tal comprovativo para não passar por estas situações. Mas, então, nós orientistas, amantes da natureza, não devemos ter cautela e evitar de imprimir papel sem ser por motivos de força maior? E porque é que já não se acredita na palavra das pessoas? Afinal estávamos só a falar no valor irrisório de € 10, 25!



Por fim, um reparo para o uso excessivo da língua inglesa na orientação: start, clear, event center, spor ident, open, meeting e o celebérrimo missing point. Reparem que no futebol, que teve origem na Inglaterra, foi usada, durante muito tempo, muita palavra inglesa: back, half, liner, keeper, off side, corner etc. Felizmente, a pouco e pouco, têm vindo a desaparecer do vocabulário dos portugueses. Com uma língua tão bonita e tão rica, não há necessidade, afinal de contas, não é a Pátria a nossa Língua? Depois admirem-se dos ingleses acharem que somos um país terceiro-mundista!



"O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz" Aristóteles



Acreditem que pensei muito em todas estas palavras, nas simpáticas e nas menos simpáticas. Mas, um amigo não é hipócrita. Amigo é aquele que diz aquilo que ouve, sente e vê!



Um Abraço e até à próxima!



Orlando Duarte