Há convites que não podem nem devem ser
recusados.
Um dia destes, recebi um amável convite “electrónico” da parte do nosso “amigo
de fim-de-semana” (AFIS) Joaquim Margarido, que ainda não tinha o prazer de
conhecer pessoalmente, a provocar-me para uma “excursão” de pedestrianismo, na
sua querida cidade de Ovar. Quase sem hesitar, pensei de imediato em estar
presente. O que acontece é que estava perante uma super prova. Ou seja, o
percurso configurava uma vertente lúdico-cultural, ao dar a conhecer várias
freguesias do concelho, mas pressupunha também cerca de 34 quilómetros bem
físicos (umas sete ou oito horas a dar ao pernil!).
Entrei em meditação!!! Teria estofo para o semelhante? Seria uma experiência
para esquecer ou para mais tarde recordar? Enquanto estava neste vaivém de
incertezas e de algum défice de coragem, a minha mulher dá-me uma valente ajuda.
A sua “fungadeira” da última semana evolui para uma “senhora” gripe e consigo
arranjar uma desculpa esfarrapada, para evitar a mais que provável “tareia”, que
o Margarido me estava a oferecer. Não tenho dúvidas que teria sido uma jornada
épica (o terminar em padiola também deve ter valor). Com certeza aparecerá nova
oportunidade para fazer uma incursão a estas altas quilometragens, enquanto isso
vou tentar frequentar uns “workshops”.
Logo de seguida, este contacto despoletou outro, desta vez da minha parte, a
penitenciar-me pelo meu acto de cobardia e disponibilizando-me para uma eventual
participação noutra iniciativa do género. E como os AFIS´s não sossegam, desde
logo me comprometi a participar na 48ª caminhada do grupo, no dia 4 de Novembro,
percurso a desenrolar-se entre as pontes do Freixo e da Arrábida, na mui nobre
cidade “inbicta”. Pronto…já me sentia melhor com a minha consciência (o remorso
podia tirar-me o apetite), mas sempre na expectativa, de que não acontecesse
nenhum imponderável, que me impedisse novamente de marcar presença.
E assim, lá tive de madrugar nesse belo domingo de Outono, para apanhar um
comboio antes das oito da “matina” (recordando velhos tempos) e me juntar aos
meus quarenta companheiros de caminhada, que já vinham de viagem (alguns devem
ter feito “directa”, hehe). Como “quem corre por gosto não cansa”, não fiz
qualquer sacrifício, bem pelo contrário, foi com enorme prazer que me associei a
esta malta (com as senhoras em supremacia) oriunda de vizinhas terras vareiras.
O trajecto foi alvo de alguns ajustes, pelo que o seu início passou para
Campanhã, não tendo terminado na Arrábida, mas sim em S. Bento, depois de um
desvio pela Restauração. Pelas minhas contas devem ter sido uns sete ou oito
quilómetros. Uma viagem diferente entre estas duas estações ferroviárias, em que
os longos, húmidos e escuros túneis foram substituídos pela aprazível e saudável
marginal do Douro.
O ritmo imposto foi “piano”, do tipo turístico, já que tivemos o privilégio de
contar com um verdadeiro guia, que nos ia fornecendo umas dicas sobre os locais
que íamos passando, nomeadamente as seis pontes ribeirinhas. O Joaquim Margarido
trazia a lição bem estudada e não deixou nada ao acaso, partilhando com o grupo
algumas curiosidades acerca destas obras de arte. Os caminheiros só têm de ficar
gratos.
Com um despertar de dia a lembrar tempos estivais, em simpática companhia,
perante paisagem soberba, os metros foram sendo devorados num “piscar de olhos”.
Não obstante ser domingo, fomos encontrando outros madrugadores, nas mais
variadas práticas desportivas, onde pontificaram as dezenas de ruidosos
pescadores que, junto à D. Maria, participavam num concurso. Só não consegui
perceber, se a prova era de pesca ou de quantos minutos se consegue manter a
linha estendida a dar “banho à minhoca” (é necessária muita paciência). Peixe
não vi nenhum, mas vasilhame perfilado não faltava e ainda não eram nove horas!
(hehe)
Chegados ao fundo da Restauração, eu e a minha mulher resolvemos dar um pouco de
“corda às sapatilhas”, fazendo a “escalada” até ao Jardim do Carregal em ritmo
bem mais pesado (até o eléctrico teve dificuldade em nos ultrapassar), em
companhia do nosso anfitrião, para justificarmos as camisolas amarelas (cor da
AFIS) que muito gentilmente nos foram oferecidas. O intuito deste último “forcing”,
foi para não deixar dúvidas a ninguém da nossa qualidade como caminheiros,
porque como orientistas é o que se sabe…espécies e pouco mais.
Enfim, um excelente passeio, por zonas conhecidas, que vale sempre a pena
revisitar, e mais uma porta aberta para a prática do exercício físico e o
granjear de novas amizades, que com certeza se irão solidificar num futuro
próximo, assim estes “Amigos de Fim-de-Semana” se envolvam em mais organizações.