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13ª S. Silvestre Cidade do Porto
VANESSA FERNANDES EM SEGUNDO NA INVICTA
“Até nem sou supersticioso, mas esta era a número 13 e algo me dizia que as coisas iam correr mal. Foi a minha pior S. Silvestre de sempre!” Isto assim dito, certamente haverá muitos atletas que se revêem na afirmação. Quer seja pelas condições atmosféricas desfavoráveis ou pelas filhozes e rabanadas da Consoada de Natal “a pesar ainda no estômago”, o certo é que haverá sempre aquele ou aquela a quem a prova não correu de feição. Mas, surpreendentemente, quem fala assim é o próprio Director da Prova, Jorge Teixeira, e não um qualquer participante nesta 13.ª S. Silvestre Cidade do Porto.
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É sobejamente
reconhecido o cuidado que as organizações da Runporto colocam nos seus
eventos. Tudo é tratado em detalhe com o único propósito de fazer de
cada prova uma verdadeira festa do Atletismo. Daí que Jorge Teixeira
assuma o balanço pela negativa, apontando aquela chuva miudinha,
irritante, como principal fonte de incómodo para os atletas e de séria
perturbação ao trabalho da organização; e como consequência directa da
intempérie, a ausência de público veio retirar muito do brilho e da
animação habituais. E depois foi o tapete de partida que enrolou à
passagem dos atletas; os relógios que não funcionaram; os holofotes do
pódio que, teimosamente, se recusaram a ligar; a ausência de delimitação
do percurso na Praça da Liberdade, que levou o pelotão a encurtar o
percurso numas largas dezenas de metros; a longa espera no final para
receber os prémios de participação, debaixo duma chuva que deixara de
ser “miudinha” e caía agora impiedosamente.
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Compreende-se o desencanto e louva-se a autocrítica, sabendo que encerra o objectivo primeiro de fazer sempre mais e melhor. Mas, honestamente, dos cerca de três milhares de participantes na prova principal e na mini-corrida, quem notou os “deslizes”? A noite fez-se de festa e as ruas da Cidade Invicta encheram-se de cor e de vida. A mole imensa de intrépidos participantes entregou-se com entusiasmo à chuva e ao frio e demonstrou uma enorme vontade de, correndo, empurrar o ano velho. Isso e nada mais! |
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Para a história ficam os vencedores, o queniano Peter Muriuki e a sua compatriota Fridah Domongole, que gastaram respectivamente 30m01s e 33m58s a cumprir os 10.000 metros do percurso. No sector masculino, Mamo Eshetu (Etiópia) concluiu na 2.ª posição a 28 segundos do vencedor, enquanto Paulo Gomes (GDR Conforlimpa) foi o melhor português, alcançando o 3.º lugar e assumindo a liderança no sector masculino da 3.ª edição do Troféu Cidade do Porto, ele que foi o vencedor da edição 2006. Quanto às senhoras, Vanessa Fernandes (SL Benfica) demonstrou a sua enorme valia como atleta e vendeu cara a derrota. A Campeã Europeia e Vice-Campeã Mundial de Triatlo de Elite passou os10 kms a “morder os calcanhares” à queniana e, no último quilómetro, chegou mesmo a pensar-se numa vitória da portuguesa. Mas a maior frescura física de Domongole veio ao de cima na parte final e a diferença entre ambas acabou por cifrar em 13 segundos. Fátima Cabral, agora ao serviço da Açoreana Seguros, fechou o pódio com um registo de 35m01s. Uma nota final para os 1385 atletas que terminaram a prova principal, um número que passa a constituir novo record de participações na prova, depois dos 1269 atletas no ano transacto e dos 1192 em 2004.
JOAQUIM MARGARIDO
FOTOS RUN PORTO |
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