Com o 25 de Abril apareceram grandes campanhas de massificação do desporto: o Desporto à Porta de Casa e, a Corrida Para Todos. Eu que era um grande adepto do ciclismo – que saudades dos critérios na pista de Alvalade – fui contagiado, felizmente, por tal "praga", e nos inícios de 1975 comecei a dar os primeiros "passos". Lembro-me que então, treinava no estádio Universitário, saía de casa a correr para lá e no caminho passava por algumas obras e era com frequência "incentivado" por trabalhadores, com a cultura obscurantista da época: "se andasses a trabalhar aqui, não corrias não", "vai mas é trabalhar para as obras" e outros "incentivos" parecidos com estes. Relativamente às mulheres, aí, ainda era pior. Poucos direitos ou nenhuns, as mulheres deste país tinham. Tenho a certeza que o 25 de Abril foi bom para a esmagadora maioria dos portugueses, mas sobretudo para as mulheres. Havia discriminação em todos os sectores de actividades, e o atletismo não fugia à regra. A mulher era um ser secundário, não podia correr mais que 1500 metros, não podia saltar à vara, lançar o martelo etc. etc., isto na pista, na estrada era impensável ver-se mulheres a correr nas ruas deste país.

 

Há imensas provas clássicas que eu gosto de participar. Umas pela distância, outras pela singularidade, outras pela localidade e outras pelo simbolismo, como é o caso das Corridas da Liberdade e do 1º de Maio. São provas que me dão um duplo prazer: correr, e correr em liberdade por essas ruas e avenidas dum país livre, sem preconceitos e opressões. Participar na corrida da Liberdade é como uma espécie de terapia contra o stress e angústia da actualidade política. Participar na Corrida da Liberdade é uma maneira de cimentar Abril. Participar na Corrida da Liberdade é colaborar na demonstração da vitalidade popular!

 

VIVA O 25 DE ABRIL! 

 

VIVA A LIBERDADE!

 

ORLANDO DUARTE