“Pedra Bela”? Isto é uma provocação ou quê? Desde
quando uma “pedrola” pode ser bonita? Belas, só as preciosas (hehe). Não me
cheirou bem a denominação do mapa para as etapas seguintes, que iriam determinar
os novos campeões nacionais. “Vamos ter um arraial de pedreira” – prognosticava
eu (assim acertasse no “euromilhas”).
Como não há duas sem três, apanhei mais uma
molha das antigas e o que eu temia e previa veio a acontecer: mega toneladas de
granito e o desnível acentuado que lhe está inerente. Um sobe e desce imparável,
do tipo carrossel, demasiado desgastante para a “velhice”, mas como os percursos
tinham de ser idênticos para a totalidade dos escalões (exigências
regulamentares), que remédio senão aguentar e não bufar (quem não puder que
arreie).
A prova de sábado com 3.900 metros e 18
pontos, que iria escalonar a meia centena de finalistas, teve características
selectivas. O traçado era de elevado índice técnico, mas o que me afligiu e
deixou em “estado de choque”, foram as duas penedias em escarpa, que me
obrigaram a trepar para os pontos 14 e 15. O pessoal não sabe que sofro de
vertigens? Nem pude desfrutar convenientemente a paisagem, pois se olhasse para
trás, seria atacado pelas “ouras” e correria sério risco de rolar Gerês abaixo.
Estas duas pernadas “alpinas” foram
percorridas num “comboio” com mais de uma dúzia de elementos, o que dava um
certo conforto (e grande confusão), mas sem grande interesse técnico ou
competitivo. É o aspecto negativo deste género de provas, dado quase todos os
escalões terem percursos comuns. Se podia apanhar este “transporte colectivo”,
tinha de aproveitar, sou um “espécie” mas não ando a ver “passar comboios” (hehe).
De qualquer forma, tinha percorrido a maioria
dos pontos em pernadas solitárias e nos cinco controlos iniciais bem lutei com
as “pedrolas”, para ir encontrando as reentrâncias desejadas. Foi um percurso
sofrido, mas de resultado aceitável e de acordo com as minhas modestas
expectativas. Que mais poderia ansiar o “espécie de orientista” numa competição
tão séria como a do Campeonato Nacional? Livrar-se da lanterna vermelha e “viva
o velho”! Por uns “escassos” trinta e cinco minutos não fui apurado para a
final, hehe, tenho de treinar mais, estou convencido que lá para o ano 2048,
podem contar comigo no H90.
Seguiu-se a prova de consolação, que
apelidarei de “etapa dos perdedores”, este ano em moldes ligeiramente
diferentes, pois iria pontuar para o ranking e assim tínhamos uma motivação
acrescida (bah!...como se o “espécie” precisasse de qualquer incentivo).
Com um sol envergonhado a dar-me as boas
vindas, entrei na derradeira etapa de 4.100 metros, com três a quatro pontos
técnicos nas “belas pedras”, que antecederam uma longa pernada, numa descida
vertiginosa, que nos obrigava a tomar um refrescante banho, na passagem duma
providencial poça de água. Fazendo fé nas fotos que foram publicadas (obrigado
Jorge), este alegre chapinhar foi o momento de maior descontracção dos quatro
dias minhotos (uops…ai…ui…que fria…).
Não obstante os terrenos serem os mesmos da
véspera, o percurso não foi tão exigente, se bem que para mim, nada me pareceu
idêntico. Basta traçar um percurso pelo inverso, que o mapa fica logo
“transformado” (é, mas não parece). Ponham-me a descer num dia o que subi no
outro, que eu sei lá a quantas ando.
Tudo corria “na paz do Senhor”, com as
balizas a aparecer-me sem as ter de “chamar”, quando na progressão para o ponto
15 (dos 18), embico por uma linha de água abaixo, quando deveria ter subido para
o afloramento vizinho (e o Carlos Monteiro andava lá!) e esta “trapalhada”
estragou-me por completo o programa. Desci a encosta um pouco nas calmas, sempre
desconfiado que algo não estava bem, mas a certa altura apercebo-me da asneira,
ligo as “redutoras” e subo a toda a força a linha de água, só parando no penedo,
para onde me deveria ter dirigido inicialmente (com o coração que nem um
cavalo). Tenho de me poupar mais, que estes episódios deixam-me desaustinado e
rebentam-me o “motor” (uff que “sufeca”).
Arremessei-me para o chão e descansei 23
minutos…desculpem o equívoco (ai esta minha cabeça!); pastei todo esse tempo na
busca do “62”, queria eu dizer, hehe (eu e mais uns quantos). Nestas cenas de
atascanços, o cronómetro não perdoa e o tempo final ressentiu-se de que maneira
(1.38.43). Acaba por ser um resultado lisonjeiro, tendo em conta a enormidade da
“pastorícia”. Ainda não foi desta, mas para a próxima será, haja fé (ou menos “tonice”).
Nas contas finais, Raquel Costa (do simpático
e dinâmico Gafanhoeira) e Tiago Romão (representante do COC, o clube ganhador da
época), que faziam parte do lote dos favoritos, foram os brilhantes
triunfadores, mas há que destacar nos restantes lugares do pódio a presença
maciça de atletas juniores e juvenis. Uma agradável realidade, donde se pode
extrair a firme convicção, que esta ilustre geração dá garantias, de um futuro
auspicioso para a nossa modalidade.