- O porquê de “ espécie “
Vou começar por
explicar o porquê desta “espécie” de orientista. Claro que não me passou pela
cabeça ser original (como devem estar a pensar). Tem tudo a haver com a outra
“espécie”, um pouco mais felina, que nos entra pela casa dentro semanalmente.
Mas o que acontece é que se aplica à minha forma de estar na orientação como uma
luva.
Um
orientista que descobriu a modalidade numa idade “cota”. Que como desportista
praticou voleibol, onde nutria um “ódio de estimação” a todos os treinos que
implicassem corrida (ai aqueles testes de Cooper). Que participa nas provas com
o objectivo de chegar ao fim (sem mp é um êxtase), competindo apenas com o mapa
e consigo mesmo, pouco preocupado com o que os outros façam e que até há pouco
tempo ainda levava uma máquina fotográfica (não é para rir ok?), para tirar uns
“bonecos” durante a prova, é decididamente o tipo de orientista que caiu de pára
quedas na modalidade (mas de pé e bem firme).
Mas é também uma
espécie de orientista, que desde que “aterrou” na orientação, juntamente com a
mulher, já lá vai ano e meio (tanto tempo assim?), participou em mais de três
dezenas de provas. Que se federou como individual (para ser mais à séria), no
início desta época. Que conseguiu perder meia dúzia de quilos numa época (que
saudades das minhas seis arrobas). Que começou a fazer treinos de marcha e
corrida três vezes por semana (faça chuva ou sol, mas é uma canseira uff…). Que
tenta conciliar, a todo o custo, as suas responsabilidades profissionais e
familiares, de forma a poder estar presente no maior número de provas possível,
correndo o país de lés a lés, perseguindo aqueles “prismas laranjas e brancos” e
ainda por cima aguentar com todos os encargos que isso implica (mas é melhor
aqui que na farmácia não é?).
Somos um casal,
que não tendo qualquer passado em termos de corrida ou orientação (na tropa
houve umas coisas, mas foi há taaanto tempo…), estamos completamente “vidrados“
nesta modalidade, desconhecida do grande público, e que eu vou tentar, com os
meus relatos, crónicas (isto está a ficar muito pomposo), ou se calhar “um
diário de uma espécie de orientista” (parece-me melhor), fazer passar uma imagem
daquilo que a orientação tem sido para nós.
Costumo
dizer que a orientação é onde um homem quiser, seja uma mata, uma serra, um
montado, um parque ou uma cidade (os puristas excomungam-me), só é necessário um
mapa e meia dúzia dos tais pontinhos laranjas. O resto são umas horas de total
descompressão, que nos faz esquecer por completo os problemas do quotidiano (uma
”espécie” de mistura de Xanax com Prozac, mas para muito melhor ).
-
Coincidências
Numa manhã de
domingo outonal, por sinal bastante solarenga, estava com a minha mulher a
desfrutar duma esplanada, viradinha ao mar, com o ritual de “cimbalino” já
concluído, a fazer a leitura obrigatória do “nosso” JN, quando ela me chama a
atenção para um artigo da revista.
Pois é,
adivinharam. A prosa era nem mais nem menos, que a apologia ê modalidade, que se
propõe colocar a malta dos sete aos setenta e sete (até me fez lembrar o Tintin)
a competir em pé de igualdade. O verdadeiro desporto de famílias. O único que
consegue congregar avós, filhos e netos, todos na mesma competição. E ainda com
a mais valia de se desenvolver ao ar livre, com todos os benefícios que daí
podem advir. Uma modalidade que se pode praticar em grupo, com diferentes graus
de dificuldade, se quer fazer competição séria pode fazer, se prefere dar uma
bela duma caminhada, tem também essa possibilidade.
Uau!!! Era mesmo
duma coisa destas que estávamos à procura. É que eu e a minha mulher andávamos a
necessitar de fazer qualquer coisa em termos físicos, e isto caiu-nos assim de
repente como “mosca no mel”. Mas era preciso mais um empurrãozinho para nos
decidirmos. No momento ficámos entusiasmados com a ideia, mas iniciada mais uma
semana de labuta, o stress diário fez-nos esquecer aqueles momentos mais
eufóricos. Mas não houve um filósofo que disse “a vida é feita de uma sucessão
de coincidências”? Se não disse devia ter dito.
Aconteceu
algo que nos fez voltar ao artigo. Passados uns dias, estava eu a praticar a
minha outra modalidade preferida, “zapping de sofá”, quando me salta para a tv,
um resumo de provas de orientação. E esta hein? Estavam à espera? Eu também não
(coincidências). Se bem me lembro, passava uma prova em Torres Vedras,
organizada pelo Académico local. Foi o clic! Num ápice estava a remexer nos
jornais antigos (ainda bem que desobedeço á minha mulher, e não os ponho logo
fora ), em busca da célebre revista, porque tinha ideia de ter lido um endereço
de internet. Ora aí está fpo.pt!!! Yesssss.
Aqui
acontece, uma nova coincidência. O site da Federação de Orientação (o fpo.pt é
isso mesmo) naquela altura, era uma página apelativa, colorida, bastante
simples, onde quem entrasse pela primeira vez, encontrava sem esforço toda a
informação (agora infelizmente isso não se passa, mas fica para outras
“guerras”). Fiquei imediatamente a saber quais os clubes da minha zona, e vai
daí há que fazer uma chamadinha. Azar! (ou sorte?). Esse clube já não existia,
mas quem me atendeu, por coincidência, era um antigo praticante, que logo deu
uma dica “porque não liga à FPO?”. É isso mesmo, vou directamente à fonte.
Apareceu-me ao telefone alguém antipático (tipo funcionária de repartição),
cheia de azia? Pois não senhor, pelo contrário, fui atendido por uma “menina”(?)
simpatiquérrima
, com vozinha de “Marta dos seguros”
(outra coincidência), que me deu a informação mais importante e definitiva:
“vou-lhe dar o contacto de um dirigente do GD4Caminhos”.
E esta foi, por
ventura, a maior e decisiva coincidência.
-
Contacto imediato
Não obstante
ter decorrido algum tempo, não queria deixar de partilhar a experiência do meu
primeiro contacto com a modalidade. Depois daquelas coincidências, que há tempos
descrevi, faço então um telefonema para Fernando Costa (o dirigente do GD4C era
ele). Aparece-me ao telefone uma pessoa, que não me conhecendo de lado nenhum,
me tratou como um amigo de longa data. Claro que eu queria informações sobre
orientação, portanto só poderia ser uma pessoa de bem
. Foi uma conversa
entre dois “amigos”.
O Fernando
deu-me uma primeira impressão altamente positiva, ao transmitir, naqueles cerca
de 15 minutos, tudo o que eu necessitava para ser mais um (ou dois) a entrar
para a “grande família”. A sua maneira informal, simpática, o entusiasmo
contagiante ao referir-se aos aspectos positivos da “sua” orientação (nada de
negativo),” alegria que emanava das suas palavras, por poder recrutar mais dois
para as “fileiras”, foram determinantes para a minha decisão. O importante é que
nós aparecêssemos numa prova! “A partir daí vocês vão ficar apanhados!”. Era uma
premonição? Fiquei com a sensação de que ele falava com convicção. O tempo veio
provar que ele tinha razão.
Só faltava o
contacto no terreno. O sentir o pulso a uma prova a sério. E a situação
proporcionou-se logo de seguida. Foi mais uma coincidência. A prova que se
seguia no calendário, era o Campeonato Nacional de Distância Ultra Longa, em
Ilhavo, da responsabilidade do Ori Estarreja, que por casualidade (para não ser
coincidência), ficava a poucos quilómetros de casa.
Não houve
hesitações. Eu e a minha mulher no “célebre” 10 de Dezembro de 2005, por sinal
um dia bem bonito (bom auspicio?), arrancamos para uma jornada que foi e,
continua a ser, uma das melhores opções da nossa vida (esquecendo a do “juntar
dos trapinhos”).
Chegados ao
local da prova (bastou seguir as setas laranjas), constatamos que devíamos ser
dos últimos, dado que quase não tínhamos estacionamento, falha que nunca mais
cometemos (se calhar a única).
Parecia um daqueles encontros de empresa. Toda a malta se conhecia, reinava a
boa disposição, ultimavam-se os preparativos para as partidas e ninguém se
parecia incomodar com aquele “caos organizado”. Confesso que nos sentimos um
tanto deslocados. Mas por pouco tempo. Esta malta da orientação não deixa que os
“maçaricos” se marginalizem. Logo nos perguntaram se era a “primeira vez”
(devíamos ter algum painel na testa
). “Nah!!! Primeira?
Primeiríssima!!! “. Umas boas risadas e logo nos sentimos em casa.
No instante imediato já estava a cumprimentar
o Fernando (ainda não nos conhecíamos pessoalmente), que logo se disponibilizou
para fazer a prova connosco, como monitor, mal acabasse o seu percurso. Teria
sido uma honra, mas achei que seria uma “violência” para ele, visto a sua prova
rondar os quinze quilómetros e ainda teria de levar como “sobremesa” com mais
quatro, a aturar principiantes. Mas ficou a intenção.
Procedemos á
inscrição no escalão aberto de Fácil Curto, tendo solicitado um orientador. Aqui
não posso deixar de realçar a simpatia das “meninas/senhoras
” do
secretariado, que mais tarde vim a conhecer, as atletas do Estarreja, Cristina
Estrela e Manuela Nogueira, que logo comentaram, que este terreno (suaves dunas
) era o mais indicado para quem se queria iniciar e que nos iriam
arranjar um “professor” bem qualificado (promessa cumprida).
Na zona das
partidas, juntaram-se a nós mais dois elementos, uma senhora de Águeda (com a
minha antiguidade) e um “moço” de nove anos que por acaso se chamava Moço, o
Ricardo (encontramo-lo mais tarde na Tocha). Estes dois tinham bússola(?). “Eu
bem te disse que faltava alguma coisa”, segreda a minha mulher, quase
envergonhada com o esquecimento. Era o inicio da espécie de orientista .
Em cima da hora,
eis que chega o nosso “profe”, Altino Silva de seu nome, figura bem conhecida no
meio. Elemento do clube organizador e dos atletas mais antigos na modalidade.
Foi mais uma feliz coincidência. Fizemos o percurso nas calmas (o Moço bem
queria correr, mas para onde? calma….). O Altino fazendo uso da sua experiência,
foi chamando a atenção, para os pormenores do terreno, vegetação, relevo,
caminhos, deu umas dicas com a bússola sobre azimutes (na altura grande
palavrão). Reconheço agora, que naquele momento, foi-nos transmitido o abc da
orientação. O essencial para um primeiro contacto. Não estávamos á espera de
tanto. Tenho de louvar a sua paciência, ao responder ás questões disparatadas
que fomos colocando (até coro só de me lembrar). E sempre com um sorriso. Num
ápice (1.26.46) estávamos no finish. O passeio tinha sido tão agradável que nem
demos pelo passar do tempo (mas estava com uma “fomeca”, eram quase quinze horas
c´os diabos!). O chá quente foi recebido com vivas!
Altino Silva é
considerado por mim e pela minha mulher, como o nosso padrinho na modalidade,
facto que já tivemos oportunidade de lhe transmitir. Foi o elo que faltava para
o nosso contacto imediato. Fernando Costa tinha sido o “definitivo contacto “.
A partir daqui é “istória”!
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Degrau a degrau (1)
A primeira
experiência tinha sido tão agradável (na orientação ok?), que eu só esperava
(com ataques de ansiedade) pelo dia em que a poderia repetir.
“Da próxima vez não
vamos pedir monitor.” – decretou a minha mulher. E quando elas mandam…
Seguia-se uma prova
em Melres, que nós só demos conta que seria urbana, no local. Coisas de espécie
de orientista. Mas não fez qualquer diferença. O plano estava traçado, Fácil
Curto e vamos os dois como par. Naquele momento, sentíamos necessidade em irmos
juntos, para nos apoiarmos mutuamente na “desgraça”. E já tínhamos bússolas!
Acabaram por não ser necessárias neste percurso rústico-urbano (oh desilusão!).
A coisa nem correu mal e deu-nos cá um moral!
De tal forma que
resolvemos, na prova seguinte, participar no Fácil Longo. Asneira!!! Estes
percursos em Casal dos Bernardos, não eram bem em terreno propicio a
principiantes (leia-se totós). Levamos uma tareia de tal ordem, que o nosso
moral desceu no “barómetro” (não confundir com o das sondagens) para níveis
quase negativos. Só mesmo o terminarmos sem “mp” compensou.
Ora bem,
“quem não tem cão caça com gato”. Se ainda não tínhamos pedalada para Fácil
Longo, voltamos ao Fácil Curto! Um pouco frustrante, mas enfim... E rumamos para
Estarreja. Momentos de glória!!! Depois de duas etapas, uma na mata de Canelas e
outra pelas artérias da cidade, conseguimos um “estrondoso” segundo lugar (e
participaram mais de dois). Ficamos nas nuvens. E fiquem a saber que fomos
presenteados com dois troféus: uma regueifa doce e um guardanapo. Isto foi
verdade (não é ficção), mas para nós teve um tal significado, que os guardamos
religiosamente. Diz-me a minha mulher que só guardou o “paninho”, visto que a
regueifa “marchou” na hora. Juro que nem me lembrava (hehe).
Nessa altura foi
necessário convocar uma reunião de família (eu e ela), para discutir o passo
seguinte. Depois de longas horas de desgastante debate (o tempo que levou a
“deitar abaixo” uns bons nacos de leitão), ficou decidido passar para Fácil
Longo e não voltar atrás “aconteça o que acontecer”.
Com o
propósito de irmos evoluindo em termos técnicos, participamos em mais de uma
dúzia de provas em Fácil Longo e sempre como um verdadeiro “casal” (coisas de
românticos
). A intenção era a de nos ajudarmos (ou não)
mutuamente, sempre que tivéssemos de tomar opções (um dizia norte, o outro sul
). Simultaneamente houve um aprimorar físico (a fome que passei!)
e o processo de envolvimento na “grande família” ia-se desenvolvendo.
-
Degrau a
degrau (2)
Neste nosso
périplo pelo pais, tivemos oportunidade de marcar presença numa das etapas do
POM 2006, no Pego, que mau grado a intempérie, nos facultou o primeiro contacto
com atletas de outras latitudes. Não conseguimos aprender nada (ainda era muita
areia), mas foi fixe “conhecer” o Gueorgiou (que é como quem diz vê-lo passar
duas ou três vezes), um dos melhores orientistas a nível mundial.
Entretanto,
ainda conseguimos marcar presença no pódio, em mais quatro ocasiões, que se não
acrescentou nada em termos técnicos, deu para levantar os níveis de confiança e
aumentar a motivação pela modalidade (se é que ainda podia subir). E o bem que
fazia ao ego? Neste momento, estes prémios não teriam sido possíveis, dado que
os OPT`s não têm direito a nada (uma medida miope).
De vez em
quando, ao fazer o ponto de situação, vinha “á baila” o tema da “separação”.
Quando nos iniciamos a competir sozinhos? “Ai que medo!” “Sozinhos para quê?”
“Isto assim é que está bem!” Mas sabíamos que não era verdade. A decisão teria
de ser tomada.
A época
aproximava-se do seu término, e o doloroso momento da definitiva decisão estava
latente. Seguimos para férias um pouco mais cedo e, estando no Algarve, tivemos
o nosso minuto de coragem (o vento suão deu uma ajudinha). Vamos a Sto. André
(aprox.250 km, a loucura continua) á prova do COALA! Ok! Fácil Longo mas…separadosJ.
Decisão assim tão célere (cerca de sete meses), só rivaliza mesmo com as dos
nossos tribunais (hehe). Saibam os meus amigos que fomos novamente ao pódio
(primeiro e terceiro)! E separados, é obra! Por ventura seria o nosso último
momento de sucesso!!! (mas não foi).
Era
inevitável. Mas este novo degrau despoletou um outro dilema. Que vamos fazer
para a próxima época? Continuamos nos escalões abertos, federamo-nos como
individuais ou arranjamos um clube? Como não tinha conhecimento que existissem
clubes para “espécie de orientistas”, esta questão estava resolvida. Mas não era
verdade. Tivemos um honroso convite do GD4C, que declinámos, apenas porque não
tínhamos nada (qualidade?) para dar ao clube (mais tarde quem sabe). Para mim
tivemos receio de “fazer feio”. No entanto, este episódio veio acelerar a nossa
decisão.
Resolvemos
federar-nos como individuais, por uma questão de liberdade e autonomia (razões
bem fortes não é?) e abrimos assim a porta á participação nos escalões de
competição (degrau bem alto, dava vertigens).
Com o
inicio da época 2006/2007, influenciado pelo período de defeso (digo eu), a
nossa coragem voltou a falhar (também nunca foi muita), e arrancamos nos
escalões abertos, se bem que eu num “arrojado” acesso de adrenalina, decidi
competir em OPT3 (mal sabia o que me esperava), continuando a minha mulher em
OPT2. Não sendo o passo final, foi mais um saltinho. Aqui justifica-se um
parênteses. Época nova, equipamento novo. Abrimos os cordões á bolsa e
vestimo-nos a rigor dos pés á cabeça. Uns fatinhos bem giros e sapatos a
condizer, bem janotas, e tudo isto da “estranja”. Até as bússolas eram o “último
grito”. Bateu-nos um complexo de orientista, mas não deixamos de ser uma
espécie.
O
combinado, era participar em algumas provas em OPT, e depois seguir-se-ia nova
fase na “fulgurante carreira” deste espécie de orientista. Mas houve “traição”.
A minha mulher, á revelia, decidiu passar a competir no seu escalão de
competição, logo ao fim de três provas (deve ter tomado alguma medicação
especial ), o que despoletou um acto de revolta da minha parte. “Se ela pode,
eu, que sou o lidimo representante do sexo forte, não posso dar parte de fraco!”
(macho é assim).
Então, na
prova de Penela, do seu castelo altaneiro, assistiu-se ao aparecimento (ao vivo
e a cores), em escalões de competição, do verdadeiro espécie de orientista. O
que elas nos obrigam a fazer! Já não era sem tempo.
Fiquei no
limiar do derradeiro degrau, a “promoção” a orientista
Momentos – “mp”
A minha aventura pela orientação, ainda que curta, tem sido recheada de momentos
francamente bons e de outros menos positivos (felizmente poucos), mas sempre
inesquecíveis. Existiram momentos engraçados, alguns bem caricatos, uns tantos
de frustração, outros carregados de ansiedade, uns mesmo hilariantes, os
nostálgicos também marcaram presença, um ou outro preocupante, os “gloriosos” e
até alguns bem emotivos, aliados a um momento de profunda saudade. Enfim, uma
sequência em turbilhão de emoções, só possível nesta nossa modalidade de
características especiais em que cada prova é um autêntico manancial de “istórias”.
Houve de facto, certos momentos de que continuo a recordar-me. Porque foram
marcantes em determinada altura, ou porque pura e simplesmente, não penso noutra
coisa, senão nestas andanças de espécie de orientista (inclino-me mais para esta
hipótese). Um qualquer especialista em comportamentos, diria que estamos perante
um “orientodependente” (“ganda” termo, vou registar a patenteJ), mas de fácil
terapia: um mapa, bússola e pés ao caminho (nem que seja de “chanatos”).
Estes momentos de intensidade e duração variáveis, tanto se passaram num
“estalar de dedos”, como se estenderam por longos períodos, resultando em
autênticos episódios de telenovela (formato mexicano).
Missing point_
O terror dos orientistas. O ponto perdido, esquecido, ultrapassado, falhado, não
marcado, “adormecido” (hehe o meu preferido), o que quiserem, mas também alguma
“nabice”e “resmas” de frustração. O momento que qualquer atleta pede dispensa.
Posso até afirmar que 99% da malta que é confrontada, no final da sua prova, com
este malvado “anglicismo” (mp), fica com a sensação de ter levado um soco no
estômago (apareça um que me contradiga). Infelizmente toda a gente da orientação
já passou por este sofrimento. Faz parte da aprendizagem e enriquece o
curriculum.
Como tal, aqui o vosso amigo
também já teve direito a esta amarga experiência. Mas estando em presença de uma
“espécie de orientista”, a situação podia ter contornos de catástrofe, atendendo
que já participei em mais de cinco dúzias de percursos (estatísticas
fidedignas). Mas na realidade, se há um facto de que me posso orgulhar (coloquei
a babete), é de apenas ter sido “premiado” duas vezes, com esse famigerado “mp”
(não precisam de abrir a boca de espanto), e logo na mesma prova.
Então perguntam vocês: “Como é que foi possível tamanha coincidência?” (há quem
lhe chame “asnice”). Já que insistem, eu passo a contar.
Há dias que um homem não se devia levantar para ir a Santo Tirso, participar nas
três etapas da prova, e em duas delas esquecer-se do bip..bip…depois regressar e
ter uma noite de pesadelos (tive de fazer psicanálise). Não perceberam?
Pois…ainda estou a recuperar do trauma (hehe).
No sprint nocturno da cidade, “esgadanhei-me” todo para obter um resultado
digno. Mal chego à praça, onde se situavam as chegadas, controlo um ponto,
“paredes meias” com o 200 e zás…finish. Mas não era bem assim (foi uma
“armadilha”, snif… ) . Verdadeiro “Mr.Magoo”, nem me apercebi que ainda faltavam
dois pontos (e eu a pensar ter feito um “tempo canhão”).
Estes mapas a verde escuro e cinzento, com o traçado vermelho dos percursos, são
um quebra cabeças, para quem “à noite todos os gatos são pardos”. Nem a
lanterninha de “mineiro” me salvou. Sou um pitosga e pronto! Contudo, este lapso
teve tanto de oftalmológico como de “espécie de…”, dado que os pontos eram 18 e
não 16. O “depressa e bem”, em orientação, não se coaduna com atabalhoamentos.
Enfim, valha-me a N. Sra. da Assunção. Mas não valeu.
No dia seguinte, dando continuidade à minha “veia” desastrada, no monte da Sra.
da Assunção, e numa etapa bem engendrada pelos TST, aparece o ponto onde se
tinha de trocar o mapa. Meu Deus que confusão! Para além do mapa, troquei também
as voltas. A minha consumição era tanta que, “mapa para cá e toca a desandar”! E
o ponto seu “cabeça no ar” e o ponto?
LUIS PEREIRA