Ao fim de 767 anos de monarquia, em 5 de Outubro de 1910,
Portugal adoptou um novo regime político: a República. Em Ovar, 68 anos depois
nasceu o AFIS – Atletas fins de semana. E 11 anos depois nasceu a Meia Maratona
Cidade de Ovar.
De todas as provas, com 20 ou mais quilómetros, que eu participei, é, de longe,
a que reúne mais e melhores condições; quer técnicas, logísticas ou de apoio a
todos atletas, independentemente de serem de elite, manutenção, novos ou velhos.
Este ano decidi ir de véspera. Conviver com alguns amigos locais ao serão e não
haver necessidade de madrugar, foi determinante. Depois duma noite bem dormida
na Albergaria São Cristóvão, dirigi-me ao local de partida, onde o frenesim já
se fazia notar. As várias iniciativas levadas a cabo por esta organização dão
azo a que milhares (+/- 5000) de participantes se desloquem à cidade dos
azulejos. O local estava todo engalanado, tudo muito divertido e preparado para
a 19ª partida.
Começo o habitual aquecimento, ligeiro como convém nestas provas mais longas.
Neste exercício cruzo-me com vários amigos, saudamo-nos mais ou menos
efusivamente, trocam-se curtas palavras sobre a forma física e a pretensão de
tempos. Nestes diálogos, à partida, raros são os atletas que estão bem: há
pequenas dores aqui e ali, "esta semana não treinei" tenho trabalhado até tarde"
etc. etc. ou seja à partida estão todos mal e doentes. No fim, alguns, poucos,
confirmam as mazelas, mas a maioria a avaliar pelos tempos e pela tabela
classificativa, não passaram de autênticos "bluffs" , enfim, manias!
O percurso, já o disse o ano passado, é excepcional. Duas voltas iniciais dentro
da cidade, que serve de animação e de estímulo, já que o apoio do público e duma
banda musical levam ao rubro aqueles momentos. Depois vêm as largas e extensas
estradas que atravessam um pinhal e nos levam ao Furadouro e à beira mar. De
referir que nesta localidade foi onde senti mais apoio por parte da população, a
todos em geral, mas em particular aos atletas dos AFIS, no meu caso foi bom
ouvir "Vai lá Saramago!" (patrocinador da equipa) "Força AFIS!". De regresso a
Ovar, ainda temos ocasião para correr ao lado e com a Ria de Aveiro. Tudo *****!
Como se não bastasse, ao sairmos da cidade e a meio da Av. Dr. Francisco Sá
Carneiro, encontramo-nos com um enorme e denso pelotão de caminheiros, e durante
quatro km, é lindo ver um rio branco (os caminheiros vão de camisola branca) na
faixa do lado esquerdo e colorido dos atletas da meia maratona na faixa da
direita. Esta situação repete-se nos dois km finais, onde o apoio dos
caminheiros é providencial, a avenida é longa, ligeiramente a subir, a vontade é
muita, mas a forças já não correspondem, nessa altura sabe sempre bem ouvir uma
palavra de animação ou umas palmas, e a maioria dos caminheiros não se refutam a
isso!
Na parte logística, não falta nada: grandes placas quilométricas, tempos de
passagem – 5 em 5 km, abastecimentos aos 5, 10 e 15 km, um funil de chegada num
local maravilhoso (Jardim dos Campos) muito fresco e florido, mas que começa a
ficar curto, embora todos tivessem cortado a meta a correr, toda a operação foi
feita no fio da navalha, ainda assim, fluiu bem e em boa velocidade. Por fim, os
brindes. Não foi, espero que nunca seja determinante, este factor que me leva a
correr em vários locais do país, e neste caso me levou à cidade de Ovar, mas na
minha opinião, é justo salientar este item porque toda a gente gosta de ser
mimado ao fim de uma prova de grande esforço como é o caso duma ½ maratona. E
que mimos! Um belo prato cerâmico em homenagem ao vareiro, duas camisolas e uma
sacada de produtos líquidos, sólidos e muito doces!
O DIREITO
A organização duma caminhada com dois mil participantes (não são mais por
questões de segurança na falta de espaço), 1500 jovens, entre os 10 e os 16
anos, correram (1500 mts.) a 12ª Mini meia maratona "Pela vida / Não à droga.
Este ano houve a adicional participação da 2ª Taça da Europa de ½ Maratona para
pessoas com deficiência intelectual, estando presente várias delegações
estrangeiras, possibilitando assim uma melhor inserção social.
E…O TORTO
Numa iniciativa que envolve mais de 5 000 participantes, é quase impossível
agradar a todos. Porém, do que me foi dado observar, há dois reparos a fazer,
sendo um alheio à organização. Contudo, penso que podem fazer algo para acabar
ou minorar a situação: a dada altura, na Variante junto à Mata do Furadouro,
aparecem muitos ciclistas e cicloturistas que, não obstante virem na faixa da
direita, vêm contra o sentido dos caminheiros e, face ao espaço livre reduzido
fazem autênticas gincanas entre os caminheiros. E assim, não é difícil prever
que está para breve haver ali um acidente com mais ou menos gravidade.
O segundo reparo tem a ver com o prato cerâmico, que é muito bonito sem dúvida.
Porém, salvo melhor opinião, o motivo é repetitivo (é igual ao ano passado). E
há tantos motivos de interesse e a realçar a propósito de Ovar!
Obrigado pela vossa hospitalidade e pelos momentos de prazer que desfrutei na
vossa bela terra!
Um Abraço e até à próxima!
Orlando Duarte