Continuo com a mania (ou sonho?) de que um dia
destes me tornarei um orientista de corpo inteiro. Para dar asas a essa ilusão,
no intuito de aprender alguma coisa e sem ninguém dar por isso, ousei
misturar-me com os “craques” no Campeonato Nacional de Distância Longa, que
decorreu em Estremoz…uops!...Évoramonte…uops!... Arraiolos…para ser sincero, nem
sei bem qual a localidade. Alentejo e pronto!
O programa de festas era composto por quatro dias, mas apenas marquei presença
em três e acabei a participar só em duas provas (e bastaram!), para não dar
muito nas vistas ou poderia correr o risco de ser impedido de concorrer (afinal
ainda sou um “espécie”).
Como aperitivo da “grande farra” que veio a ser a prova rainha, propuseram-nos
no dia anterior o mapa de Veiros, para nos irmos ambientando à canícula
alentejana e simultaneamente corrermos em busca dos habituais prismas. Correr
atrás deles foi mesmo o que veio acontecer a alguns, mas isso daria para um
apontamento especial (hehe).
A etapa de distância média, que consistia em quase cinco quilómetros para o meu
escalão, apresentou-se demasiado dura, se atendermos aos 9.000 metros que
teríamos de suportar no dia seguinte e com um desnível bem mais acentuado. Tudo
isto a somar ao facto de que ando preguiçoso e me tenho baldado aos treinitos.
Ora perante este quadro, milagres só mesmo no tempo da “senhora das rosas”.
Contrariamente à opinião da maioria, as minhas queixas sobre o que se passou,
incidem sobretudo no meu défice de preparação para provas mais exigentes, porque
o restante deixo para os responsáveis analisarem. Mas gostaria que os mais
afectados com as anomalias meditassem, sobre a dificuldade em colocar de pé uma
prova desta envergadura. Se a malta do COA não teve melhor desempenho, foi com
certeza porque cometeram algum erro de avaliação e depararam com uma tarefa bem
mais complicada, do que á primeira vista poderiam imaginar e… milagres são
coisas do passado.
Debaixo duns estorricantes 28º dei início à minha actividade de uma hora e vinte
e sete minutos, que consistiu basicamente em adivinhar se as zonas verdes do
mapa tinham passado a intransponíveis ou se tinham desaparecido; se as cercas
estavam completas, derrubadas ou retiradas; e se os pontos por acaso não se
tinham “afastado” para um local mais frondoso, para fugirem à força do calor.
Calhou-me em sorte o não ter de perseguir o célebre ponto “139”, que segundo
rezam as crónicas mudou de lugar uma quantidade de vezes (há quem acredite que
ele estava vivo). Só assim compreendo os vinte minutos que a minha “infeliz”
mulher levou para o agarrar (ele corria mais que ela; só o venceu pelo cansaço,
hehe).
Apesar de me ter safo daquela feroz perseguição, tive imensa dificuldade em
distinguir no terreno os verdes do mapa (ainda se fossem encarnados). Depois,
como apanhei muito sol na “moleirinha”, o ponto 10 sempre me pareceu estar
colocado antes da cerca e não depois (mas qual cerca? Estou com visões ou quê?).
Para mal dos meus pecados, enquanto andava na minha pastorícia “cercal”,
adivinhava a objectiva do nosso “paparazzi” bem assestada na minha nuca (só
passo vergonhas). Espero que ele não publique a angústia do “espécie” na busca
incessante da cerca que “estava lá…mas não devia” (hehe).
Tentei dentro das minhas limitadas capacidades técnicas, interpretar as
rasteiras que o mapa me ia pregando, sentindo uma pontinha de inveja por não ter
nenhum ponto “fugitivo”. Pois é, os outros têm e eu não…snif…snif… - “Ai é?
Também queres um? Pois procura o “108” na árvore à direita do trilho, que se
tiveres sorte encontrá-lo-ás numa árvore à esquerda (como quem toca à campainha
do vizinho) ”. Perceberam o que aconteceu? Digamos que foi uma variante de
orientação: uma “oricharada” em 18 episódios.
Viveram-se momentos diferentes, mas não deixei de tirar partido das situações
menos ortodoxas, isto é, elevei os meus níveis de fair-play (ainda estou com
azia), aumentei os meus conhecimentos em estevas, carrascos e afins (arranhões
não faltam) e terminei sem acidentes de percurso (fugi in extremis ao “mp”).
O único (?) problema foi mesmo o desgaste provocado pelo calor, que associado a
uma quilometragem, se calhar demasiado extensa para quem iria ter uma intensa
“guerra” na manhã seguinte, me deixou com o físico meio debilitado.