Volte face dá vitória à formação espanhola da TEVA

DESAFIO SUPERADO COM SUCESSO

 Foi uma chegada molhada a que as equipas participantes na Estoril Portugal XPD Race viveram hoje na praia do Tamariz. Após quatro dias non-stop, 81 horas e 500km percorridos desembarcaram, quais conquistadores, nas areias da praia. Para todos havia champanhe, mas para os vencedores — os espanhóis da TEVA — havia o extra de terem garantido um lugar no Campeonato do Mundo de corridas de aventura, a realizar no Brasil em 2008.

Foram quatro dias vividos intensamente. Quatro dias de muito suor, algumas lágrimas e muitos sorrisos, porque a boa disposição também é importante nestas coisas da superação de limites. E foram muitos os limites que as equipas participantes na Estoril Portugal XPD Race foram superando ao longo de 500km de prova. Um percurso longo que os levou do Parque Natural de Sintra Cascais até às Serras de Aire e Candeeiros, de Montejunto ao Ribatejo. No fim, a certeza do dever cumprido. Para a história ficam os resultados. A vitória para a formação espanhola TEVA, e um brilhante segundo lugar (resultados oficiosos) para os portugueses do Clube Praças da Armada. 

Ao longo de quatro dias muito pode acontecer e o que num dia é verdade não o será necessariamente no outro. Foi isso mesmo que aconteceu na XPD Race. Se ao final da tarde de ontem tudo parecia indicar que a vitória nesta etapa da Adventure Racing World Series (ARWS) seria disputada pelas duas equipas da República Checa, pouco depois tudo se alterou e acabou por ser a TEVA a grande vencedora. Depois de terem falhado a secção de patins em linha, ficando em desvantagem com menos um ponto de controlo que os seus adversários directos, horas depois foi a vez dos checos da Alpine Pro — os líderes — arruinarem a sua prova ao perderem os mapas da etapa durante a tirada de canoagem entre o Reguengo do Alviela e a Azambuja.

 

“Não estávamos à espera deste resultado porque tínhamos aqui grandes equipas”, admitia com humildade Aurélio Olivar, um dos elementos da TEVA à chegada ao Tamariz. O segredo do sucesso não é fácil de dar mas um bom entrosamento entre os quatro elementos da equipa, três espanhóis e uma brasileira — o membro feminino — uma correcta gestão do esforço, uma boa estratégia e muito boa disposição, talvez estejam entre os ingredientes. 

“Foi uma corrida muito disputada e muito longa, como se provou em 80 horas muita coisa pode acontecer. Tivemos alguma sorte e formámos uma grande equipa. A Fernanda, que conhecemos pouco antes da prova, é fantástica. Nunca perdeu o sorriso do princípio ao fim da prova e nunca a ouvi queixar-se de nada. Foi uma prova maravilhosa”, garante Aurélio. 

UMA EQUIPA DE ARMAS

Quem também não acreditava no bom resultado final era a equipa do Clube Praças da Armada. Visivelmente cansados e com algumas dificuldades para aportarem à praia, não tiveram dúvidas em considerar que esta foi “uma aventura a sério.” “Estamos com muito sono, muito cansados, com uma noite em branco em cima mas muito satisfeitos”, admitia José Marques, enquanto Rute Costa se tentava aquecer da melhor forma possível, enquanto Eduardo Sebastião e António Moura se esforçavam para conduzir o caiaque até à margem. 

O saldo também é positivo por parte da organização. Alexandre Guedes da Silva, coordenador-geral do evento, não hesita em dizer que esta foi “uma aposta ganha.” “Este era um modelo novo, com grandes dificuldades organizativas e que requeria um grande planeamento. Esta foi uma prova selectiva e disputada até ao último minuto”, referia no final o responsável pela Associação Portuguesa de Corridas de Aventura (APCA), a organizadora da XPD Race, que espera agora ter o Mundial de 2009 em Portugal.  

MAIS INFORMAÇÕES: www.portugalxpdrace.com