Foi há 494 anos…

FORAL DE OVAR COMEMORADO NA EB 2,3 ANTÓNIO DIAS SIMÕES

A 10 de Fevereiro de 1514, D. Manuel concedeu a Ovar a sua lei orgânica local, a lei escrita pela qual se regeram os habitantes do povoado nas suas relações recíprocas e nas relações com a coroa, o seu foral.

Volvidos 494 anos sobre tão significativo momento histórico, o Grupo de História da EB 2,3 António Dias Simões levou a cabo uma actividade alusiva ao acontecimento. No recreio daquela instituição de ensino se ergueram palco e pelourinho, por ali desfilaram a nobreza e representantes do clero, ali se mostraram as gentes do povo com as suas artes ligadas ao mar ou ao amanho das terras, ali se mostraram tocadores e bailadores, ali se puniu, ali se comeu e bebeu.

Com entusiasmo se agarrou a oportunidade de falar da História – da NOSSA História! - duma forma simultaneamente didáctica e lúdica, envolvendo um número apreciável de figurantes, dando voz aos protagonistas do acto em si e chamando à cena figuras incontornáveis, coevas do acontecimento: Damião de Góis, Garcia de Resende ou Luís Vaz de Camões. Momento alto do acto soleníssimo, esse singelo e sentido pedido de Joaquim de Castro, em nome da vila de Ovar e Cabanões, a D. Francisco, Conde de Vila Flor, para que intercedesse junto de el-Rei e “se dignasse lembrar-se do estado em que se encontram as nossas fontes, os caminhos, o Cais da Ribeira…” Foi assim há cinco séculos atrás, assim permanece no dias de hoje. Quem diria!

Sentenças com imaginação

Caminhando para o final, o episódio da leitura das sentenças fez as delícias dos presentes. Entre elas, destaque para este primor de imaginação: “Tu, Afonso, por teres usado o telemóvel em E.V.T., ficarás proibido de falar até à Quaresma!”. Ou, “tu, António, por rebentares dois cacifos no Pavilhão B, serás suspenso nos ferros do pelourinho, do nascer ao pôr-do-sol”. Ou ainda, “tu, Diogo, por urinares nas plantas, ficarás sem beber durante dois dias”. Um momento bem divertido, ao qual se seguiu a diversão maior dum lanche “medieval”, servido no aconchegado terreiro batido por um radioso sol.

Terá faltado público – leia-se, estudantes – a este pedacinho com história. E talvez se deva acrescentar que, dos poucos que marcaram presença, nem todos se mostraram à altura das circunstâncias. Ainda assim valeu bem a pena e os intervenientes estão de parabéns.

JOAQUIM MARGARIDO