JUREI TER POR COMPANHEIRA…

 

 

 

 

Serenamente, regresso. O fim-de-semana está prestes a terminar e o trajecto para casa é feito sem pressas, ao correr do tempo, como se instintivamente me negasse a abandonar o Alentejo. Mergulhado nos meus pensamentos sigo em silêncio à medida que a tarde cai. Presa ao retrovisor do carro, a pequena “baliza” laranja e branca baloiça à minha frente, acenando-me. Fixo nela o olhar, esboço um sorriso nostálgico. Depois fito o espelho e olho para trás, bem lá para trás…

 

 

 

 

Manhã de sexta-feira. O dia acorda chuvoso e frio. Saio de casa rumo a Nisa e ao Norte Alentejano O’Meeting. “Somos filhos da madrugada”, penso. Quero chegar rapidamente à Amieira do Tejo mas as grossas bátegas de água aconselham prudência. Devo refrear o meu entusiasmo e esperar o tempo necessário para abrir essa verdadeira “caixinha de surpresas” chamada Orientação. Conheço-lhe os princípios e fundamentos, mas sei que estou apenas perante a ponta do iceberg. Necessito compreender o que a torna tão especial, qual poção mágica que confere o dom da eloquência aos que dela vivem e que transforma cada conversa num abundante manancial de excitante descoberta. Quero mergulhar nessa fonte também, sorver a sua essência, beber a sua alma.

 

 

 

 

 

 

Ali está o rio”. A partir da margem Sul espraia-se o meu adorado Alentejo, terra de sonho e de sonhos onde me perco e me encontro. Por agora estou perdido. Barragem, EN 359, nada… Regresso ao ponto de partida. Outra barragem, outra vez a EN 359 (!) e o resultado volta a ser negativo. Mais uma inversão de marcha e de novo no ponto de partida. À terceira é de vez. Lá dou com a barragem certa, com a estrada certa e chego à Amieira. Tanto engano para quem vem para uma prova de Orientação só pode ser prenúncio de “desastre”. Afinal, acabava de pôr em prática um dos princípios básicos da modalidade: “Se estás perdido, não persistas nos erro. Volta ao princípio e reorienta-te”. Como em tudo na vida!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A hora é de almoço. No “epicentro” desta fantástica Organização um homem merece uma menção especial. É Fernando Costa e é ele que me recebe de braços abertos, me apresenta ao “núcleo duro” e “menos duro”, que faz questão em integrar-me nessa fantástica “família” que é o Grupo Desportivo 4 Caminhos. Porém, agora, “o que faz falta é dar comer à malta”. Não me faço rogado. Sento-me à mesa, “aconchego” o estômago com uma divinal canja de frango caseiro e entrego-me às fatias de porco com feijão preto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para além da deliciosa paleta de sabores que me sacia o corpo, o almoço serve para alimentar igualmente o espírito. Fico a saber da importância da bússola, inteiro-me da sinalética, familiarizo-me com termos como topografia, desníveis, ressaltos. E adquiro uma ideia mais precisa da pesada máquina organizativa. Dos apoios à logística, dos percursos aos mapas. “Sete mil almas contadas laboraram a preceito”. Tudo parece montado ao pormenor, as hipotéticas falhas identificadas e as correspondentes alternativas devidamente equacionadas.

 

 

 

 

 

Agora é tempo de arrancar para Nisa, visitar o Secretariado da Prova e seguir para Arez, para um percurso de demonstração no campo. Será uma estreia, mas para tudo há uma primeira vez. “De não saber o que me espera”, a tarde promete!

 

JOAQUIM MARGARIDO

 

  

 

  

 

  

 

  

 

 

 

 

Joaquim Margarido entrevista Fernando Costa