Passei estes últimos dias a vasculhar a minha
“caixinha” de recordações da orientação, no intuito de encontrar algum episódio,
uma peripécia, um momento que fosse, em que tivesse sido protagonista com o
Diogo Miguel. Nesta altura sentir-me-ia extremamente honrado se isso tivesse
acontecido. Mau grado a minha busca exaustiva, não tive até à data, qualquer
situação em comum.
Para além duns “bons dias” de cortesia e de uma colaboração ocasional, algures
num monte, não tenho nenhum outro relacionamento com o Diogo. Seremos, quando
muito, uns “primos” afastados, pertencentes à grande família que é a nossa
modalidade. Apenas um pormenor, eu sei bem quem é o Diogo Miguel, mas com
certeza que o espécie de orientista “Luís Pereira” não lhe deve dizer nada.
Mas atendendo a que já participei em “n” provas, onde ele também esteve
presente, consegui apanhar alguns “flashes”. E a ideia que sempre tive deste
“menino”, foi a sua disponibilidade para colaborar, um voluntário para todo o
serviço. Posso estar redondamente enganado (e se estiver, deixem passar que o
rapaz merece), mas é a sensação com que fiquei, depois de observar o seu
comportamento, numa dezena de provas organizadas pelo seu clube, o Ori-Estarreja.
A última visão que tenho do Diogo, é a dum vulto surgido do meio do nevoeiro,
descendo uma encosta a alta velocidade, debaixo de uma chuva impiedosa, a
terminar o teste ao percurso dos Seniores, na recente etapa da Coelheira,
saudado com palmas pelos colegas. Este seu voluntarismo merece mesmo aplausos.
“Fiz cerca de uma hora, mas não tive problemas técnicos, o mato e as subidas é
que me atrasaram um pouco”. Comentário dele para o António Amador, quando
questionado sobre o percurso. Nesse momento encontrava-me em “meditação”, no
abrigo da tenda do secretariado, a ganhar coragem para participar na prova. Ao
testemunhar o espírito de sacrifício deste jovem, fui acometido por um acesso de
vergonha, pela minha cobardia, respirei fundo e enfrentei a intempérie de peito
aberto (sou um voluntário pró tímido)
Algo me diz, que foi o seu espírito de voluntariedade, que o deve ter motivado
para este histórico resultado. Se mais ninguém se “chegou à frente” para trazer
uma medalha para o nosso país, ele levantou o braço e…“eu vou lá tentar”. Terá
sido assim grande Diogo?
Para além de ser um atleta acima da média, ainda com uma enorme margem de
progressão, ressalta nele a humildade e a fibra dos grandes campeões. E se as
luzes da ribalta não o ofuscarem, poderemos num futuro próximo, esperar novos e
gloriosos feitos, deste nosso novo herói.
Daqui, presto a minha modesta vassalagem, ao primeiro monarca do reino da
orientação.
*“Salvé, el-rei D. Diogo, o “Voluntarioso”.*