Depois muitas e duras horas de negociação, com
mais ou menos haréns, com mais ou menos camelos, lá chegámos a acordo, por uma
época, para representar o C. D. A. Margem Sul.
III Clac `O ´ Meeting Entroncamento
Na minha terceira participação optei por subir a parada, passei para o escalão
OPT 2.
Ao contrário do habitual, desta vez, não tive dificuldades em "entrar" no
percurso. Tudo correu bem até ao terceiro ponto. No quarto ponto, houve alguma
dificuldade e no sexto tive a minha primeira pastagem. Um azimute mal tirado
leva-me para um local muito parecido com aquele onde estava o ponto (100 mts.
mais a sul), com a agravante de haver um poço como no outro local. E foi esse
malvado ponto azul que me fez acreditar que estava no local certo à hora certa!
Puro engano. Tal como há muitas marias na terra, naquele terreno também havia
muitos poços. E como um poço é uma boa referência (penso eu), chegado à beira do
poço, há que orientar o mapa e tentar descobrir o ponto. Era suposto o ponto
estar no limite da área aberta, bem junto à zona verde-escuro no mapa, mas ali
não havia ponto nenhum. Como os "marotos" da organização de vez em quando gostam
de esconder os pontos, admiti que o ponto estivesse um pouco no interior. Entro
na vegetação alta, recebo as boas-vindas de algumas silvas, e como não encontro
o ponto saio, volto ao poço, volto a tirar outro azimute, volto a entrar na
vegetação alta, mais uns riscos nos braços… e, ao fim de três tentativas e de
quinze minutos, tomo uma atitude de bom senso: voltar ao ponto anterior. Só que
isso implicava subir toda uma ladeira íngreme de mais de cem metros, enfim, não
havia outra solução. Já cá no alto, e quando andava um pouco às voltas com o
mapa, surge um companheiro que se apercebe que está ali um maçarico meio perdido
e, apontando para o meu mapa, diz: "está a ver ali aquele copo? (símbolo)" É
onde você está! E no mesmo lapso desapareceu. Com aquela dica preciosa, pude
constatar que, de facto, tinha estado a mais de cem metros do ponto. Ainda cá em
cima, havia que avançar mais cem metros e então descer ao encontro do poço e do
ponto. Encontrado o poço, reparo logo no ponto e também reparo que o espaço era
muito parecido com o outro onde andei a pastar 15 minutos. Mais à frente tenho
outro ponto (9) que estava a tentar brincar comigo, mas esse não lhe dei
hipóteses, voltei logo atrás reorientei-me, optei por outro caminho que me levou
direitinho ao ponto. Até ao fim (ponto 14) tudo correu bem. Em suma, é um "jogo"
muito bonito e que, nesta fase, se anda ali uma hora, hora e meia sem grandes
cargas físicas ou de stress competitivo.
Tive muita sorte na opção de começar em Montachique, onde o mapa tinha uma
escala de 1: 4 000, muitos pontos (20) e muitos caminhos. Na Praia das Paredes,
também com muitos caminhos e um piso excelente, mas mais mil metros de extensão
e um mapa de 1: 7 500, aumentou o grau de dificuldade.
Este mapa era de 1: 10 000, o terreno era diferente dos anteriores, era mais
diversificado e tinha de tudo; mais subidas, vegetação diversa, vários tipos de
árvores, zonas de cultivo, enfim, mais dificuldades. Desta vez levei 1h26m40s
para completar o percurso, mas normalmente levaria uma hora. Fiz 5º lugar em 11
participantes.
Na parte da tarde, outra novidade para mim. Tivemos um percurso urbano, mais
curto e designado por Sprint. Esta prova, mais ao meu jeito, toda em estrada,
ruas, ruelas e pátios, pela sua originalidade foi, também, muito engraçada,
sobretudo pela cara que os transeuntes faziam ao ver aqueles malucos de mapa na
mão a correr dum lado para o outro. Constou-me que há orientistas mais radicais
que contestam este tipo de provas. Eu gostei e, na minha modesta opinião, acho
que é com este provas, "menos puras", que se ganham praticantes para a floresta!
Fiz 4º lugar em 6 participantes. Na classificação geral, e no conjunto das duas
provas; fiz 4º lugar em 10 participantes.
Jornada dupla, sábado totalmente preenchido de orientação, um dia inteiro de
salutar convívio com os elementos da minha equipa, só há uma palavra para
definir o meu estado de alma: ADOREI!
Mas, há sempre um mas, nem tudo foram rosas. E quanto custou este dia? Bom, um
dia não são dias! Mas será que poderei repetir mais dias como este? Penso que
não, infelizmente. Deslocação de carro ao Entroncamento com as suas inerentes
despesas, almoço e mais a inscrição de 20 euros, convenhamos que não é para
todos. Seria por isso que não estavam lá mais que 150 participantes? Um
iniciante como eu, pagar 20 euros, apesar de ser numa jornada dupla, e um
infantil não federado, pagar 14 euros, suponho não ser a melhor política para
cativar participantes! Fica a nota para reflexão de todos!
Um Abraço do tamanho do mundo para os meus colegas de equipa. E até à próxima.
Orlando Duarte