"O hábito (traje) não faz o monge", mas o hábito (treino e formação) faz o orientista.

Três meses sem contacto com o mapa e a natureza, só podiam resultar numa prestação negativa. Não há milagres, como tudo na vida, sem trabalho, treino e formação não há progresso.

Estamos em Póvoa e Meadas, uma terra nos arredores de Castelo de Vide. Aldeia pacata, plácida e cândida, tanto no seu casario de baixa volumetria, como nas suas ruas e ruelas da freguesia. É aqui que começa a minha participação, pela primeira vez, no norte alentejano o' meeting 2008.

Sábado de manhã, excelentes condições meteorológicas para a prática da modalidade. Às 11h20 comecei a prova de sprint florestal. Parti com cautela e nas calmas. Entrei bem no mapa (2'24'' no 1º ponto). Fui de ponto em ponto, com mais ou menos dificuldades, superando aquele tipo de terreno, que para mim era uma estreia. Pedras de todos os tamanhos e feitios, de uma a cem toneladas (ou mais). Não é por acaso que é em Póvoa e Meadas que se encontra o maior menir da Península Ibérica.

Tudo isso foi superado e, ao fim de 36'15'' chegava ao fim com a satisfação de dever cumprido, mas também com a noção que podia fazer melhor. 10º Lugar em 28 classificados, não é mau. Porém, o pior estava para vir. Antes de jantar, consultei os resultados e, qual não é o meu espanto quando vejo o célebre e odioso mp no meu nome! Não queria crer! Não é possível! Eu tinha a certeza que tinha passado nos pontos todos. Todavia, há situações na orientação que são exclusivas dos "espécies de orientistas"

"Os nossos maiores problemas não estão nos obstáculos do caminho, mas na escolha da direcção errada…" Augusto Cury

Um azimute mal tirado (e não só) e vou parar a um ponto alheio (38) e muito próximo do meu (39). A "ajudar", e contra o que é habitual, neste mapa para além do número sequencial, havia o número do código do ponto que, para meu azar, estava em cima dumas pedras e o nove parecia um oito, daí, eu "picar" e dá-lo como válido. Enfim, coisas de "espécie de orientistas".

À tarde, fizemos a 2ª jornada do Campeonato Nacional de Sprint. A manga decorreu na parte mais bonita e histórica da Vila de Castelo de Vide. Para não fugir à regra, fiz mais uma péssima prestação. A juntar ao esquecimento dos óculos, tomei a decisão de não levar a bússola. Na esmagadora maioria dos mapas urbanos, aquele acessório é perfeitamente dispensável. Todavia, naquela zona com muitas ruelas estreitas e oblíquas fez-me muita falta. Para que este quadro, nada abonativo, ficasse ainda mais negro, tenho uma péssima entrada no mapa ao fazer uma tremenda confusão entre um círculo duma curva de nível e o círculo do ponto um. Depois de 15 minutos para trás e para a frente e de algumas voltas tipo barata tonta, lá descobri que aquela curva de nível quase circular não era o círculo do ponto, e assim garanti o 26º lugar em 30 classificados.

Por gentileza da Câmara Municipal de Castelo de Vide, todos os participantes foram contemplados com um simples mas saboroso jantar: uma típica sopa de grão com carne, carne guisada com batatas, pão, sumos, cerveja, fruta e café. Esta sessão gastronómica e de convívio decorreu no Mercado Municipal: Face às duas ou três centenas de comensais, o local revelou-se algo exíguo. Mas assim, mais acolhedor e aconchegado face ao frio que se fazia sentir naquela noite.

Posteriormente, e a fechar o 1º dia deste norte alentejano o' meeting 2008, decorreu no auditório municipal (cheio que nem um ovo e com uma alta temperatura, nada saudável, do ar condicionado) a cerimónia protocolar do Campeonato Nacional de Sprint e a homenagem a cerca de cinco dezenas de personalidades que, de alguma forma, prestaram serviços relevantes à modalidade.

Boas pernadas e até à próxima

Orlando Duarte

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