Corrida do Dia do Pai – Porto – 25 de Março de 2007
Organização: Runporto
A viagem de sábado fez-se em cerca de três horas. Consegui quase encher o carro, sobrando apenas um lugar. À Corrida do Dia do Pai, levei o meu pai e dois amigos. De imediato vamos levantar os dorsais. Como sou uma mulher de sorte, tinha um lugar à espera e as t-shirts no tamanho exacto que quis. Uma pequena fila e várias pessoas a atender fizeram com que não perdêssemos tempo.
A noite foi nossa e depressa nos vimos na partida no domingo. Quase 17.000 pessoas responderam à chamada e o mesmo valor em Euros foi dado pela Sport Zone à Ass. Port. Paralisia Cerebral. Um por cada participante. Foi essa a nossa missão, que bem cumprimos, pois ali não tínhamos outra.
Um crescimento abrupto, dos 10.200 do ano passado para os 15.000 na Mini/Caminhada e mais cerca de 2000 na Corrida de 10 Km deste ano, crescimento esse sem dúvida consequência de um excelente trabalho de divulgação e incentivo, levou a alguma demora no escoamento da partida, a fazer-nos lembrar muitas maratonas internacionais. Hoje e aqui era apenas uma Mini e uma Corrida de 10 Km mas acredito que nos iremos aproximando aos poucos.
-
Porque levas o teu pai senão vai correr ? – perguntou-me alguém antes da
partida, não com ar de crítica mas antes de espanto.
- Porque… está vivo! Porque gosta de caminhar, conviver, passear, conversar, fazem-lhe bem estas coisas e eu… prefiro dar-lhe estas “flores” enquanto ele cá está. – respondo.
E o pai foi caminhar e fazer reportagem fotográfica. Mexeu-se, conversou e divertiu-se.
Eu e os meus amigos fomos correr. E corri feita doida tentando acompanhar dois amigos que encontro já em prova, mas aquele ritmo estaria bem para mim se a prova tivesse 5 km. Eu sabia. E mesmo antes disso acabou-se-me a energia. Ainda faltavam outros 5 Km, e aí foi vê-los passar por mim. Sem nunca deixar de correr mas talvez mais lenta do que se caminhasse assim cheguei à meta sempre muito bem acompanhada por um raro amigo que a par de situações passadas, não me abandonou.
A chegada com 54 minutos não me diz absolutamente nada, pois tive a prova partida ao meio pela minha falta de sensatez. Ainda assim, recordo-me no ano passado ter feito 59 minutos, mas a um ritmo bem mais constante e confortável.
Temos
água e bebida energética no final que uma boa parte dos participantes prefere
levar em paletes num verdadeiro e autêntico saque digno da época medieval, se
não pré-histórica. Pergunto eu se esses indivíduos chegassem uns largos minutos
depois e não tivessem eles abastecimento no final, que diriam? Claro que acções
dessas são sempre os “outros” que as tomam, mas não podemos esquecer que nós
somos os “outros” para os “outros”. É aquela coisa simples mas que leva séculos
a ser mudada: a mentalidade. Façamos alguma coisa e não percamos a esperança.
Bebi água quando a consegui alcançar e quis foi sair dali o mais rápido que
pude.
Havia também massagem no final para os interessados, e apoio médico.
Registo assim um evento notável, onde quem participa devia perceber porque participa. O fundamental aqui é mesmo participar. É sermos e valermos um euro para a Ass. Portuguesa Paralisia Cerebral. É termos a oportunidade de ajudar fazendo o que gostamos.
E assim, por culpa minha, chego ao carro derreada mas como sempre, feliz em mais uns momentos da minha vida.
ANA PEREIRA