Arez – A minha primeira
experiência na Orientação
I
Castelo de Vide – “A minha terra”
Conhecida por muitos como a «Sintra do Alentejo», Castelo de Vide é sem dúvida
um dos testemunhos vivos do burgo medieval. As suas ruas íngremes e sinuosas, o
seu castelo são sinais vivos que marcam esta majestosa terra como o estandarte
mais alto do Nordeste Alentejano.
Castelo de Vide e Marvão foram durante duas décadas “a minha terra”, era para lá
que me dirigia nas épocas festivas, Páscoa, Festa da castanha, Festa de Marvão,
Matança do porco, largadas de touros etc.
Quando tive conhecimento da realização do “Norte Alentejano” em orientação,
nesta região do País, tomei de imediato a decisão de realizar ali a minha
primeira experiência na modalidade. Andava a adiar de ano para ano. Em 1998 na
messe de oficiais de Lagos, numa conversa com Ricardo Nogueira, tinha então
tomado a decisão de entrar numa competição de orientação, mas por azar essa
prova coincidia com uma maratona em que já estava inscrito e ficou assim adiada
a minha estreia. O destino seria Arez !
Sexta-feira, 23 de Fevereiro saio de Lisboa sozinho às 10 horas da manhã. Pelo
caminho recordo alguns belos treinos que efectuei na Serra de São Mamede, na
Senhora da Penha, em Póvoa e Meadas, em São Salvador da Aramenha, em Santo
António das Areias e nos Galegos junto à Fronteira. Mas um desses treinos está
marcado para sempre na minha memória e guardado no meu coração como um dos mais
emocionantes acontecimentos sobre treino em que participei.
O Ti Casimiro.
Escrevi sobre ele em 23 de Dezembro de 2006, aqui fica o link para quem não leu
e uma foto da fonte dos coelhos, onde efectuámos um dos abastecimentos com
Marvão em pano de fundo. Decorria o ano de 1975.

O Parque natural da Serra de São Mamede constitui o elemento mais significativo
ao nível do património natural do nosso País. Considero esta zona excelente para
a prática da caminhada e da orientação.
Cheguei a Castelo de Vide à hora de almoço, aproveitei para matar saudades de
Marvão, matar saudades daquele silêncio que por vezes se confunde com a
paisagem. Fui a Valência de Alcântara meter gasóleo e almocei na portagem junto
à piscina natural sobre o rio Sever.

Pelas 18 horas regresso a Castelo de Vide e de imediato começo a ver
movimentações de atletas estrangeiros que estavam hospedados no mesmo hotel que
eu. Uma brisa fria vinda da serra convida-nos a um bom jantar à lareira e a uma
noite bem quente e descansada. O dia seguinte vai ser duro!
EDUARDO SANTOS