Dez “Milhas “ ou “Millas”?


Pouco passava das oito e trinta da matina de um ensolarado Domingo de Novembro, quando saí de Quarteira, para, juntamente com parte da equipa do novel Centro Desportivo de Quarteira, que ali iria fazer a sua estreia competitiva, rumar a Vila Real de Santo António, a fim de participar na 16.ª edição das “X Milhas do Guadiana”, uma das poucas “corridas míticas” nacionais em que me faltava competir em mais de vinte anos de prática atlética.


Chegados ao local da partida, achei curioso haver duas filas para levantamento dos dorsais: uma para os atletas portugueses e outra para “nuestros hermanos”. Começavam aí as singularidades de uma prova diferente. Feito o aquecimento e tiradas algumas fotos para o ammamagazine.com , fui para a linha de saída da corrida, onde a animação era contagiante.


Um dos primeiros factos que me chamou a atenção, foi a qualidade do piso. É que, ao contrário do que muitas vezes acontece, este encontrava-se em excelentes condições, evitando-se, desta forma, o aparecimento de algumas inoportunas lesões. Naquela cidade algarvia, apesar de não o fazer em “quantidades industriais”, o público saiu à rua para apoiar as cerca de cinco centenas de atletas de ambos os países ibéricos. Bom, também vi alguns irlandeses, ingleses, russos e brasileiros. Quanto aos africanos que viriam a dominar a prova, confesso que só os vi no aquecimento e .. nos pódios finais (risos).


Voltando à corrida, o sol quente dava luz a uma bonita paisagem, onde a ponte transfronteiriça (situada sensivelmente a meio do percurso) se via cada vez mais perto, levando-me a imaginar o que poderia encontrar de diferente “do outro lado”. E o que encontrei foi, predominantemente, o calor do público, em maior número e mais participativo do que no nosso país, reiterando a opinião que eu já tinha de outras participações em provas na Andaluzia.


Já perto do fim, a subida para Ayamonte “fez-se” e a entrada no estádio local já não tardou muito a acontecer. É sempre giro terminar uma corrida num estádio e a bancada daquele apresentava-se muito bem composta. Como prémios, a já tradicional t-shirt e uma bonita medalha, como não vemos muitas em Portugal, entre outros. Outro facto diferente, relativamente ao nosso país, foi a confirmação da apetência dos espanhois pelo consumo de cerveja no final da actividade competitiva, muito por força do patrocínio da Cruzcampo, mas, para a qual não encontro uma explicação lógica, dado o carácter diurético desta bebida.


Aquando da entrega dos prémios, a festa foi feita em várias línguas, mas, no fundo, quem ganhou, penso que foi o atletismo e o espírito de união peninsular, muitas vezes esquecido. Para o ano, com a prova a disputar-se em sentido contrário, tentarei voltar a estar presente, dada a qualidade da mesma.
 

JOSE DUARTE