MAFRA, OS SINOS (CARRILHÕES) E A CORRIDA
Mafra foi conquistada aos Mouros em 1147 e recebeu Foral em 1190.
O nome de Mafra continua sem se saber a sua origem. Em 1189 era Mafara, Malfora em 1201 e Mafora em 1288. há quem defenda que a sua origem vem do arquétipo de Turânico – Mahara, a grande Ara, vestígio de um culto de fecundidade feminina outrora existente no aro da Vila.
Vila outrora fortificada, ainda hoje há vestígios da muralha que a cercava.
Em 1513, o Rei D. Manuel concede Foral Novo a Mafra. Porém, a população diminui substancialmente e em 1527 havia apenas 191 habitantes. Em 1717, o Rei D. João V lança a primeira pedra da construção do Palácio. Em 1807, as tropas de Napoleão invadem Mafra e montam Quartel-General no Palácio sob o comando do General Luison. Em 5 de Outubro de 1910, Mafra vive um dia único. A revolução republicana estalara na véspera em Lisboa, o Rei D. Manuel II refugiara-se durante a noite no Palácio e abandonava Mafra no dia seguinte acompanhado de sua mãe rumo à Ericeira onde o Iate D. Amélia os conduziria a Gibraltar e ao exílio.
Mafra tem 17 freguesias, +/- 55 000 habitantes, tendo a freguesia de Mafra cerca de 11 000 habitantes.
No Palácio de Mafra há dois carrilhões: um na torre sul – o único que está operacional – e outro na torre norte. Como se sabe o convento de Mafra foi mandado construir por D. João V. O que muita gente não sabe é o porquê. Foi a partir duma promessa. Promessas que hoje estamos fartos, mas naquele tempo se cumpriam!
D. João V era casado com D. Maria Ana de Áustria, passados três anos a rainha não conseguia engravidar, ora um rei sem herdeiro é um problema muito grave. O rei preocupado e algo desesperado, desce do seu pedestal, assume a postura de plebeu e em 1711 faz uma promessa a Deus: se a rainha lhe der um filho no prazo dum ano, manda construir em Mafra um convento para os Franciscanos. Deus fez-lhe a vontade! Ainda não tinha passado um ano sobre o dia da promessa e já a rainha estava grávida.
Três anos mais tarde, D. João V em viagem pela Flandres ouve, pela primeira vez, música de sinos. "Que é isto?" Pergunta o rei. Após uma breve explicação, o rei que tinha gostado tanto quis logo saber o preço: 400 contos disseram-lhe! Uma fortuna, para a época. Mas para D. João V, na época, um dos reis mais ricos do mundo (com o ouro vindo do Brasil), era uma autêntica pechincha, não hesitou e comprou…dois carrilhões! Um para Torre Norte e outro para a Torre Sul, o único operacional e actualmente tocado por Francisco Gato, reformado, antigo piloto ta TAP e filho do anterior carrilhanista, e o seu sucessor, o jovem, Abel Chaves, que dividem entre si os domingos de concerto. Todos os domingos às 4 da tarde belos temas são tocados no carrilhão da Torre Sul.
Se D. João V não tivesse precisado de fazer uma promessa. Mafra nunca teria tido um convento. O rei talvez nunca tivesse comprado dois carrilhões na Flandres por muito que tivesse gostado da música dos sinos. Francisco Gato não teria nascido filho de um carrilhanista a ouvir o som do carrilhão. José Saramago nunca teria escrito um livro chamado "Memorial do Convento", onde Baltazar e Belimunda se encontram... Se D. Maria Ana de Áustria não tivesse tido tanta dificuldade em engravidar, imagine-se a quantidade de coisas que ficariam por acontecer!
Tenho dez participações na Corrida dos sinos. A minha primeira vez foi em 1986 e a última, este ano, 21 anos depois. Sem dúvidas de alguma espécie, pode-se considerar uma prova clássica, muito bem organizada pelos Amigos de Atletismo de Mafra, com uma média de mais de 1 000 participantes (2027 em 1990). Com um percurso muito bonito, com passagem pelas localidades: Paz, Salgados, Sobreiro, onde, para além de animação musical, (quando passei para cima estava um duo a cantar: "aperta, aperta com ela", para mim era a subida, certamente), "está" o famoso artesão oleiro, Ti Zé Franco e a sua aldeia em miniatura; Achada, que diz a lenda, num dia de verão a princesa em passeio à Ericeira a dada altura perdeu a chave dos seus aposentos. Quando chegou do passeio deu conta da perda da chave e ordenou os seus criados que a procurassem, um dos criados ao encontrar a chave gritou: a chave foi achada! A chave foi achada!
Percurso de ida e volta, algo sinuoso, tornando-se perigoso para os mais incautos ou inexperientes. Uma primeira parte com muitas descidas e, como tudo que desce sobe, a segunda parte torna-se dura, sobretudo para quem não souber refrear-se, poderá comprometer seriamente a sua prestação. A distância de 15 000 metros é certificada pela CNEC. Nas edições iniciais a distância era de 15 173 metros tal o rigor destes Amigos de Atletismo de Mafra. Lembro que dantes havia organizações que mediam os percursos rigorosamente com rodas de geómetro, o que era considerado uma mais valia. A Corrida dos Sinos é das poucas que tem um elo de ligação ao local por excelência para a prática do atletismo: a pista de 400 metros de material sintético do Parque Desportivo Municipal, Eng. Ministro dos Santos (Presidente da Câmara). Aliás, cabe aqui referir que este complexo desportivo tem excelentes condições para a prática desportiva nas mais variadas modalidades: atletismo, natação, futebol de 11 – com campo relvado, e as mais variadas modalidades de pavilhão, parque de lazer etc. em suma: um excelente investimento da autarquia através do povo e para o povo. O único senão é ter o nome do presidente da autarquia (no concelho há vários equipamentos com o seu nome). Por muito que tenha trabalhado para tal, e não duvido que sim, quanto a mim, não havia necessidade!
Não obstante ser considerado um rei absolutista, Imaginem se D. João V fosse partidário do mesmo conceito, tínhamos:
Palácio Real D. João V - Mafra
Aqueduto Real D. João V - Lisboa
Academia Real da História Portuguesa D. João V - Lisboa
Tapada Real D. João V - Mafra
Biblioteca Real da Universidade D. João V – Coimbra
Capela (S. João baptista) D. João V – Lisboa
Casa da Moeda D. João V - Lisboa
Sem dúvida, modéstia e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém!...
A minha análise deste evento
desportivo
de 0 a 5 *****
0=Péssimo
1=Mau
2=Medíocre
3=Suficiente
4=Bom
5=Excelente
Facilidade/preço da inscrição........... * (carta, selo, cheque/vale postal =
século XX)
Qualidade da organização................*****
Beleza do percurso.........................****
Sinalização/placas km a km.............****
Abastecimentos (2)…….……………………
****
Duche/wcs.....................................****
Percurso/perfil................................***
Prémios/brindes..............................****
Animação do público/partida/chegada***
Resultados ON-LINE.........................***
Até à próxima!
ORLANDO DUARTE