Se fiz questão em marcar presença na prova rainha
do calendário nacional, o POM 2008, fui obrigado a andar numa fona durante os
quatro dias da competição. Com início em Tavira, passando duas vezes por Faro e
terminando em Vila Real de Santo António, originou um autêntico frenesim para o
casal da espécie de orientista.
Podíamos lá faltar ao evento, que atrai ao nosso país uma verdadeira caterva de
estrangeiros (eram para cima duns quinhentos!), do melhor que existe na
orientação mundial. Pelo menos ia ter o prazer de participar lado a lado (só nas
partidas, hehe) com alguma da elite orientista. O tal toque internacional, para
condimentar um pouco mais a carreira do “espécie”, que anda a passar por uns
momentos menos felizes.
A sociedade CIMO / Fontainhas convidou-nos no primeiro dia para a propriedade da
Conceição, quase nos limites da serra algarvia. Eu até nem conhecia a “senhora”,
mas enfim…se ela não levava a mal…aproveitávamos a hospitalidade. Um terreno que
me fez recordar um passado recente. Então não querem saber, que esta mata estava
semeada de um tipo de arbustos, ainda aparentados com o célebre “tojo ulex”?
Predominavam os vários tons de verde, que mau grado o dito parentesco,
mostraram-se bem mais dóceis e com alguma facilidade na transposição, mas tendo
em conta o seu exuberante porte, resultou que certos pontos se apresentassem
pouco menos que invisíveis (à minha “frágil” vista, claro).
Não querendo dar desculpas de mau pagador, devo salientar que a minha modesta
prestação, foi influenciada pelo agradável aroma que emanava do seio da “Sãozinha”.
Um perfume a rosmaninho, ou a poejos, ou seria das acácias (?), que me foi
embalando no seu “regaço”, sobretudo entre os pontos 8 e 12. Trinta minutos de
verdadeira interacção com a floresta. Para picar estes quatro pontos, demorei
quase tanto tempo do que despendi com os restantes dezasseis.
Foi um consolo para a alma, mas uma desgraça para o resultado final. Espero que
compreendam, que não devo contrariar a minha personalidade. Se sou um rapaz
sensível a estas “particularidades” da natureza, tenho é de desfrutar e pronto
(estou em crer, que num destes dias me vão apanhar na floresta a apanhar
borboletas, hehe).
Sinto alguma mágoa por não ter conseguido melhor performance, porque a qualidade
deste mapa (penso que os mais cépticos se renderam) merecia mais empenho por
parte do “espécie”. Não me posso queixar de falta de pormenores. Um relevo “soft”,
caminhos q.b., uma série de lagos, vegetação com fartura, curvas de nível bem
pronunciadas, apenas 4.200 metros de percurso e ausência de “pedrolas”, o que
mais poderia eu desejar? –“Um pouco mais de atenção e nada de deleites”. Mas o
que havia de fazer? Fiquei inebriado pelos “aconchegos” da Conceição (hehe) e só
tenho uma pontinha de ciúme da mão cheia de companheiros, que ainda se deliciou
mais tempo no “colo” da “Sãozinha” (mimalhos!!!).
Tentei não esmorecer, dado que a procissão ainda ia no adro. No dia seguinte, no
Pontal, teria hipótese de corrigir estes erros “afectivos”, perdão…técnicos (sou
um sonhador brincalhão!).