A Viagem....

Já estamos em Ponta Delgada desde as 10h10! tivemos um excelente voo, e uma péssima hora de embarque. Diria até, um embarque
terceiro-mundista.

Começámos por ser informados que o voo estava atrasado 35 minutos, e à hora respectiva há "luz verde" para avançar para o autocarro. porém, depois de 20 minutos de "cativeiro" somos convidados a regressar à sala de espera. Passados 10 minutos somos convidados a regressar novamente ao autocarro. Nova formalidade de embarque; apresentação do bilhete de embarque, B. I. e lá chegámos ao avião.

Com 1h10 de atraso levantámos voo com uma subida impecável e uma aterragem não menos exemplar.

Depois de almoço, fomos visitar a cidade (a pé) e três horas depois estou em condições de dizer que é muito bonita. Para já gostava de
destacar o Jardim António Borges que é, simplesmente, impecável!!!

Na previsão meteorológica era referida chuva e vento com alguma intensidade. Porém, e ainda bem, não foram essas condições com que encontrámos. Começo a perceber o porquê da falta de amizade que os açorianos têm para com o Instituto Nacional de Meteorologia. É certo que já choveu, mas foram aguaceiros moderados e de pouca duração, e assim, o Sol tem sido um excelente companheiro!

A Visita I

Transportados num excelente autocarro da Câmara Municipal de Ponta Delgada, conduzido pelo Sr. João (um excelente motorista e cicerone).

Pelas 9h30, com Sol radioso e temperatura amena, saímos da Praça Gonçalo Velho ( Portas da Cidade), em direcção à Lagoa das sete Cidades. Aí chegados, encontrámos o local algo nublado. Alguns minutos depois, o Céu limpou e toda a paisagem se transformou em poesia e em algo difícil de descrever.

Voltámos à beira-mar passando pelas Capelas, S. Vicente e Rabo de Peixe (a parte mais estreita da ilha, tem 8 km de extensão). Conta-se até que há 50 mil anos havia duas ilhas, e por influência vulcânica deu-se a fusão da parte Oeste de Ponta Delgada com a parte Este da Ribeira Grande.

A dada altura passámos por uma central geotérmica de produção de energia eléctrica, única na Península Ibérica, que produz 40 % da energia consumida na ilha.

Depois, chegámos a um local autenticamente paradisíaco e inesquecível: Monumento Natural da Caldeira Velha, onde existe, para além duma queda de água, uma pequena lagoa, tipo jaquzi, com água quente (30º) onde imensas pessoas se banham. todo o local é de uma beleza sobre natural, qualquer pessoa, minimamente, sensível à natureza, vem de lá encantada e com o ego altamente cheio.

Depois entrámos na Reserva Natural da Lagoa do Fogo, onde desfrutámos de paisagens de tremenda beleza. E assim passámos da encosta Norte para a encosta Sul, passando por Vila Franca do Campo. Antiga capital da ilha que, vítima dum enorme sismo, deixou de ter condições para tal, e os serviços administrativos da capital passaram para Ponta Delgada e não mais ali voltaram.

Rumo à Lagoa das Furnas, onde existem buracos no solo para se colocarem as panelas que, depois de tapadas, permanecem 6 horas para cozinharem o tradicional Cozido à portuguesa através dos vapores vulcânicos. Depois de assistirmos à retirada das "nossas" panelas, logo rumámos em direcção ao Restaurante Águas Quentes, onde degustámos o tradicional petisco...


A Visita II

Caros Amigos,

Já li e reli a página anterior na tentativa de melhor narrar e qualificar aquilo que hoje vi. Tentei aplicar toda a eloquência que está ao meu alcance e, confesso, acho que o texto está muito longe da realidade por minha culpa.

Continuando... depois de almoço, ainda na localidade das Furnas, fomos visitar as poças de "Dona beija" e as Fumarolas. As poças existem à beira dum Ribeiro e consistem em locais de banho aproveitando a água quente proveniente de nascentes que existem a montante. As Fumarolas, são pequenas crateras de água ou barro em ebulição. Também no local existem, pequenos mas belos, jardins, vários cursos de água e bicas a jorrar água de várias qualidades: quente, fria ou gaseificada. Em suma: um local soberbo de beleza e de paisagens idílicas! Sem dúvida um local a merecer uma visita mais cuidado e pormenorizada.

A caminho da Ribeira Grande, ainda tivemos oportunidade de visitar a fábrica de chá Gorreana e tomar um delicioso Chá Verde. Chegados à Ribeira Grande, fomos a uma loja de licores dos mais variados sabores e paladares: maracujá, amora, banana, café...

De realçar a presença, a convite da organização, creio que em jeito de homenagem, dos atletas paralímpicos e seus guias: Nuno Lopes, Carlos Ferreira e Joaquim Machado (todos já com mínimos para Pequim) e os seus guias João Montes, Victor Rego e João Pateira, com quem partilhámos, com todo o gosto e prazer, esta viagem à volta da ilha!

Ignorando esta realidade, de início, punha em dúvida se esta ilha estava à altura do tributo que queria prestar à minha mulher. Depois de ver as mais variadas expressões de alegria e felicidade estampada no rosto da dela ao longo do dia, não tenho dúvidas em afirmar que sim!

Todavia, nem tudo foram rosas. Sem querer beliscar a boa vontade, o querer e o sentido de responsabilidade dos elementos da organização, mas por ser verdade e ser esse o meu ponto de vista, há necessidade de mais sentido organizativo e empenho das entidades envolvidas, por forma a não haver carência de meios de transporte. Ao contrário da noite anterior, hoje, ninguém da organização nos foi buscar ao hotel para irmos jantar, face à chuva que caía no momento e à distância
entre o hotel e o restaurante, não tivemos outro remédio se não tomar um Táxi e seguir para o restaurante!

A PROVA

Depois de sete edições com o sentido Ribeira Grande (costa norte da ilha) / Ponta Delgada (costa sul da ilha), este ano, e a pedido da Câmara Municipal de Ribeira Grande, inverteu-se o percurso. Salvo melhor opinião, a prova tornou-se mais rápida face ao excelente piso na via rápida que tem ligeira inclinação descendente entre o 9º e o 16º km. Porém doravante, a exemplo de outras provas do género, esta situação irá ser rotativa, ano sim, ano não.

Esta prova, como a maioria das que existem fora das grandes metrópoles, enfrenta dificuldades, não só económicas, como humanas. Hoje em dia, o voluntariado escasseia, e quem aparece tem pouca formação ou conhecimentos da modalidade. O que resulta desta situação é, praticamente, o isolamento do seu grande "carola" ou mentor, neste caso, o Sr. Carlos Melo. Todavia, pelo o que me foi dado ver na festa de encerramento e distribuição dos prémios, onde foi oferecido um excelente almoço aos atletas e acompanhantes, o grande entusiasmo manifestado pelos senhores; Vereador Eng. João Medeiros, da Câmara M. de Ponta Delgada e pelo Presidente da Câmara M. de Ribeira Grande Sr. Ricardo Silva, quer nos seus semblantes, quer nos seus discursos, esta prova vai sofrer grandes melhorias nos apoios prestados pelas entidades referidas. Entretanto, surgiu a ideia de se criar uma prova intermédia (talvez de 10 km) integrada na Meia maratona na tentativa de se ampliar o número de participantes para rentabilizar os custos deste evento desportivo. Vamos esperar e desejar que sim!

Quanto à organização / corrida, há a dizer que o comportamento daquela, não tendo sido brilhante, também não foi má. Ainda assim há a registar um ligeiro atraso na partida (8 minutos) e poucas placas quilométricas (só havia aos 5, 10 e 15 km). Um aspecto que a organização é alheia, mas que é muito importante para a vida da corrida: é a segurança e o policiamento nas estradas e ruas do percurso. O trânsito não foi totalmente cortado e, principalmente na via-rápida, vi carros a passarem a uma velocidade pouco recomendável para uma estrada onde está a desenrolar-se uma prova de atletismo.

No balanço final, podemos dizer que foi uma prova com alguma qualidade, este ano os cinco primeiros fizeram menos 16 minutos que na edição anterior! Com um pouco mais de boa vontade das autarquias referidas, do comércio hoteleiro e da população em geral, poderá vir a ser uma grande prova, quer no campo da competição, assim como no campo cultural, do turismo e, sobretudo, que seja digna desta maravilhosa e espectacular ILHA VERDE!!!
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Um Abraço

Orlando Duarte