À hora marcada a "delegação sul" do AFIS de Ovar, lá se encontrou junto à estátua de Eusébio da Silva Ferreira, esse grande jogador de futebol dos anos 60/70 e considerado, unanimemente o melhor jogador de todos tempos.
Após breve visita às instalações aí existentes, começámos a preparação para a partida num espaço adequado e com uma boa área para o efeito, juntamente com centenas doutros atletas num colorido saltitante e sempre deveras engraçado.
Momentos antes da partida, há a homenagem a uma ex-atleta do Benfica, Rita Borralho (21/3/54), primeira maratonista portuguesa (fins dos anos 70).
Atleta internacional participou no Jogos Olímpicos de Los Angeles e ainda nos Mundiais de Helsínquia e Roma e no europeu de Estugarda.
Campeã nacional de maratona nos anos 1983, 1992 e 1993, participou em 21 maratonas tendo como seu melhor tempo 2.h34m11s.
Homenagem inteiramente merecida, pois esta mulher, nos anos 70 foi pioneira e revolucionou e desempoeirou muitas das mentes das mulheres e homens portugueses que achavam (e muitos ainda acham) que era ridículo andar a correr por essas ruas, em calções e camisolas de alças. Rita Borralho, apesar dos seus trinta anos de atletismo abandonou a actividade prematuramente face a um cancro, que ela tem vindo a combater com estoicismo como é seu timbre e até agora com sucesso.
Rita Borralho, não sendo uma mulher modelo, quer social, quer fisicamente, teve sempre a minha admiração pela forma positiva, frontal e independente como encarou a sua prestação na vida colectiva e desportiva.
Foi justamente homenageada à partida duma corrida
de estrada, organizada pelo seu clube de sempre e em vida, e não a título
póstumo como, infelizmente, é hábito em Portugal.
Em termos participativos: sem dúvida que é uma
prova com boa participação. Com as vertentes competitiva e lúdicas. Todavia, e
na minha modesta opinião, o cariz desse grande clube não foi suficiente para
cativar tantos atletas de elite e de pelotão quanto se desejaria. Será do preço
exagerado das inscrições? Não vejo outro motivo. A prova está bem organizada e
cumpriu na íntegra as várias fases dum evento desportivo: antes, durante e
depois. Há aspectos a destacar que eu gostei particularmente: dorsal
personalizado, o que, quer queiramos ou não, faz bem ao nosso ego, e também deu
para ver, infelizmente, alguns homens com nome de mulher e vice-versa. A
passagem pelo interior do estádio, não obstante a fraca assistência no estádio,
gostei deste pormenor enriquecedor do curriculum de qualquer atleta. Já passei a
correr por cima das maiores pontes do país, já passei a correr por cima do maior
aqueduto do país, e agora passei a correr pelo interior do maior estádio do
país! (um parêntesis, para dizer que por cima do Aqueduto das Água Livres ainda
só passaram a correr 300 pessoas. No próximo mês de Outubro, no 2º G.P. José
Araújo há mais, estejam atentos).
No âmbito do ANO EUROPEU DA IGUALDADE E
OPORTUNIDADES PARA TODOS, esta organização teve a feliz ideia de criar uma prova
em cadeira de rodas, permitindo assim que dezenas de portadores de diferentes
deficiências pudessem dar também o seu contributo para a festa do atletismo.
Entre eles destaco um velho amigo, Hélder Mestre. Ex-atleta do Benfica cujas
performances ainda muito jovem eram já uma certeza para o atletismo. Porém, um
estúpido acidente de viação levou o Hélder para uma cadeira de rodas. Hoje, mais
uma vez, tive o grato prazer de conviver e correr "lado-a-lado" com ele.
Por fim, na vertente da alta competição houve uma boa dúzia de atletas de
primeira classe nos homens e meia dúzia nas mulheres, mas depois caiu-se num
fosso muito grande que revelou um total alheamento dos "segundos Planos"
portugueses.
Trânsito totalmente cortado na frente e parcialmente cá a trás; percurso em
estilo carrossel não muito propício às marcas; com placas km a km, com o senão
do 5º km que estava algo roubado; um abastecimento a meio (água) e outro no fim
com bebida energética e água para além duma barra de muesli; boa fluidez nas
saídas dos funis (5 km e 10 km); boa camisola, ao contrário da do ano passado.
Resumindo e concluindo: Boa organização, boa prova que recomendo e, nova palavra
de honra: se o Benfica não encerrar a secção de atletismo, para o ano lá estarei
na partida
ORLANDO DUARTE