XVII Corrida dos Reis (Açores)

 

 

 

O PICO TEM TUDO,
SÓ NÃO TEM COMPARAÇÃO!

 

A minha aventura em Terras Açorianas

 

A frase acima descrita, foi dita pelo locutor da RDP, em serviço de animação a esta prova de atletismo, no jantar de recepção aos participantes dos clubes e convidados de um dos maiores eventos de todas as ilhas do arquipélago. Mas comecemos pelo princípio.

 

Com a colaboração da Associação de Atletismo do PICO, e, o apoio da COPIGÉS, empresa de Lisboa, que comercializa Impressoras para cartões de plástico, foi-me dada a oportunidade de fazer esta reportagem, naquele espaço de Portugal, ainda ignorado por milhares dos nossos compatriotas, que do seu conhecimento apenas a televisão nos dá um cheirinho da sua beleza.

 

Parti no dia anterior à prova em direcção ao aeroporto da Horta (Faial), seguindo depois para o PICO numa lancha baptizada “CRUZEIRO do CANAL”, navio preparado para nos oferecer uns “trambolhões” em pleno Oceano Atlântico, e, que, segundo a tripulação e alguns passageiros, estes balanços agressivos são até normais; se o barco navegasse em águas calmas morriam de tédio.

 

Depois de ficarmos alojados nos hotéis PICO e MADALENA, era só esperar a ordem de avançar para o 1º jantar festivo que se realizou no Salão da Filarmónica Madalense-Sete Cidades, mas não sem antes termos levado com uma grande chuvada, própria naquelas paragens.

 

E aqui foi de facto uma primeira aproximação entre todos os participantes desta grandiosa festa de atletismo, que este ano juntou perto de mil concorrentes.

 

No segundo dia (domingo) e com tempo magnifico, todos os atletas e não só foram transportados em diversos autocarros para o local da prova, onde se efectuou a cerimónia de abertura com todas as escolas do Concelho, clubes e organizações participantes e público em geral que desfilaram, dando assim o mote para a 1ª das muitas séries de corridas que a partir daí se desenrolaram.

 

Até os Reis Magos se associaram á festa, abrindo eles mesmo o desfile. Logo após estas solenidades, a campeoníssima Rosa Mota, convidada de honra, este ano deu início á pratica desportiva com uma muito participada caminhada de abertura, correspondida por muitas centenas de pessoas de todas as idades. A atleta diria mesmo num dos jantares-convívio, que todos nós temos obrigação de incentivar as pessoas a caminharem, a fazer exercício físico, a tomarem parte nas mais variadas provas desportivas, pois a solidão MATA, e ninguém quer morrer antes do tempo.

 

Seguiram-se as diversas provas correspondentes ao evento, começando pelos atletas do desporto adaptado, depois correram os “passarinhos” os benjamins, até chegar aos juniores e seniores F/M cujos vencedores neste escalão foram: Fem. 1ª.Dorota Ustinowska (Rússia) e em Masc. Licínio Pimentel (POR) que garantiu a vitória na última volta do percurso.

 

Para a noitinha, houve mais um jantar festivo, desta vez no Salão da Cãs do Povo de S. Mateus, onde foram servidas as tradicionais Sopas do Espírito Santo, uma expressão de Cultura, indissociável com aquelas gentes. Momentos antes assistimos a uma peça de teatro pelo grupo “Gota de Mel”sedeados nos Açores e cujo tema foi: A VIDA.

 

No tempo de antena dos oradores presentes, Rosa Mota, sempre ela, contou um episódio, na primeira pessoa….

 
Tendo sido convidada para tomar parte como Júri numa destas provas em anos anteriores, dirigiu-se ao avião ainda em Lisboa sentiu-se mal e um pouco combalida, chegando mesmo a desmaiar. Após lhe terem prestado os primeiros socorros, e de já ter voltado novamente a este mundo, as primeiras palavras que disse foram. Pico, Pico, Pico, o que originou uma imediata viagem até ao hospital, pois os socorristas pensaram que a atleta tinha sido picada por algum insecto venenoso.

 

Afinal estava apenas a indicar que tinha de estar na Ilha do PICO, pois os compromissos assim a obrigavam. Ficou em Lisboa...

 

Nos Açores esperava-se a todo o momento pela convidada de honra que nunca apareceu!

 

Refira-se que este jantar acabou ao som de uma discoteca improvisada, onde dezenas de jovens dançaram, cantaram, pularam, brincaram, gesticularam, e no fim se cansaram..!

 

Houve ainda tempo para assistir a um simples, mas discreto fogo de artifício dando assim por finalizado outro dia de festa integrado neste evento que o representante do Município da Madalena apelidou de Excepcional, Desportivo, Cultural, Social, e Turístico. Nem mais!!!

 

No ultimo dia destas mini-férias, a organização ofereceu a todos os atletas, uma Volta á Ilha e que por capricho do tempo esta foi encurtada, não tendo sido possível visitar um dos muitos lagos existentes na montanha, pois o intenso nevoeiro impediu-nos de subir aos 900metros de altitude, habitat de numerosos aves aquáticas.

 

Rumámos até ao Museu dos Baleeiros na Vila das Lages, onde o frio e a chuva fizeram as “honras “ da casa. Podemos também apreciar o Museu da Baleia, as cooperativas do queijo, artesanato e vinhos, e, obrigatoriamente a cultura da vinha, que é tão-somente Património da Humanidade. Ainda nesta vila quis trazer algumas lembranças locais, e depois dos embrulhos feitos e me serem entregues em mão, quis pagar com os dois cartões Multibanco, pois não levava dinheiro suficiente, mas como acusaram erro de leitura, tive mesmo que deixar a encomenda na loja. Azar o meu!

 

O dia seguinte foi apenas para despedidas e regresso a Lisboa., no entanto, alguns, como eu, seguiriam no voo de 4ª feira conforme marcação antecipada.

 

E aqui é que foram elas.

 

Estando eu a despedir-me dos outros companheiros de viagem, foi-me sugerido que se quisesse, poderia embarcar neste mesmo dia para Lisboa, recorrendo ao aeroporto da Horta.

Assim apanhei boleia numa carrinha da Assoc. para o hotel onde estava alojado, corri para o quarto perante o espanto dos presentes ,saí disparado novamente para a carrinha e “voámos” para o cais, onde até já tinham tirado a escada de acesso ao navio, mas consegui embarcar.

 

O dia com bastante chuva e vento, serve ás mil maravilhas este trajecto no oceano pois ninguém consegue ir quieto, tal é o tamanho das ondas, 4 mt, que atravessam literalmente o barco.

 

E para não perder o balanço apanhei um táxi direito ao aeroporto, e já com a certeza que tudo corria bem.

 

Mas não! O bilhete que me foi entregue (convite) não podia ser antecipado, pelo que tive de ficar no Faial, na casa da D. Fátima, pessoa que nunca me tinha visto antes, me entregou as chaves da sua casa, com a indicação que eu podia recolher aos aposentos há hora que muito bem entendesse.

 

Esta cena em Lisboa era surrealista!!!!!

 

Acordei bem cedinho, tomei um banho com água muito quentinha, mas tive que vestir a mesma roupa, pois a mala já tinha ficado no aeroporto.

 

Foi mesmo uma estranha sensação.

 

Já dentro deste edifício fomos informados que por razões climatéricas e ventos cruzados na pista, haveria a possibilidade de o voo não se realizar.

 

Saiu com 3 horas de atraso.

 

Chegámos cerca das oito da noite á Portela, e ao tirar o telemóvel do bolso reparei que tinha viajado todo este tempo com uma arma branca (xis-acto de 20cm) no casaco (uma atitude proibida por lei).

 

Por acaso ninguém reparou!

 

Terrorista, eu?

 

 JOSÉ PINTO